terça-feira, 28 de outubro de 2008

ICQ do amor

 Nota: Este post seria maior e falaria sobre esquisitices no MSN. Mas acabei desviando o assunto, e sem ter tempo para escrever mais, postei o que segue abaixo.

tapeta-icq-velkaNão há duvida que a ascensão de programas que permitem a troca de mensagens instantâneas causou uma revolução antes impensada. Começou pelo ICQ, se lembram? Não sei como está a versão atual, pois nunca mais me interessei para baixá-lo. Mas lembro que o que eu tinha há uns 7 anos atrás era o programa que eu mais usava no meu antigo PC.

Era espantoso o fato de alguém que você nunca viu na vida do nada aparecer no seu desktop te chamando para um bate papo. Para ser sincero, isso ainda me assuta  um pouco. Mas imagine antes, no início dessa onda... a sensação era bem maior. E o ICQ já começou como um bom programa. Não deixava a desejar. Tá certo que não permitia uma foto de perfil no canto da janela de chat, e muito menos uma conversa via webcam e áudio, mas não se esqueçam que eu estou falando de 7 anos atrás. Para aquela época, a funcionalidade do programa era admirável.coração

O ICQ me permitiu não só conhecer outras pessoas da minha idade e de todo o Brasil, foi além. Eu tinha um caso de amor por ele. Ou melhor, através dele. Com 14 anos, "conheci" virtualmente a K, uma menina de 13 anos do Paraná. K se mostrou uma pessoa especial logo nos primeiros chats. Soma-se a isso o fato dela falar que era loira e aspirante a modelo. Passávamos horas a fio conversando sobre amenidades, até que rolou uma atração infanto-virtual-juvenil fulminante. Semanas depois, eu a pedi em namoro em  alguma madrugada qualquer na frente do computador, e ela aceitou, apaixonada. Não riam ainda.

K e eu jurávamos amor eterno. Eu dividia o meu amor por ela entre meus poucos amigos do ensino fundamental. Ela também fazia o mesmo. Devo ter ficado famoso por lá, pois segundo as amigas dela que também falavam comigo às vezes, K era uma menina muito bonita e popular entre os rapazes e que eu era um cara de sorte. Mas tudo o que é bom (e virtual) dura pouco. Depois de um mês de "namoro", K me disse que estava confusa, pois começava a gostar de um outro menino de lá. Eu, claro, com muita maturidade, relutei até o fim. Em vão. Naquela noite fui dormir na fossa, escutando algum pagodinho melancólico do Só Pra Contrariar, com os olhos cheios d'água. Ridículo? Eu mencionei que a gente não se conhecia nem por foto?

Bom, vocês podem até pensar que eu poderia ter sido enganado, e que na verdade quem estava do outro lado do computador conversando comigo era um pedófilo apelidado de João do Gás, de 53 anos, bigodudo, barrigudo, e que ganhava dinheiro vendendo botijas pelo bairro com o seu velho caminhão. Mas não. K era realmente quem dizia ser. Comprovei há cerca de 1 ano atrás (isso foi depois de 5 anos) através do orkut e MSN. É loira, bonita e inteligente. LOIRA E INTELIGENTE! Fiquei impressionado. Talvez eu é que tenha sido uma decepção para ela... "Ah, era isto? Puta que me pariu!". Hoje em dia K é uma amiga do orkut. De vez em quando a gente troca umas poucas mensagens, sem intimidades.

É sempre divertido lembrar dessas e de outras coisas que vieram junto com o meu primeiro computador. Sabe... a virtualidade é uma ferramenta que possibilita unir facil e rapidamente as pessoas, mas não é forte suficiente, e quando ausente, as separa e pode torná-las indiferentes com a mesma simplicidade.

3 comentários:

Day disse...

Adorei seu texto, Nanzito: Interessante, inteligente e divertido! É TDB!!!:P

Bjins!!!!

Daniele disse...

haahhahahaa
João do Gás, adoreeei!!
ICQ, kra, ainda uso, acredita?? Tá ótimo ele, mas perdeu aqui no brasil pela popularidade do msn. Bons tempos aqueles do I Seek You

* Cika disse...

E aqui está eu... a "K"!!! Eh verdade, foi amor a... a... a primeira janela de bate-papo do ICQ. Eu lembro q antes de tudo, eu achei q vc fosse um conhecido e acabamos sendo namorados virtualmente. Histórias maravilhosas... incríveis nossas imaginações e criatividades!!! Vc eh mto especial ainda!!! ;)