domingo, 25 de maio de 2008

Dessentimentalizando

Eita! Vários dias sem postar!

Andei meio desanimado em escrever algo, e também estive sem idéias e confesso que ainda estou. Quer dizer... tenho algo em mente para postar há várias semanas, mas preciso de uma certa ajuda de uma certa garota, que inclusive já aceitou (animadíssima, diga-se de passagem) o convite para fazer as fotos necessárias (vai ficar na curiosidade). Só que nossos horários não são nada compatíveis. Mas enfim, um dia esse texto que estou mencionando vai sair.

Por falar em garota, acho que estou ficando com o coração de pedra. Isso mesmo.

Vou explicar. Até quase os 19 anos eu era um ser apaixonado e me derretia facilmente com um sorriso e um cafuné de qualquer bonitinha que fosse, e logo ficava cheio de sentimentos por ela. Eu era um verdadeiro 'bobão' imaturo que não sabia lidar com meus desejos e acabava sempre confundindo as coisas, estragando tudo, pagando de otário, e saindo na pior. É tão engraçado lembrar, que eu acho que vale a pena.

Me lembro da 'X', na sexta série, para a qual me declarei num Jogo da Verdade que minha turma participava no recreio.

"Eu não gosto da 'X', eu AMO a 'X'". Foi o que eu disse em alto e bom som para todos do jogo e principalmente para ela. Poderia ter dado certo se eu não fosse tão tímido a ponto de nunca mais ter tocado no assunto com a bendita menina.

Dois anos depois, na oitava série, a história se repetiu de maneira incrivelmente idêntica. Com a diferença de que dessa vez a coisa foi mais intensa. A 'Y' eu considero minha verdadeira paixão. Essa da sexta série era mais fogo nos testículos recém expelidores de testosterona mesmo. Pela 'Y' eu lembro que foi amor à primeira vista. O olho bateu, o corpo parou, a perna tremeu, o coração palpitou, e o Renan rimou. Essa paixão toda anexou até uma música como tema, que estava nas paradas na época: "Amor I Love You", cantada por Marisa Monte.

"Deixa eu dizer que te amo. Deixa eu gostar de você. Isso me acalma. Me acolhe a alma. Isso me ajuda a viver",

Hahaha... muito gostoso lembrar. Essa música me remete à 'Y' imediatamente. Incrível!

Mas voltando, apesar dessa intensidade toda, a história se repetiu. Praticamente era a mesma turma reunida jogando o bom e velho Jogo da Verdade, quando me perguntam mais ou menos a mesma coisa. "Eu sou apaixonado pela 'Y'". Foi mais ou menos o que respondi, mais uma vez em algo e bom som, assanhando toda a turma, que deve ter considerado aquele o momento mais quente do jogo. E o que aconteceu depois? Nada oras. Não toquei mais no assunto, não a chamei pra conversar. Nada. Não fiz absolutamente nada. E continuei desejando-a, só que dessa vez não mais em segredo. Era melhor nem ter me declarado já que eu não ia tentar investir depois né.

Viu só como eu mudei em dois anos? Só rindo mesmo da minha cara né... mas relevem, eu era uma criança. E além do mais, foi a partir da 'Y' que eu defini o estilo de mulher que eu gosto. Hoje em dia a 'X' não faz mais o meu tipo. Nem a acho bonita. Mas a 'Y' continua linda aos meus olhos.

Enfim, continuando a escadinha do "quanto mais adolescente se fica, mais intensos são os amores", eis que conheço a 'Z'. Não foi bem amor à primeira vista, mas foi um segundo olhar. A 'Z' foi a mulher da minha adolescência. Mas só não foi um fracasso total porque rolaram uns três beijos de alguns minutos cada num certo escurinho. Essa aí me deu trabalho. Carregou meu pobre coração por uns quatro anos (juro!). Ou seja, os três beijinhos não pagaram o preço que foi estar apaixonado por ela.

Mas acho que a culpa foi minha. Eu nunca cheguei diretamente pra ela e disse realmente o que eu sentia. Só mandava indiretas e mais indiretas. E nunca aproveitava as boas oportunidades. Enfim, como último suspiro do meu desejo por ela, escrevi uma carta de amor (por e-mail). Isso pra mim foi uma atitude épica. Eu esperava que depois de lê-la ela viria ao meu encontro, e falasse que sempre sentiu o mesmo por mim. Tolice. Essas coisas não se dizem por carta, são ditas através de palavras e atitudes. Coisas que me foram ausentes nesses quatro anos.

Apesar deu estar parecendo melancólico escrevendo tudo isso, que nada. Como já disse, acho muito engraçado. E foi bom ter passado por todas as essas situações (e outras ainda). Considero hoje a carta que mandei pra 'Z' uma idiotice tremenda. Sério, hahaha, foi muita burrice e muito nada a ver. E aí eu chego onde quero. Mudei.

Não só mudei, mas as coisas também mudaram pra mim.
O que antes era um Renan platonica e enrustidamente apaixonado por garotas que o desprezavam, hoje é um Renan bem mais racional que trata com um certo ar de superioridade as que eventualmente se interessam.

Nos últimos dois anos tenho ouvido coisas que toda pessoa gosta de ouvir: "Estar com você é muito bom". "Sou apaixonada por você". "Quando você vai embora, leva junto toda a graça do local". "Não vá, fique mais". É curioso. Se há uns três anos atrás eu daria um rim pra ouvir tudo isso de alguma bela moça, hoje eu lido com isso de maneira bem cuca fresca, até com um pouco de frieza e indiferença.

Vou explicar. O fato é que atingi um nível de racionalidade nunca alcançado antes. Vivo agora um período em que sou bem exigente e não me derreto mais tanto com um carinho ou um olhar de segundas intenções direcionados para mim.

Pra vocês terem uma noção, uma frase do tipo "Adoro seu cheiro", acompanhada de um xero baiano no cangote, não surte mais tanto efeito em mim se a garota em questão não me desperta grandes empolgações. Antes era só alguma moça piscar pra mim, pra eu ficar todo afim. Hoje em dia, se alguma pisca, eu fico envaidecido, claro, mas não dou mais uma de Zé Mané, conseguindo sempre estragar tudo e sair por baixo nessas situações. Aprendi a encarar de igual pra igual e, às vezes, ser superior.

Sei que estou longe de ser super atraente, bonitão e gostosão. Mas o fato é que justamente o momento em que começo a despertar mais a cobiça feminina, bate com o momento em que estou mais exigente e racional, perdendo toda aquela sentimentalidade ingênua.

Idealizo um tipo de mulher. Ela não é perfeita no contexto geral. Mas eu a vejo perfeita para mim. Perfeita até nos defeitos que eu gostaria que ela tivesse. Dizem que isso é um erro. Que a gente deve se entregar a quem nos ama e parar de escolher muito. Mas acho que aos 21 anos, eu ainda posso me dar ao luxo de buscar aquilo que senti por 'Y' e por 'Z' em alguma que esteja em harmonia com as minhas exigências. Não quero conveniência, quero me apaixonar novamente. O problema é que eu estabeleci uma faixa muito estreita na "reta dos tipos de mulheres" para que isso aconteça. Me preocupo um pouco com isso, mas não quero me desfazer dessa seletividade. Amo o momento que estou vivendo, e os conceitos que construí.

Àquela que não de adequa ao 'Padrão Renan', ofereço apenas a minha amizade. No momento não consigo me apaixonar se ela estiver fora disso, mesmo que me dê moral, faça tudo por mim, me trate como rei. Não dá. E não quero parecer convencido. Não me considero lá grande coisa, mas acho que tenho esse direito de escolha.
Àquela que se adequa, que eu tenha o prazer de conhecer um dia, pois mergulharei novamente na paixão, e lhe darei todo o meu amor, mas sem cartinhas bobas e sem essa de manteiga derretida. Algo mais maduro.

E quer saber, já conheço algumas que se adequam perfeitamente. Falta APENAS meu charme funcionar (uau, haha) e rolar interesse por parte de uma delas.

Ao escrever a frase acima, percebo que tudo se resume num velho problema que atormenta (ou já atormentou) a todos: Gostar de quem não gosta da gente. Mas não quero abrir mão e me entregar ao que se torna mais conveniente primeiro. Um dia eu acerto na loteria.

2 comentários:

Anônimo disse...

Sim, provavelmente por isso e

isadora disse...

seu jeito engraçado e irônico de usar as palavras me deixa fascinada. conseguem ser mais que isso, pois são ainda tocantes e reveladoras. sempre preferi blogs maasculinos, por nao rodearem o assunto, mas por mais extensos que sejam seus textos, o tempo passa rapido e lamento por terminar de le-los.
estou tendo uma experiência incrível, (com um homem, olha só!)e inacreditável