sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Noite do vômito

Qual seria a graça da vida se não fossem as histórias bizarras que temos pra contar, não é mesmo? Sabe aquele tipo de história que sempre acontece com um amigo de um amigo nosso? Pois é, eu devo ter várias dessas, estrelando eu mesmo, mas só me lembro de duas agora. Neste post eu contarei uma. A outra fica pra quando me der vontade de contar, se der. Pra falar a verdade, eu não tenho o propósito de transformar esse blog num livro de contos engraçados que acontecerem comigo. O que eu quero mesmo é publicar coisas do presente e talvez do futuro. Mas ao final do post você vai perceber que valeu a pena. Essa é das boas.

Sabe aquela época em que seu vovô e sua vovó fornicavam sem parar porque a ausência de tecnologia fazia com que eles não tivessem outro entretenimento? Pois é, e além disso a vovó não poderia imaginar que existiria um remedinho em comprimidos a serem tomados diariamente que impediriam que uma diversão de 10 minutos resultasse num milihumano 9 meses depois. O mesmo acontecia com o vovô, que não embrulhava o presente. Pois bem, com isso os milihumanos chegavam aos montes e isso na maioria das vezes era desastroso. Não sei se para o vovô e a vovó na época foi. Só sei que agora há um saldo muito positivo nessa história toda. Afinal, os 7 milihumanos que a vovó gerou hoje são adultos, e estes geraram os seus milihumanos também, numa escala menor, já que os papais e os titios se dispuseram da tecnologia pra dar fim ou evitar a fabricação de novos seres. Mesmo assim, como são muitos titios, foram muitos os milihumanos gerados, o que foi um saldo positivo pra mim, já que estes, agora, eu chamo de primos.

Os primos pra mim são mais que amigos. Então nada mais óbvio que em muitas coisas que aconteceram na minha vida, um ou mais deles estejam envolvidos. Como é o caso deste acontecimento. Não me lembro ao certo qual era a nossa faixa etária na época, mas isso ocorreu no início da adolescência. Um belo dia, 4 (dos milhares) primos da mesma faixa etária resolveram combinar de fazer uma festa do pijama na casa de um deles (Maurinho) e uma amiga em comum também participou. Eis os personagens:

Eu, Renan - A maior vítima. Porém sem ser 100% santo.
Morena - A prima vilã da história.
Maurinho - O primo anfitrião, também atingido.
Marília - A prima que foi pouco atingida, mas foi.
Rafaela - A amiga convidada. A única que saiu ilesa. O que comprova que somente os primos foram unidos pelas pontas da estrela de Davi (ou pentagrama, sei lá) na magia negra.

Vamos aos fatos. O acontecimento clímax é tão mais interessante que todo o resto que não consigo me lembrar o que fizemos direito antes dele. Só me lembro dos pastéis de carne, e dos refrigentes que devoramos loucamente noite a dentro. Mas o Maurinho agora me lembrou do macarrão que sua mãe fez e também do nescau, que mandamos ver. Também me lembro do tio Mauro (pai do Maurinho, obviamente) acordando de madrugada com o olho cheio de remela pedindo um pastelzinho frio. Mas agora você imagine... acho que nem o estômago de um adulto foi projetado para aturar pastel de carne, refrigerante, macarrão e nescau de uma só vez. O tempo foi passando, e teve uma hora lá que o Maurinho alertou que jogaria água em cima daquele que dormisse. A ameaça foi em vão, a festa terminou cedo: 3 da manhã o povo já estava deitado, ou seja, foi uma festa mal sucedida, já que deveria durar a noite toda. Um bando de pregos, isso sim. Eu travei um duelo infantil com o Maurinho na hora de deitar pra ver quem ficaria ao lado da beliche, provavelmente o motivo era ficar no meio, perto de todos os primos. O arrependimento posterior foi mortal.

Se você é uma pessoa que tem nojinho, pare de ler aqui.
A formação do albergue improvisado era a seguinte:

A figura já dá uma prévia do que vai acontecer. E dá pra ler o que está escrito, esforce-se. Às 5 da matina, Morena começa a sentir-se mal, rolando na cama e suando frio, devido à ingestão selvagem de troços aleatórios durante a festa. E a vilania da menina começa agora. Depois me foi contado que a infeliz pensou mais ou menos assim: "Vou vomitar. Se eu virar pra esquerda, o vômito vai sujar e manchar a parede, além do que vai ficar perto de mim. Se eu virar pra direita, vou vomitar no Renan. Mas sabe, talvez nem pegue nele". E assim fez aquela vaca ruminante (redundância proposital): "bléééééé" beliche abaixo. Voltando uns segundos antes, estava eu, dormindo, feliz, provavelmente sonhando coisas feias que adolescentes sonham, quando de repente um barulhinho de "água" caindo no chão e em "algo" que estava no chão desperta o sono, ainda leve, dos pupilos. Rafaela diz: "Po, bem que Maurinho disse que ia jogar água caso a gente dormisse". E a "água" caindo, sem cessar. Até que Marília exclama: "hmmm, to sentindo cheiro de vômito". E a porra da Morena de boca aberta, mandando brasa. Até que eu, sonolento e convencido de que não era puramente água, exclamei: "Maurinhoooo, vomitaram na minha cabeça". Pronto. É dado início ao caos. Maurinho se levanta rapidamente, acende a luz e todos constatam o fato. A minha cabeça e cabelos estavam ensopados de vômito amarelado e com bolos alimentares espalhados pelo meu couro cabeludo, mais fedidos que porco de estimação do capeta morto a tapa. Corri instintivamente para o banheiro, e ao passar pela a pia, minha visão periférica captou meu reflexo passando no espelho. Como cumprimento do mal imposto pela magia negra pra mim naquela dia, algo fez com que eu parasse, retornasse, e visse minha imagem no espelho. PUTA QUE ME PARIU, pára por aí. Quando vocês vêem vômito no chão, não dá aquele embrulho no estômago, um mal estar dos infernos e vontade de vomitar também? Pois bem, imagine se o vômito estiver na sua cabeça, e você o estiver vendo pelo espelho entranhando em seus cabelos, e nesse exato momento (Murphy fatality) um bolinho alimentar contendo um pouco de carne moída mal digerida escorre pela sua testa até sua sombrancelha. Não se pode esperar outra coisa. Comecei a passar mal na hora, deu vertigem, meus olhos reviravam, a única coisa que deu tempo de fazer foi chegar até o box e jorrar litros de vômito, cagando a porra toda e azedando ainda mais o ambiente. Que inferno!

Agora vem o meu lado vilão (e porquinho). Depois de quase desmaiar em cima de milhões de enzimas digestivas assustadas com o ocorrido, eu passei água no meu cabelo pra tirar o excesso, sem lavá-lo, e para terminar a "limpeza", peguei a tolha mais próxima, uma branquinha e cheirosa, e sequei meus cabelos ainda um pouco ensebados do esgoto do estômago da Morena. Ao me ver com a tolha na cabeça, voltando pro quarto, Marília arregalou os olhos e gritou, dizendo que a toalha era dela. Hahahaha. De cheirosinha, a toalha ficou fedida e imprópria para uso. Todos me condenaram por isso. Coitado de mim. Aquele não era realmente o meu dia. Ao chegar no quarto, vejo o Maurinho reclamando pra cacete, pois seu travesseiro de estimação também tinha sofrido danos do vômito da vaquérrima Morena. Vai vomitar assim lá na casa do caralho, porra! Maurinho se emputeceu, e chorou a perda de seu amigo, companheiro de tantas emoções noturnas. Morena me culpou pelo ocorrido, alegando que eu fiquei apertando a barriga dela infinitas vezes durante a festa. Desgraçada, né? Ela também ficou puta da vida, pois todos a deixaram sozinha no quarto com cheiro de azedinho estomacal. "Vocês só ficam perto de mim quando eu estou cheirosinha". Tadinha, né.


Enfim, a noite terminou, claro, ao amanhecer (isso foi bem duh, mas vou deixar). Maurinho e Marília dormiram no quarto dos pais deles, eu e Rafaela na sala e Morena, fedorenta que nem eu, não tinha nada a perder, ficou no quarto mesmo.

É isso. Priminha Marília, te devo uma toalha até hoje. Priminha Morena, te adoro tá, sem ressentimentos. Saiba que seu vômito saiu da minha cabeça, mas ele estará guardado pra sempre em meu coração.


Hum, que nojo!

6 comentários:

Hugo disse...

O ponto é descobrir o que é mais estranho aqui: O fato de alguém estar passando mal resolver cochilar no andar mais alto de uma beliche ou o fato da mesma pessoa virar-se e despejar seu bolo alimentar no infeliz do térreo.

Mauro de Bias disse...

Como esquecer aquela noite? Perdi meu travesseiro, mas ganhei uma história que vou contar pros meus netos.

vanessa disse...

eu simplesmente me acabeiiiiiiiii de rir!

muito bom amigo!
^^

beijos e saudade!

fabio disse...

Fala ai Renan.. aff sem comentarios essa historia...kkkkkkkkkkkkkkkk mais foi engraçada..ate me deu um embrulho no estomago.... rsrsr mais o interessante é q vc leva jeito para narrador..kkkkkkkkkkkkk abração..fui

Paula disse...

Nossa! Adorei! kkkkkkk
Eu sei bem como é esse negócio de primos, tb tenho milhões... Na certa vc deve ter mto mais histórias engraçadas pra contar!
Vou vir sempre dar uma olhadinha!

Bjãoo

Kelly Rocha disse...

caramba minha barriga ta doendo de tanto rir, muito engraçado mesmo... nossa sem comentarioa!!!