sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

"Desliga você!"

A paixão é um dos sentimentos mais bizarros do mundo. Principalmente quando morde dois adolescentes.

A rapazinho começa caminhando na rua, com alto índice hormonal de sanidade na cachola (que é raro e dura pouco tempo nessa idade), quando de repente, um vulto passa por ele, derrubando no chão o seu caderno, e escorregando dele a sua revista Playboy com aquela gata gostosa do mês com as tripas escancaradas na página do meio. Rapidamente ele recolhe o produto não adequado pra a sua idade e o caderno, enquanto escuta aquela voz doce de menina que começou a ovular há apenas três luas cheias atrás: “Ai, desculpa”. Ao olhar para o provável anjo dono daquele suave timbre, constata que se trata realmente de um ser divino. Então, seus olhos começam a brilhar e estrelas surgem por todos os lados. E se a gata ceder aos seus encantos, pronto, o moleque está feito, o clima rola solto... até que um dia ele beija a guria, e pouco tempo depois namoram.

E é tudo muito belo e mágico de se ver, até que...
...os dois infelizes decidem se comunicar pela porcaria do telefone.

(Alguma semelhança da conversa abaixo com a conversa de algum casal apaixonado pós-adolescente ou adulto é mera coincidência)

(...)
Então é isso, meu amor. Sábado, às sete da noite, em frente ao shopping, tá?
Tá bom meu lindooo. Te amo!
Também te amo demaaaais, hehe.
Ta rindo de que?
É que eu vi a hora aqui. Tenho que ir pro colégio agora.
Ah ta.
(...) {4 segundos depois...}
Ei, psiuu! Alguém mudo aí?
É, hehe, eu tenho que ir, ta?
Então desliga, oras.
Ah não. Você que tem que desligar primeiro.
Mas eu não tenho nenhum compromisso, lindinho. Hahaha.
Eu sei. Ahhh, mas vai... desliga você!
Ah não. Desliga você!
Nãooo. Desliga você!
Nananinanão. Você que tem que desligar.
Não, não!
Sim, sim. Desliga!
Ai, meu deeeeus!
Hahahahaha...
Que foi?
To rindo de você. Você é muito bobo.
Você que é boba. Não ta querendo desligar.
Você que ligou, você que desligue, oras.
Hmmm...
Quié?
Vamos fazer o seguinte. A gente conta até 3, e desligamos. OS DOIS JUNTOS!
Ahh, então ta bom, hehe.
Ta, então vamos!
Vamos!
Vamos lá, começando a contagem, juntos...
Ok.

UMMMM...
DOOOOIS...
TRÊÊÊÊÊS...
E...

JÁ!


(...) {5 segundos depois}

Alô?
Hahaha. Você não desligou?
Não, hahaha.
Por que?
Porque eu te amo!
Ohhh, ti fofu... pára com isso que eu fico toda vermelha.
Mas é verdade.
Também te amoooo. Mas você vai se atrasar.
Só depende de você.
De mim?
Sim ué, de você desligar ou não esse telefone.
Hahahaha, seu palhaço.
O sinal já deve ter tocado.
Então vai logo.
To esperando a patroa me liberar.
Ai, mas é tão duro ter que desligar.
Pois é, eu sei, hehehe

(...) {2 segundos depois}

Amoô?
Qui foiê?
Mas hein... hoje você não tem prova de português?
Não, é só amanhã.
Ah, menos mal...
Hoje tem prova de matemática.
Ai Jesus. E você fala assim, naturalmente?
Ué, tem jeito? Tem que encarar né...
Mas você não está encarando. Esse é o problema.
É por que eu to falando com a minha gatinha...
... que é bem mais importante pra mim do que qualquer prova.
Hmm, isso é prova de amor?... que lindo! Você é a pessoa mais importante pra mim nesse mundo.
Repete isso.
Hahahaha!
Repete, vai?
Você é a pessoa mais importante pra mim nesse mundo.
Ai, ai, ai, ai... to no paraíso.
Seu bobo.
Um bobo reprovado, hahaha!
Nãooo... pára com isso. Vai pro colégio que dá tempo!
Mas eu não quero te trocar por aquela professora chata pra cacete.
Mas você tem que ir.
Ta.
Vamos contar até três novamente... e desligamos juntos.
Hehehehe.
Mas agora é pra valer hein!
Pode deixar!
Vamos! UMMM...
UMMM...
DOOOIS...
DOOOIS...
Ah não. Conta junto comigo!
Ok, ok.
Vai...
TRÊÊS...
TRÊS E MEEEIO...
TRÊS-VÍRGULA-SETENTA E CIIIINCO...
NãooooÔ!
Hahaha.. já to entrando no clima da matemática ué.
TRÊS-VÍRGULA-OOOITO...
Ai, ai... ta bom... TRÊS-VÍRGULA-NOOOVE...
E...
E...
Juntos!
E...

Já!

(...) {5 segundos depois}

Eu não estou acreditando... hahahahaha!
Ai, Deus. Não temos jeito. Nem eu to acreditando nisso... hahahaha
Te amooo!
Ta, eu tambééém! Mas vai, desliga!
Não, desliga você!
NãooÔ. Desliga vocêêêê!
No, sweet! Você!
Vo-cê. Desliga vo-cê!
Lá lá lá lá lá... Só se você desligar primeiro!
Que porra é essa!? {som de voz se aproximando do lado do garoto}
Pai!?
Amor!?
Desliga logo essa merda, caralho! Vai estudar, vagabundo! Que inferno!
{o pai então mete a mão no gancho do telefone, num ato para tentar preservar o pouco de sanidade mental que o jovem ainda apresenta. E também para evitar que metade do seu salário seja usado para pagar a conta}

Tu, tu, tu, tu, tu...

Ufa!
Desligo eu agora.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Tipinhos do colégio

Ah, o colégio...
Período em que nós nos descobrimos como gente, em que grande parte da nossa personalidade se estabelece. Rolam várias aventuras, descobertas e frustrações. Período também onde a convivência humana é mais forte. Muita gente diferente, muita gente parecida, interesses em comum, divergências, namoros, bebidas, intrigas, amassos, sexo, chantagem, riquinhos, briga de mulé que sempre termina no chão, afogamento na piscina, máfia, estelionato, psicopatia, tiro, morte, maconha, emos, explosivos e etc... enfim, tudo maravilhoso e exagerado (nem tudo) ao extremo por mim.

Bom, o propósito deste post é (tentar) dissecar os diversos tipos básicos existentes dentro de uma sala de aula do colégio. Mais precisamente, de uma turma de Ensino Médio, onde as pessoas se tornam... pessoas de fato!

Se você não se enquadra em nenhum dos casos abaixo, sorry, você não faz (ou não fez) um tipo relevante no meio acadêmico. Ou então fique feliz, afinal isso mostra que você é original.

O descolado

O descolado (acha que) é o rei do pedaço. Anda sempre com aquela ginga “malandro de academia” e com aquele olhar de “To prontinho pruma briga e/ou prum sexo”. A valorização pessoal de um descolado está 99% em seu órgão genital e músculos, e apenas 1% no seu cérebro, que o permite pelo menos falar: “Já é ou já era, gatinha?” e ter uma ereção satisfatória. É o maior pegador (odeio usar esse verbo pra isso, mas tudo bem) de mulé do colégio e vive a perseguir o nerd e capturar gostosas. Adora seguir a moda mais imbecil do momento, e sonha em ser um policial do BOPE não para combater o crime, mas para pegar mais mulé, e assim alimentar seu vício por futilidade em prol de uma idiota popularidade. Há uma leve tendência deste grupo em permanecer durante muitos anos numa mesma série.

O nerd

O nerd é o oposto total do descolado. Vive no seu mundinho quadradamente matricial, achando que entender de funções logarítmicas e números complexos o faz melhor que os outros. Possui cara de pateta, anda como lesma e idolatra tipos diferentes, como Sylvia Saint e Albert Einstein. Valoriza mais o seu computador do que a própria mãe. Aliás, o nome “placa-mãe” dado à placa principal do computador por (provavelmente) um nerd explica bem essa situação. Coleciona sempre algum tipo de besteira, trata a escola como uma competição, gosta de falar difícil e permanece virgem durante muito tempo. Vive sempre um amor platônico por alguma gostosa. É o mais inteligente e mais bem visto pelo corpo discente. Tende a ter depressão, asma e transtorno obsessivo compulsivo (TOC).

Descolado x Nerd

Odeiam-se na maior parte do ano. Só tornam-se cúmplices no período de recuperação e provas finais, onde o nerd tenta colocar algo na cabeça do descolado em troca de um workshop sobre como pegar mulé. Essa parceria funciona às vezes, e muitos depois disso ficam amigos.

A gostosa

Esse grupo é tão gostoso que eu vou subdividi-lo em três: a gostosa certinha, a gostosa safada e a gostosa intermediária. Esses três subgrupos se odeiam mortalmente. Explicação: porque são todas gostosas.

A gostosa certinha

É quase uma nerd, só que com algum atrativo. No início do ano, é o alvo favorito do descolado, numa forma de “Eu preciso fazer essa gostosinha recatada se tornar mulher lá na minha cama”. Em vão. A gostosa certinha tem aversão ao descolado e tende a grudar em um nerd. Esse sim possui a real possibilidade de namorá-la (e não pegá-la) ao longo do ano. Mas como são idiotas, raramente o fazem. Mas também quando fazem, são elevados ao patamar mais alto da popularidade e deixam os estigmas do passado de lado. Mas como disse, isso é raro. A gostosa certinha ganha mais notoriedade nas aulas de educação física na piscina, onde finalmente exibe seu corpo delicioso para delírio de todos e raiva das outras... “Ai, que inveja! E ainda por cima é mais inteligente que eu”.

A gostosa safada

É o tão famoso sabonete de vestiário masculino. Todo mundo passa a mão, todo mundo come (menos o nerd). Gosta de customizar os uniformes, deixando as pernas de fora e aquele decote generoso. E nem por isso são barradas pelos inspetores na entrada, já que estes, como são uns panacas que não podem ver mulé exuberante (já que a sua não deve ser boa coisa), ocupam-se, com um olhar de cão vira-lata leproso e manco a meio metro de 100kg de picanha, mirando os seios fartos da safadinha, enquanto ela vai entrando com um ar de “dou muito mesmo, não tem pra ninguém”. Usa da sua gostosura pra cima de professores ingênuos, a fim de elevar aquela nota 5 para um 8.5. Não possui amigas. Possui súditas, que vivem perseguindo-a, funcionando como mera extensão do rabo, já tão grande, da estereotipada aprendiz de vagaba.

A gostosa intermediária

É uma figura normal, oras. Afinal, o mesmo valor dado para o seu cérebro, ela dá para o seu clitóris. Ficam perto de nerds quando querem aprender, e perto de descolados quando querem meter. Costumam ter mais fama de piranha do que a própria gostosa safada, pois a pessoa “em cima do muro” é sempre mais alvo de boatos do que a “sou mesmo” escancarada. A gostosa intermediária é aquela que, de manhã, se concentra numa interessantíssima aula sobre fisiologia das gimnospermas, e de noite, rebola que nem cachorra até o chão, ao som de "Gaiola das Popozudas".

Gostosa safada x Nerd

A gostosa safada mostra a metade do seu seio direito para o nerd, em troca daquela explicação sobre oxirredução na véspera da prova de química. Há relatos de nerds que perdem a virgindade com gostosas safadas. Mas elas geralmente não precisam ir tão longe para arrancarem qualquer coisa deles.

Gostosa safada x Descolado

Responsáveis por 90% da atividade sexual dentro do colégio. Os 10% restantes ficam por conta dos professores, dentro da sala de professores, enquanto o diretor dá aquela bronca em alguma sala de aula porque explodiram a privada do banheiro com malvina.

O mais velho

É aquele que, por algum motivo obscuro, abandou os estudos e decidiu retomá-lo cinco anos depois, ou mais. É o mais maduro, e é o conselheiro da galera. Muitas vezes é visto como um chato, e muitas vezes é mesmo um chato. Costuma ter aquele discurso “o certo é o certo, o errado é o errado” de adultinho padrão, causando sono até mesmo no professor de filosofia. São noivos ou casados, e se orgulham dessa situação, causando nojo no resto da galera promíscua.

O turista

É aquele com o maior número de F na lista de presença. Costuma ser uma lenda. Quando aparece no colégio, geralmente chove. O mais incrível é que ninguém sabe o nome dele, mas ele sabe o nome de todo mundo da sala. É salvo pelo nerd na semana de prova e influencia o descolado em sua jornada mundo afora, sabe-se lá fazendo que coisa... talvez desvirginando menininhas bigodudas hiper religiosas no sertão nordestino.

O palhaço

Sabe quando a turma está caladinha, copiando do quadro, e de repente um indivíduo qualquer solta alguma piadinha, fazendo todos e até mesmo o professor caírem na gargalhada? Pois é, esse o palhaço da turma. É um cara feliz e bem aceito por todos os outros grupos. Fazem piadas sobre tudo e sobre todos, despertando aquela lágrima de riso por coisa idiota até mesmo no cara mais velho. Tamanha é a simpatia e poder de cativa da pessoa que, se você é gordo e ele fizer uma piada de gordo, você vai rir. Se você for feio e ele fizer uma piada com a sua feiúra, você não vai agüentar, e vai rir escancaradamente. “Você é tão feio que seu pai largou sua mãe pensando ter sido chifrado com o diabo”. “Hahahahaha, eu sou feio bacarai mesmo, véio. Hahahahaha”. Não sei se isso foi engraçado, só quis explicar como funciona o poder Bozo do sujeito palhaço. Eles são responsáveis por mais de 50% das situações cômicas na sala. O restante fica por conta de professores bisonhos.

O socialista

É o porta-voz do povo adolescente, bom aluno, e geralmente é presidente do grêmio estudantil e/ou representante de turma. Acha que todos são perseguidos pelo sistema que rege o colégio. Luta pelo direito, faz passeata, pinta a cara, faz discurso, faz teatro com teor manifestante, bate na porta da diretoria, atira ovos e promove a discórdia. Delicia-se nas discussões das aulas de história e geografia, superando até mesmo o nerd no quesito “babar ovo do professor”. Possui relação de amor e ódio com o corpo discente. É louvado por ser um líder natural e digno de destruição por querer a queda da Bastilha todo santo dia. Geralmente é fã de Osama Bin Laden e odeia Bush e seus EUA. Atualmente está entristecido pela renuncia de Fidel ao cargo de presidente de Cuba.

O esquisito

Pode ser até o próprio nerd em alguns casos. Mas acho que merece uma outra classificação. O esquisito é uma criatura tão estranha que poucos chegam perto. Nem mesmo os professores, mas que mesmo assim defendem o estilo da pessoinha, alegando direitos iguais. Góticos e emos também fazem parte desse grupo. O esquisito possui olheiras e um olhar frio e fixo em uma só direção. Gira a cabeça vagarosa e assustadoramente para olhar para o lado, e alguns até conseguem girá-la em 360 graus que nem a garotinha diabólica de "O Exorcista". Não precisa de fantasia na festa de Halloween da classe. Quando abre a boca para discutir sobre alguma matéria de alguma disciplina, sempre sai algo de caráter mórbido, e o pessoal nem sempre debocha, acha estranho mesmo, e todos fazem um sinal da cruz. O esquisito tende a exibir cortes profundos nos pulsos, e se ele de repente desaparecer, não foi porque virou turista, mas infelizmente foi porque o tal amiguinho se suicidou no banheiro de sua casa, com a lâmina de barbear, porque sua namoradinha igualmente esquisitíssima o abandonou.


Pois é, minha gente!
Ai, ai... saudade do colégio.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A vida é um Oscar

A cerimônia de entrega do Oscar, cuja edição deste ano aconteceu ontem, sempre me pareceu um evento interessante. Mas este ano confesso que "boiei" legal. Não assisti a praticamente nenhum filme e conheço poucas das personalidades que foram indicadas. Aliás, eu nem sabia da existência de alguns filmes ali, tamanha a desisformação do rapaz que vos fala. Mas tudo bem, não fico triste não. De uns tempos prá cá, o filme da minha vida e o daqueles que me cercam tem dispensado minha fome por superproduções de Hollywood. Eis alguns exemplos:

Aquela Sensação
História de um jovem rapaz que dispensa uma vida de conveniência ao lado de uma moça que o ama, em prol da sua liberdade, estudos e principalmente, por estar em busca daquilo que considera o verdadeiro amor, já vivenciado anos antes, e que deseja encontrar novamente nos braços de uma nova mulher.

A Carreira dos Sonhos
História de um jovem e guerreiro rapaz, que ao abandonar seu projeto de vida profissional conquistado com tanto esfoço, enfrenta problemas com o pai e vive um período de sofrimento. Porém, ele dá a volta por cima, e começa a mostrar sua persitência, garra e valor em sua nova escolha.

América Adulta
Uma jovem e bela moça vive período de fortes emoções, badalações, amadurecimento e auto-conhecimento em sua experiência de intercambista na América do Norte.

Ilha do Desejo
Rapaz centrado e equilibrado apaixona-se por mulher diferente dele, e a partir daí, sofre reviravoltas em sua vida, se entrega à novas experiências e vive dilema envolvendo a razão e a paixão.

Cria dos Gramados
Garoto começa a ganhar notoriedade na arte do futebol.

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E o Oscar vai para...
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sábado, 23 de fevereiro de 2008

Sunguinha amarela

Edward A. Murphy era um nerd. Pra começar o cara era engenheiro (para os ofendidinhos de plantão que não gostam do estereótipo, eu estudo engenharia). Mas isso é o de menos. O problema é que ele não via os fatos da vida como eventos aleatórios, coisas totalmente desprendidas de leis. Segundo o link para a wikipédia que eu botei aí em cima, seu ramo da engenharia era a aeroespacial. Então qualquer merda que dava nos foguetes, ele não ficava puto e não aceitava o fato de uma forma “tudo bem, aconteceu, porra, fazer o que né?” como qualquer pessoa. Não, ele fazia questão de buscar evidências para postular uma lei que traduzisse as desgraças que ocorriam no seu ambiente de trabalho, e de maneira mais geral, com a vida de todos nós. Como estudante de engenharia que eu sou, se a Lei de Murphy fosse mais uma lei baseada em matemática e física de maneira maçante e complicadinha como as diversas leis que eu aprendi, aprendo e vou aprender ainda no meu curso, eu ficaria com raiva desse cara. Mas não, eu diria que a Lei de Murphy é até uma forma de entretenimento, algo cômico, que todos gostam de mencionar quando acontece alguma merda em suas medíocres vidas.

Enfim, pra quem não sabe, a lei diz o seguinte: “Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível”. Existem outras frases que formulam essa lei, mas acho essa a melhor. Legal né? É impossível não esboçar um sorrisinho ao ler essa formulação.

Partindo então dessa introdução, segue abaixo o meu conto, que é uma outra história engraçada da minha vida que eu queria contar. Como você já deve ter percebido, vai dar merda.

Um belo dia, há uns 2 ou 3 anos atrás, Karina, uma amiga e minha afilhada de Crisma, me chamou pra sua confraternização de conclusão do curso Normal de professores numa espécie de sítio (vou chamar de sítio mesmo) em Nova Iguaçu. Pra quem é da região e deseja maiores informações, fica na Estrada de Madureira, bem pra lá da UNIG.

Aceitei o convite de imediato, e no dia do tal lazer, acordei bem cedinho, arrumei minhas coisas, coloquei minha sunga amarela na bolsa, afinal toda confraternização em sítio que se preze tem que ter piscina (além de churrasco), e assim fui ao encontro da galera que ia, sem saber que naquele dia, Murphy, lá do céu (ou do inferno) olhava pra mim de uma maneira diferente.

Chegamos no sítio, um lugar bastante agradável. Um fato curioso era que aquela deveria ser uma reunião de mulheres praticamente, já que esse curso tem infinitamente mais mulheres do que homens. Mas o que mais se via lá era homem, provavelmente os namorados e os solteirões em busca de carne fresca disponível. Bom, vimos a piscina, tava calor, e então todos ficamos de trajes de banho e pulamos na água. Aí foi aquela farra padrão de sítio com churrasco e piscina. Brincadeiras de vôlei na água, comida e bebida pra galera, mulher pagando peitinho, casalzinho se pegando, música... enfim, um dia como eu esperava que fosse. Até que então eu cismo com algo.

A merda que aconteceu comigo no conto anterior ocorreu porque eu cismei com meu primo que queria dormir do lado da beliche (se não leu este conto, leia oras). E neste foi porque eu cismei com um morro que tem lá. Sim, um morro, tipo uma colina, onde ficam os bois, umas cabras, muito verde... ahh, você imagina como é. E tem foto lá embaixo dele vista do alto. Mas depois você vê. Guenta ae. Sabe, eu sempre tive espírito aventureiro e sempre gostei dele, mas dessa vez isso me causou danos. Eu queria subir o morro, numa expedição exploratória, até uma cachoeira, que segundo um pessoal lá, existia e era boa pra tomar banho. Mesmo que não tivesse cachoeira, eu queria subir o morro, porque... sei lá, sou um babaca que gosta de se cansar à toa e procurar sarna pra me coçar. Enfim, fiquei um tempão falando sobre o tal morro, numa cisma incontrolável. E acho que mais alguém também estava afim de ir, e deu coro à minha babaquice. Até que uma hora o povo decidiu partir para aquele, que seria, um dos maiores micos que eu pagaria na minha vida.

Preste atenção nessa parte: TODOS, antes de partirem, cobriram seus trajes de banho. Os muleks colocaram bermudão por cima das sungas. As meninas colocaram vestidinho, canga, saia... TODOS fizeram isso, menos quem? Adivinha? Chuta. EU, claro! Nem me liguei nisso. Afinal, só iríamos subir um morro pra tomar banho numa cachoeira e iríamos voltar depois, não é mesmo? Pra que botar bermuda? Eu hein. Fui com a minha sunga amarela somente, amarradão.

Começamos a aventura. O morro parecia mais baixo visto lá de baixo. Tivemos certa dificuldade pra subir e numa hora lá, não me lembro porque, o grupo se subdividiu em dois. Eu também não me lembro bem qual era o meu grupo na expedição. Só tenho certeza de três pessoas que estavam comigo: Juliana (irmã da Karina), Caio (namorado da Juliana) e Felipão (amigo em comum). Enfim, caminhamos na mata, pulamos arame farpado, enfrentamos cavalos, bois, dragões, pokémons... chegamos no topo do morro, passamos por uma florestinha na descida (do outro lado do morro já) e escutamos barulho de água corrente. Só que a tal parte da cachoeira boa pra se banhar ficava meio longe ainda. Caminhamos até um pouco, mas a gente se cansou, e a aventura já estava durando muito tempo e o céu ficando meio feio. Então, decidimos voltar até uma roça com um casebre que tinha do outro lado do morro, e que a gente havia passado por ela no caminho até a maldita cachoeira.

Ao chegar na roça, observamos que dentro do casebre, havia uma televisão de 29 polegadas com uma imagem bem nítida, típica de TV por assinatura. No meio do mato? Estranhíssimo. Mas tudo bem. Pedimos um pouco d´agua pro morador (ou moradora, não lembro), que trouxe uma garrafa, e a água estava mais amarelada que mijo de gente que não bebe água há dias misturado com refresco TANG de abacaxi. Desconfio muito daquele líquido ainda. Mas tudo bem, também. A gente não podia reclamar muito. As nuvens estavam se formando e precisávamos voltar. Perguntamos como faríamos pra voltar, sem ser pelo morro, já que o pique pra voltar a subir havia sumido. A pessoinha lá disse que bastava seguir uma estradinha de terra (que nos foi mostrada) até o fim, e no final dela, ficava a Estrada de Madureira (estrada principal), e assim, voltaríamos por ela até o sítio.

Muita calma nessa hora. Veja a imagem.



A seta azul indica onde é o sítio. A seta vermelha indica uma parte da cidade de Nova Iguaçu. Ou seja, um local comum, com casas, padaria, farmácia, carros, ônibus e, principalmente, pessoas devidamente vestidas, já que aquela não é área de banhista. Já ta imaginando né? Vai rindo aos poucos.

Agora veja esta mesma imagem, mas sob outra análise.


Em azul está o trajeto que seguimos na aventura. O ponto vermelho é onde paramos pra beber água, na tal roça com um casebre e uma televisão não adequada para o local. Em verde está o caminho que faríamos na estradinha de terra até a estrada principal. E em amarelo (homenagem à minha sunga), está a estrada principal.

Eu não percebia o que me esperava mais pra frente. E pelo jeito, nenhum dos meus companheiros de equipe. Ninguém comentou nada. Mas você, leitor, ta percebendo a merda que deu né. Pois é. Caminhamos, assim, felizes e conversando... até o ponto preto da figura.

Chegamos nesse local, e a civilização do nada apareceu na nossa frente. Neste exato momento eu percebi. Parei. Fechei meu olhos. Respirei fundo. Olhei pra baixo. Vi minha sunga amarela. “Aiiiii”, pensei. Gelou minha espinha na hora. Meu coração palpitou. Felipão me viu arredio. Percebeu a situação também. Câmera lenta. Ele olhou pra minha cara, e sua face foi lentamente saindo de uma postura séria e cansada, e tomando formato de “vou rir pra caralho”. Seu dedo foi apontando pra mim. Uma das meninas foi colocando a mão na boca numa espécie de “Ai, Renan, tadinhooo”.

Câmera normal. Felipão grita:

“SE FUDEUUUUU, HAHAHAHA”

Eu comecei a andar, com as pernas meio bambas. Não tinha jeito. Tinha que encarar. Pegamos a estrada principal e ali começou a minha via-crúcis. Agora imagine você, de sunga (ou biquíni), na Central do Brasil, por exemplo. Se fosse em Copacabana, beleza. Tem praia. É natural. Agora, naquelas condições, é obvio que iriam rir de mim até eu chegar no sítio. E foram 1,7km (pra dar mais ênfase, 1700 metros - MAIS ênsfase, mil e setecentos metros – fonte: Google Earth) caminhando de sunguinha amarela e TODOS que estavam na rua olhavam pra mim. Aí, Murphy, lógico, não poderia deixar barato. O local estava mais movimentado que de costume. Passava um ônibus e eu ouvia: “Viaaaaado”. Passava um carro: “Boiolaaaaa”. Era gente do outro lado da rua que gritava: “Uhuuuuuu”. Passei por um grupo de muleks vagabundos e um deles disse pro outro: “Se eu pego uma porra dessa, meto a porrada até morrer”. Tipo, o que as pessoas estavam pensando? Que eu fui pro mato fazer meinha e estava voltando, exibindo meu corpo magro e tentando fisgar mais macho? Ninguém merece. Foi brabo. Kombis e vans buzinavam enlouquecidamente. Mulheres gritando, caçoando sem piedade. Uma criança apontando, e sua mãe falando algo. Provavelmente o diálogo era: “Alá, mamãe. Moxo de Xunga”. “Pois é, meu filho, nunca fique assim na rua, que é muito feio”. Só sei que eu fui a piadinha do fim de tarde dos trabalhadores de estabelecimentos do local.

E aí você me pergunta: “Renan, você disse que o tempo estava ficando feio. Afinal, choveu?”. E eu respondo: Rá, adivinha? Murphy era sábio demais. CLA-RO que choveu. Não foi uma chuuuva. Mas chuviscou bem chatinho, e ficou mais frio. E eu, fiquei andando, de cabeça baixa, abraçando meu corpixo, cheio de frio, enquanto Felipão, do meu lado, ria com as zoações que eu ouvia. Lógico, eu não condeno. Faria o mesmo. Aliás, quero agradecer aqui o Felipão, que ficou do meu lado o trajeto todo, mesmo eu pagando mico, e com risco de respingar nele. O restante do povo ficou um pouco mais pra trás, porque eu estava andando muito rápido pra chegar logo. E demorou assim mesmo, viu.

Enfim, acabou o meu tormento. Cheguei no sítio. Botei uma roupa. E fiquei um bom tempo lá ainda, contando do mico pro povo que não estava sabendo (faço questão mesmo) e descansando. Até que um tempinho depois do ocorrido, eu fiquei com fome, com vontade de comer biscoito recheado. Como eu não tinha levado nada, tive que ir comprar. Dessa vez, vestido. Saí do sítio e caminhei até a padaria mais próxima, lá na civilização (Sim, ainda tive coragem de voltar lá depois, afinal, o povo deveria ter esquecido e muita gente que me viu estava só de passagem na rua naquela instante). Ao entrar no local, escolhi o biscoito, dei o dinheiro pra atendente, que me olhou estranho. Ela contou o dinheiro, meio que rindo. Pegou o meu troco, colocou na minha mão, mas sem largar, e perguntou: “Você é o menino que passou aqui ainda a pouco de sunguinha amarela?”. Todos os outros que estavam na padaria me olharam. E eu, ao guardar o troco e o biscoito, respondi: “Sim”, timidamente. E a moça então, disse:

“Deu um show hein. Hahahahahaha. ARRAZÔ”, bem alto.

Ui. Murphy fdp!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Noite do vômito

Qual seria a graça da vida se não fossem as histórias bizarras que temos pra contar, não é mesmo? Sabe aquele tipo de história que sempre acontece com um amigo de um amigo nosso? Pois é, eu devo ter várias dessas, estrelando eu mesmo, mas só me lembro de duas agora. Neste post eu contarei uma. A outra fica pra quando me der vontade de contar, se der. Pra falar a verdade, eu não tenho o propósito de transformar esse blog num livro de contos engraçados que acontecerem comigo. O que eu quero mesmo é publicar coisas do presente e talvez do futuro. Mas ao final do post você vai perceber que valeu a pena. Essa é das boas.

Sabe aquela época em que seu vovô e sua vovó fornicavam sem parar porque a ausência de tecnologia fazia com que eles não tivessem outro entretenimento? Pois é, e além disso a vovó não poderia imaginar que existiria um remedinho em comprimidos a serem tomados diariamente que impediriam que uma diversão de 10 minutos resultasse num milihumano 9 meses depois. O mesmo acontecia com o vovô, que não embrulhava o presente. Pois bem, com isso os milihumanos chegavam aos montes e isso na maioria das vezes era desastroso. Não sei se para o vovô e a vovó na época foi. Só sei que agora há um saldo muito positivo nessa história toda. Afinal, os 7 milihumanos que a vovó gerou hoje são adultos, e estes geraram os seus milihumanos também, numa escala menor, já que os papais e os titios se dispuseram da tecnologia pra dar fim ou evitar a fabricação de novos seres. Mesmo assim, como são muitos titios, foram muitos os milihumanos gerados, o que foi um saldo positivo pra mim, já que estes, agora, eu chamo de primos.

Os primos pra mim são mais que amigos. Então nada mais óbvio que em muitas coisas que aconteceram na minha vida, um ou mais deles estejam envolvidos. Como é o caso deste acontecimento. Não me lembro ao certo qual era a nossa faixa etária na época, mas isso ocorreu no início da adolescência. Um belo dia, 4 (dos milhares) primos da mesma faixa etária resolveram combinar de fazer uma festa do pijama na casa de um deles (Maurinho) e uma amiga em comum também participou. Eis os personagens:

Eu, Renan - A maior vítima. Porém sem ser 100% santo.
Morena - A prima vilã da história.
Maurinho - O primo anfitrião, também atingido.
Marília - A prima que foi pouco atingida, mas foi.
Rafaela - A amiga convidada. A única que saiu ilesa. O que comprova que somente os primos foram unidos pelas pontas da estrela de Davi (ou pentagrama, sei lá) na magia negra.

Vamos aos fatos. O acontecimento clímax é tão mais interessante que todo o resto que não consigo me lembrar o que fizemos direito antes dele. Só me lembro dos pastéis de carne, e dos refrigentes que devoramos loucamente noite a dentro. Mas o Maurinho agora me lembrou do macarrão que sua mãe fez e também do nescau, que mandamos ver. Também me lembro do tio Mauro (pai do Maurinho, obviamente) acordando de madrugada com o olho cheio de remela pedindo um pastelzinho frio. Mas agora você imagine... acho que nem o estômago de um adulto foi projetado para aturar pastel de carne, refrigerante, macarrão e nescau de uma só vez. O tempo foi passando, e teve uma hora lá que o Maurinho alertou que jogaria água em cima daquele que dormisse. A ameaça foi em vão, a festa terminou cedo: 3 da manhã o povo já estava deitado, ou seja, foi uma festa mal sucedida, já que deveria durar a noite toda. Um bando de pregos, isso sim. Eu travei um duelo infantil com o Maurinho na hora de deitar pra ver quem ficaria ao lado da beliche, provavelmente o motivo era ficar no meio, perto de todos os primos. O arrependimento posterior foi mortal.

Se você é uma pessoa que tem nojinho, pare de ler aqui.
A formação do albergue improvisado era a seguinte:

A figura já dá uma prévia do que vai acontecer. E dá pra ler o que está escrito, esforce-se. Às 5 da matina, Morena começa a sentir-se mal, rolando na cama e suando frio, devido à ingestão selvagem de troços aleatórios durante a festa. E a vilania da menina começa agora. Depois me foi contado que a infeliz pensou mais ou menos assim: "Vou vomitar. Se eu virar pra esquerda, o vômito vai sujar e manchar a parede, além do que vai ficar perto de mim. Se eu virar pra direita, vou vomitar no Renan. Mas sabe, talvez nem pegue nele". E assim fez aquela vaca ruminante (redundância proposital): "bléééééé" beliche abaixo. Voltando uns segundos antes, estava eu, dormindo, feliz, provavelmente sonhando coisas feias que adolescentes sonham, quando de repente um barulhinho de "água" caindo no chão e em "algo" que estava no chão desperta o sono, ainda leve, dos pupilos. Rafaela diz: "Po, bem que Maurinho disse que ia jogar água caso a gente dormisse". E a "água" caindo, sem cessar. Até que Marília exclama: "hmmm, to sentindo cheiro de vômito". E a porra da Morena de boca aberta, mandando brasa. Até que eu, sonolento e convencido de que não era puramente água, exclamei: "Maurinhoooo, vomitaram na minha cabeça". Pronto. É dado início ao caos. Maurinho se levanta rapidamente, acende a luz e todos constatam o fato. A minha cabeça e cabelos estavam ensopados de vômito amarelado e com bolos alimentares espalhados pelo meu couro cabeludo, mais fedidos que porco de estimação do capeta morto a tapa. Corri instintivamente para o banheiro, e ao passar pela a pia, minha visão periférica captou meu reflexo passando no espelho. Como cumprimento do mal imposto pela magia negra pra mim naquela dia, algo fez com que eu parasse, retornasse, e visse minha imagem no espelho. PUTA QUE ME PARIU, pára por aí. Quando vocês vêem vômito no chão, não dá aquele embrulho no estômago, um mal estar dos infernos e vontade de vomitar também? Pois bem, imagine se o vômito estiver na sua cabeça, e você o estiver vendo pelo espelho entranhando em seus cabelos, e nesse exato momento (Murphy fatality) um bolinho alimentar contendo um pouco de carne moída mal digerida escorre pela sua testa até sua sombrancelha. Não se pode esperar outra coisa. Comecei a passar mal na hora, deu vertigem, meus olhos reviravam, a única coisa que deu tempo de fazer foi chegar até o box e jorrar litros de vômito, cagando a porra toda e azedando ainda mais o ambiente. Que inferno!

Agora vem o meu lado vilão (e porquinho). Depois de quase desmaiar em cima de milhões de enzimas digestivas assustadas com o ocorrido, eu passei água no meu cabelo pra tirar o excesso, sem lavá-lo, e para terminar a "limpeza", peguei a tolha mais próxima, uma branquinha e cheirosa, e sequei meus cabelos ainda um pouco ensebados do esgoto do estômago da Morena. Ao me ver com a tolha na cabeça, voltando pro quarto, Marília arregalou os olhos e gritou, dizendo que a toalha era dela. Hahahaha. De cheirosinha, a toalha ficou fedida e imprópria para uso. Todos me condenaram por isso. Coitado de mim. Aquele não era realmente o meu dia. Ao chegar no quarto, vejo o Maurinho reclamando pra cacete, pois seu travesseiro de estimação também tinha sofrido danos do vômito da vaquérrima Morena. Vai vomitar assim lá na casa do caralho, porra! Maurinho se emputeceu, e chorou a perda de seu amigo, companheiro de tantas emoções noturnas. Morena me culpou pelo ocorrido, alegando que eu fiquei apertando a barriga dela infinitas vezes durante a festa. Desgraçada, né? Ela também ficou puta da vida, pois todos a deixaram sozinha no quarto com cheiro de azedinho estomacal. "Vocês só ficam perto de mim quando eu estou cheirosinha". Tadinha, né.


Enfim, a noite terminou, claro, ao amanhecer (isso foi bem duh, mas vou deixar). Maurinho e Marília dormiram no quarto dos pais deles, eu e Rafaela na sala e Morena, fedorenta que nem eu, não tinha nada a perder, ficou no quarto mesmo.

É isso. Priminha Marília, te devo uma toalha até hoje. Priminha Morena, te adoro tá, sem ressentimentos. Saiba que seu vômito saiu da minha cabeça, mas ele estará guardado pra sempre em meu coração.


Hum, que nojo!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Apareci lá em Aparecida

Eu sempre tive certa dificuldade em começar a escrever alguma coisa. Seja um conto, um relatório ou um simples resumo de alguma coisa. Pra mim nunca foi muito fácil, sempre demorei pensando em como começar. Mas as minhas dificuldades somem ao fim das primeiras linhas, e a coisa começa a fluir bem, como está acontecendo neste exato momento.

Bom, com o tempo eu irei incrementando este blog da maneira que a minha criatividade permitir. Portanto, não me condenem de imediato. Aliás, é um milagre eu estar dando início a ele. Estou há anos querendo criar um blog (é sério!), mas nunca comecei... às vezes por preguiça, ou então é a animação que vai embora, enfim, são vários os motivos. Mas agora que estou escrevendo o primeiro post, acho que vai vingar...

Vou começar escrevendo sobre o último passeio que fiz, pra Aparecida do Norte, sábado (16/02). Foi o típico passeio em família (pai, mãe, irmão + primo a tiracolo). Ah, para os desinformados, Aparecida do Norte é uma cidadezinha que fica em São Paulo, entre Taubaté e Resende, às “margens” da Rodovia Presidente Dutra e do rio Paraíba do Sul, a 270km do Rio, o que dá umas 2 horas e meia de viagem numa velocidade que dá pra você escapar da morte caso sofra algum acidente de carro. Enfim (ainda para os desinformados), Aparecida do Norte é onde fica o santuário de Nossa Senhora Aparecida (foto abaixo), santa que, segundo a história do catolicismo (minha crença) apareceu no tal rio Paraíba do Sul, em 1717, naquele local. Não vou contar aqui toda a história, se quiserem saber, procurem no google. Acredito que seja fácil encontrar. Prometo fazer posts com links futuramente. Quero primeiro ver se consigo terminar esse. Bem, continuando... nada mais óbvio então que o nome da cidade seja esse, certo? Aliás, creio que essa cidade não existiria (mesmo se fosse com outro nome) se não fosse a aparição da santa.

Quero alertar aqui que não sou cristão fanático. Gosto de assistir às missas aos domingos e faço um pequeno trabalho na igreja que freqüento, mas falta muito pra eu ser um cristão exemplar. Também não pensem que eu busco ser padre, ou viver num mosteiro... nada disso. Minha parada (até agora) é a engenharia. Estou feliz com a minha atual condição em relação à minha religião e não penso em me aprofundar mais. Tá ótimo assim. Mas voltando a falar de Aparecida. Foi uma decisão do meu pai a visita ao santuário, pois era seu aniversário e ele queria voltar lá, depois de ter ido sozinho no ano passado e gostado muito. Um passeio desse pode soar chato para qualquer criança/jovem/adolescente, afinal, visitar um local onde só existem pessoas chorando, rezando e pagando promessas, parece não ser dos mais agradáveis. Mas não, Aparecida vai além. Realmente, você vê sim pessoas chorando, rezando e pagando promessas... mas lá também há entretenimento (um parque e um aquário com tubarões), um shopping muito do legazinho e tudo baratinho, além de ter belas coisas a serem vistas. Mas ainda não é isso que faz de Aparecida um lugar diferente. Como a maioria sabe, Nossa Senhora Aparecida é a padroeira do Brasil. Portanto, é de se esperar que aquele lugar seja um dos pontos mais fortes da fé brasileira, senão o mais forte. Aparecida é, por isso, diferente justamente pelas pessoas que lá choram, rezam e pagam promessas. Ao visitar a sala de promessas, por exemplo, você observa o quanto de fé é depositado por aqueles que sofrem e que atingem suas graças. São fotos de gente comum espalhadas pelas paredes e teto. Objetos prometidos (diplomas universitários, maquetes de casas, órgãos do corpo humano feitos de cera, fardas e etc) como pagamento das graças alcançadas, alguns até de famosos, como Ronaldo fenômeno (que deixou uma camisa do Brasil autografada) e Ayrton Senna (que deixou seu capacete). A sala das velas é muito quente, pela enorme quantidade de velas (óbvio) ali depositadas pelo povo romeiro. Velas pequenas, velas grandes, velas enormes... tudo ali é grandioso. E mais uma coisa: não estou discutindo aqui se a minha religião é a certa ou não. Não tenho o menor saco para manter esse tipo de conversa, portanto você nunca verá essa discussão por aqui. O que quero dizer é que é realmente comovente estar naquele lugar.

O salão central, que é a igreja propriamente dita, com o altar e os bancos, é gigantesco, bem arejado, e mesmo estando em obra, é bonito, e não deixa de ser um convite a ajoelhar-se e fazer uma oração fervorosa. Você olha para o lado, e vê uma pessoa chorando, orando e se sente realmente comovido com aquilo. A fé alheia comove, descobri isso. É lá também que fica a imagem original, aquela encontrada no rio no século XVIII, que é tão pequena, porém é o auge da visita. Pra chegar nela, que fica num buraco da parede, no alto, protegida por um vidro (foto abaixo), você precisa encarar uma fila, que no dia que fui estava pequena, pois estamos fora de época (experimente ir em 12 de outubro, dia da santa). Espere um pouco, e pronto, estará cara-a-cara com imagem original daquela considerada milagrosa, que encheu o rio de peixes, impediu que um cavaleiro destruísse a capela onde se encontrava (prendendo a ferradura do seu cavalo numa pedra, que existe até hoje e está lá, exposta, com a marca e tudo) e fez enxergar uma menina antes cega. O seu espírito sai de lá renovado. Parece que todo aquele local foi projetado pra te fazer sentir um bem-estar tremendo.


A parte cômica do lugar fica por parte dos paulistas, claro. Não sou do tipo que tem rixa com paulista só porque sou do Rio. Isso é muito idiota. Mas que é irritante, curioso e engraçado ouvir a garçonete falando “uma coca, por favorrrr”, isso é.

Mas voltando ao teor filosófico da coisa... no final, ao entrar no carro, para pegar a estrada de volta, você é tentado a olhar o santuário pela última vez. E ao vê-lo sumindo aos poucos, já na Dutra, com o carro em movimento, você percebe que o passeio realmente valeu a pena, mesmo que você não tenha dançado, não tenha bebido, não tenha beijado na boca, nem escutado axé, funk e pagode.

Aparecida do Norte é, com certeza, um lugar que não quero ter visitado pela ultima vez.