sexta-feira, 4 de abril de 2008

Do que eu brincava

Sei que estou novo demais ainda pra ter saudade das brincadeiras da época de criança. Mas eu tenho hein... e muita.

Dedico este post a algumas (uma parte beeeem pequena) entre aquelas que brinquei.


Piques

Pique-alto, pique-esconde, pique-bandeirinha... era pique de todo o tipo. Eu não era muito bom nessas brincadeiras que envolviam coordenação motora (correr, pular...), mas me amarrava mesmo perdendo e pagando o pato sempre.

No pique-alto, acontecia uma safada sacanagem. Simplesmente a pessoa que estava "pegando" em determinado momento, ficava com cara de tacho, com os braços cruzados o tempo todo. Isso acontecia porque ninguém descia de um lugar alto qualquer. Todo mundo ficava com medo de descer para correr para buscar outro lugar alto para poder dinamizar a brincadeira e fazer o otário pegador correr atrás.

O pique-esconde era mais legal pra mim. Isso porque eu sempre fui muito criativo, e me escondia em lugares extremamente bizarros onde ninguém pensaria em achar. Árvore? Atrás do muro? Que nada... meu negócio era lata de lixo, casa do vizinho, telhados. Mas eu perdia a linha demais, e o povo não aceitava meus esconderijos bisonhos. Então eu amenizava. E o que acontecia? Era pego. Sempre.

De pique-badeirinha brinquei pouco. Mas o pouco que brinquei me trouxe muitas marcas físicas. Eu sempre fui firme nos meus objetivos. E se meu objetivo era pegar a porra da bandeira da equipe inimiga, era isso que eu ia buscar com toda agarra, nem que eu fosse pisoteado, socado e saísse do jogo mais encardido e fedido que gambá morto por afogamento no esgoto que é o canal da Ilha do Fundão.

Queimada

Dessa eu brinco até hoje, principalmente com meus primos. Mas claro que antigamente eu brincava mais. E apesar de precisar correr, pular e suar... até que eu não era tão ruim na Queimada. Era sempre um dos últimos a sair do jogo, que aliás, eu não levava muito na esportiva. Ficava puto quando era queimado e tinha que ir pro cemitério. E agia na vingança. O fdp que me mandava pra lá, levaria troco, e já poderia ir se preparando pra morrer.


Pêra - Uva - Maça - Salada Mista

Confesso que tive que pensar na musiquinha da Xuxa pra lembrar o que significava cada fruta: "Pêra dá as mãos, uva dá um abraço, maça beijo no rosto, e salada mista... um beijinho selinho na boca".

Selinho merda nenhuma. A brincadeira era com um elevado teor erótico envolvido. E esse teor aumentava quando estava em jogo aquela gatinha gostosinha da outra rua. E pronto. Estava traçada a meta. Mandar um "salada mista" e beijar a gata com um beijo quente de verdade. Mas não era tão simples. O jogo envolvia a sorte. E uma vez foi inesquecível. Meus olhos foram vendados, e perguntaram:

"É essa?" "Nãooo" "É essa?" "Nãooo" "É essa?" "Ah, vamos lá... ééééé".
"Pêra, uva,maça ou salada mista?"
"Hmm. Não teria tanta sorte assim de ser a gata logo de cara, entao... PÊRA"

Minha venda foi tirada, e um arrependimento amargo, cruel e mortal caiu sobre mim. Meus olhos lacrimejavam de ódio. Era a gostosa! PQP! Perdi uma chance. E os mulekes do jogo riram da minha cara com toda a força. E eu fiquei triste, mas ainda assim, disposto. Passou-se uma rodada, e havia chegado novamente a minha vez. Perguntaram:

"É essa?" "Nãooo" "É essa?" "Nãooo" "É essa?" "Ah, força Renan, simbora... ééééé".
"Pêra, uva, maça ou salada mista?"
"SALADA MISTA, porra!"

Todos: "Huhauahuahuahauhauahauhauah"
Tiraram a venda de mim.
Todos: "Huahuahauhauhauhauhauahuahuah"

Era a mais feia. Tipo, muito feita... extremamente feia. Sabe aquela garota gorda, do morro, encatarrada e com um nome do tipo "Josicreide Maria da Silva"? Era essa! Puta merda! Não encarei, ta louco? Ecat! Esse povo não sabe brincar, eu hein...

Tazo (bafo-bafo)

Ah, Elma Chips... quantas alegrias você já me deu. E acredito que igualmente eu tenha dado a você, ao comprar pacotes e mais pacotes de Fandangos, Cheetos (cheiro de xereca, já ouvi dizerem) e Ruffles. O Tazo da Looney Tunes era um sucesso na época. Era tazo comum, tazo brilhoso, tazo duplo (mexia-o um pouco e mudava a imagem dele), tazo voador, tazo biônico, tazo atômico.. enfim, era tazo pra cacete, e eu colecionei muitos deles.

Eu também colecionava figurinhas adesivas de chiclete, principalmente as do pokémon. Eu e meus colegas da rua, certa vez, decidimos fazer um torneio. Cada um era o mestre de um ginásio montado em sua casa mesmo. Eu fiquei responsável pelo ginásio água/gelo, e modéstia à parte, eu era o “treinador” mais difícil de ser batido. Isso porque o meu ginásio era o bloco de concreto que ficava debaixo do chuveirão do quintal. Esse bloco, claro, ficava sempre úmido e só eu detinha a técnica de jogar bafo-bafo naquelas condições grudentas. E além do mais, se perdessem pra mim uma vez, eu não aceitava uma revanche logo depois. O cara tinha que esperar o dia seguinte. Mas po, isso é coerente. Não lembro do Ash ter ganhado uma segunda chance logo após ter perdido para o líder de determinado ginásio. Tá, ok, mas eu era mesmo um fdp, porque além do lugar ser pegajoso por causa da umidade, antes de cada batalha eu criava várias poças d’água em torno da arena. E se a figurinha do inimigo fosse parar lá, ele a perdia... ficando esta sob o meu poder para ser usada contra ele posteriormente.

Mas enfim, eu me lembro que apenas um dos meus colegas recebeu de mim a Insígnia de Cristal, confeitada com pedrinhas vermelhas e brancas de fundo de aquário. Ele ficou todo bobo por ter conseguido aquela raridade, já que nenhum outro a obteve.

Vítima, assassino e detetive

Brincadeira típica de sala de aula entre alunos sem mais o que fazer. É simples: você conta a quantidade de participantes. Supondo que existam ‘n’ participantes, o organizador da brincadeira irá recortar ‘n’ quadradinhos de papel, e escreverá a letra ‘V’ (vítima) em ‘n-2’ destes. Os 2 restantes recebem as letras ‘D’ (detetive) e ‘A’ (assassino). Os papeizinhos são misturados, e cada um deve pegar apenas um, abrir o seu e guardar o segredo sobre que personagem estará ocupando. E pronto. É dado início à brincadeira. Imaginem a mais famosa música da trilha sonora de Missão Impossível. As pessoas (dispostas em círculos) começam a se entreolhar desconfiadas. O assassino tem por objetivo piscar o olho para uma (suposta) vítima, e esta, ao levar o “tiro”, deve simular sua morte e dizer: “Morri” (Ok, bem idiota). Mas se o assassino for pego pelo detetive, este tem que dizer “Preso em nome da lei”, e a rodada então termina.

Portanto, é lógico que o papel mais legal é o do assassino. Mas eu não era muito bom nessa ocupação. Pra ser assassina, a pessoa tem que ser discreta (piscar sem que ninguém perceba, além da vítima), e eu não sou nadinha discreto. Minha parada era ser detetive, porque eu era muito observador e sacava logo quem era o vilão da história.

Teve uma vez que a galera da turma brincou disso, e uma das meninas participantes tinha tique nervoso de ficar piscando toda hora. Po, a garota matou todo mundo em menos de 1 minuto sendo somente a vítima. Poderosa ela.

***

Bom, minha gente, é isso aí. To com preguiça de escrever mais. Mas como já disse, isso é só uma pequeníssima parte do que foi a minha ativa infância. Minha brincadeira agora é de ficar fazendo continhas gigantescas, ou pelo menos tentar me divertir com elas.

2 comentários:

Anônimo disse...

bom comeco

Anônimo disse...

troikaa blazing minitrack reclaim tumor reverse impenetrable velocity revise linked staged
semelokertes marchimundui