quarta-feira, 16 de julho de 2008

"... brilham estrelas de São João"

As épocas do ano que mais gosto são: Natal e o mês de Julho.
Apesar da festa mais importante do Cristianismo ser a Páscoa, eu não consigo colocar o Natal em segundo plano. Entro totalmente no clima de época de renovação espiritual, que somado às férias, torna-se um período em que você me vê sorrindo mais que de costume. Mas vamos deixar o Natal para o momento certo, ok?
Quero falar sobre a outra época do ano que mais gosto. São vários os fatores que me fazem gostar de Julho. Fazendo um flashback mental, lembro-me que era o mês em que minha rua ficava mais cheia de criança do que de costume. A explicação mais óbvia para isso eram as férias de meio de ano. E eu, portanto, ficava até muito tarde pelas calçadas da vida, brincando. Uma criança que brinca bastante é uma criança feliz. E apesar de hoje em dia eu não ocupar mais esse mês com brincadeiras, guardei essa lembrança na cabeça e no peito.
O friozinho da época também sempre me agradou. Aquela tarde de sol bastante iluminada e sem nenhuma nuvem, porém ser estar calor. Um clima agradável, convite para você sentar debaixo de uma árvore e escutar uma música, ler um livro ou bater um papo com alguém por horas a fio. Sem contar na noite, que fica suportavelmente fria, uma delícia.
O meio do ano também sempre foi a época em que eu mais me dava bem com as meninas. E não me perguntem o porquê. Eu poderia até passar o ano inteiro sem chegar perto de uma, mas em Julho, o contato era certo. E isso vem se confirmando até hoje. Vai saber a razão dessa influência né...
Agora, o que mais me agrada no meio do ano são as Festas Jun(L)inas, também conhecidas como festas de São Pedro, São João e Santo Antônio. Vou tratá-las somente pelo termo julina, porque condiz com minha simpatia por julho e também acho que é o mês em que elas mais acontecem. Mas hein, eu sempre fui apaixonado por um Arraiá. Minha família não veio de nordeste, não fui criado no meio de forrozeiros e, apesar de não morar muito bem, sempre tive um estilo de vida urbano. Mesmo assim, desde criancinha que sou louco por essas festas. E não me permito deixar de participar de pelo menos uma por ano. Neste ano, a promessa já foi cumprida com o Arraiá da UFRJ na Praia Vermelha. E pelo o que já fiquei sabendo, tem mais pela frente.
Mas por que eu gosto tanto dessas festas?
Vou explicar os motivos.
Decoração
Por apresentar um tema (caipira), podemos abusar na ornamentação de uma festa julina. As bandeirinhas coloridas dão aquele ar feliz para o local. Fotografe o lugar da festa antes de depois de colocar as bandeirinhas. Você vai notar uma incrível diferença no seu humor após isso, e vai entrar no clima da festa num instante. Por sua vez, as pindobas (galhos de coqueiro) são responsáveis por "caipirar" o ambiente, fazendo do lugar uma verdadeira roça.
Fogueira
Faz parte da decoração, mas merece mais destaque. Uma festa julina sem fogueira não rola. E como as noites nessa época do ano são geralmente frias, ela vem a calhar. Fora que você pode assar batata doce ou simplesmente ficar com seus amigos em volta dela, no fim da festa, iniciando um luau depois de já ter enchido a cara com cachaça nordestina. Ah, claro, fogueira também serve para a gente poder pular. É uma tradição bem tonta, mas a coisa fica bastaste engraçada quando um Zé Mané qualquer cai dentro dela e queima o rabo.
Jogos
Quem nunca pediu para o seu responsável pagar uma pescaria numa festa julina que atire a primeira pedra. E o valor da diversão sai caro, pois os brindes são, geralmente, bem vagabundos. Mas isso é o que menos importa, pois você está ali mesmo é para pescar a porcaria do peixe mais valioso, ganhar um ioiô sem graça, conseguindo, assim, extorquir mamãe e papai sem que eles reclamem. E isso sem falar em outras brincadeiras como: atirar na boca do palhaço, tiro ao alvo, corrida de saco e muitos micos. E ainda tem a barraca do beijo. Só que eu nunca fui numa festa julina que tivesse uma. Aí já deve ser uma coisa bem antiga mesmo e que acabou perdendo a tradição. Não deveria. Eu pagaria, talvez...
Comidas e bebidas
Cachorro quente, pipoca, cuscuz, tapioca, pastel, salgados de forno, milho, bolo, torta, churrasquinho, queijo, salsichão, pizza, maça do amor, algodão doce, refrigerante, cerveja, caipirinha, cachaça, vodka, tequila... Preciso dizer mais alguma coisa?
Fantasias
Já dizia um professor meu de história que festa julina serve para a gente sacanear o sertanejo, mesmo que seja sem querer. E faz sentido. Os homens colocam sua calça jeans mais surrada. Geralmente aquela que você usa pra pintar o muro da sua casa numa tarde de sábado. E ainda simulam um remendo, seja com um outro tecido completamente nada a ver, ou com as próprias bandeirinhas da festa, deixando bem evidente que aquela roupa está, na verdade, estraçalhada. A intenção das mulheres é ficarem mais feias com aqueles vestidos esquisitos e com a maria chiquinha. Na verdade, tem umas que ficam realmente lindas de caipira. Mas para completar a sacanagem, todos pintam pelo menos um dente de preto, que é para explicitar o fato de que não há clínicas odontológicas no vilarejo de Santa Maria do Calango Sagrado, no interior da Paraíba.
Forró
Ahhh, quem é que não gosta de um rala coxa hein? Entenda bem, eu não to dizendo o ritmo em si, mas sim o fato de dançá-lo. São duas coisas completamente diferentes. Muita gente detesta forró (não é o meu caso), mas convenhamos que dançar um xote é muito gostoso. E você não precisa dançar bem. Basta colar na bonitinha, fazer o dois-pra-lá-dois-pra-cá e aproveitar para um chamego bem sexy. Um pouco de etanol pode ajudá-lo na dança. Aliás, às vezes ajuda no desenvolvimento posterior da coisa também.

Quadrilha

E eis a maior atração numa festa julina. Os casais de caipira comuns, o padre, o noivo, noiva, a amante, o pai da noiva e toda a galera em volta da pista de dança para ver a quizumba acontecer. Não precisa ter ginga para participar de uma quadrilha, contanto que você saiba fazer o que o locutor mandar: olha a chuva, olha a cobra, a ponte quebrou, cumprimento e passeio dos namorados, caracol e, por fim, o casamento na roça, que nada mais é do que uma encenação teatral básica do que é esse momento lá entre os sertanejos. E mais uma vez, "sem querer", eles são sacaneados pelos urbanos. A noiva é sempre uma donzela virgem na frente de pai e uma vadiazinha com a caipirada. O noivo é um corno cachaceiro e coitado que foi se meter (e meter) com filha de rico. O pai da noiva é um coronel ricaço dono de trocentas cabeças de gado e de uma espingarda que fica constantemente apontada para o noivo fujão. A amante é uma pobretona qualquer que chega na hora do "que fale agora ou cale-se para sempre" carregando cinco filhos, alegando serem todos eles do noivo garanhão. E o padre é aquele religioso de bosta, que se deixa levar pelas chantagens do coronel para que deixe sua filha casar de véu e grinalda. Enfim, é a mesma dança todo ano, o mesmo teatro, mas todo mundo se amarra.

Festas Julinas forever!

E não, não acho o Carnaval melhor.

2 comentários:

blu disse...

também gosto das festas juninas, julinas, e as que mais vierem :)

viniciusferrao disse...

sou mas as festas agostinas.