quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

RenanZices Retrô 2009


Fatos que marcaram este blog:

Em janeiro eu disse que o funk tem muito mais beleza literária em suas letras do que se imagina, e ajudei no combate às mulheres manipuladoras.

Fevereiro, março e abril foram os meses com menor atividade no blog. Mas ainda assim, no primeiro eu alertei que a sua mãe é o ser mais machista que existe. No segundo, mês do meu aniversário, fiz um “vídeo” mal feito de um hamster apaixonado. E no terceiro eu publiquei o meu segundo conto, que foi o que me deu gosto para escrever outros contos posteriormente, utilizando a mesma regra: nome de pessoas conhecidas que se misturam numa história que junta elementos reais e fictícios.

Em maio eu relatei uma noite de forró na Lapa com amigos, e comecei a (sem querer querendo) dar um ar mais filosófico ao meu blog com este texto. Em junho, mês também de pouquíssima atividade por aqui, não houve nada que interesse a vocês para poder relembrar.

Em julho fiz a melhor viagem da minha vida e postei alguns vídeos relacionados à ela. Também dei início ao “Jogo dos 8 erros”, que fez sucesso principalmente em sua terceira ou quarta edição, trazendo para este blog mais de 30 visitantes ao mesmo tempo, segundos após a publicação. Nada que se compare a blogs de sucesso, mas eu fiquei satisfeito.

Eu agosto, um mês de grande atividade por aqui, eu descrevi tipinhos básicos de pessoas que frequentam uma academia e as reflexões e nostalgias continuaram rolando soltas.

Setembro foi o mês do auge reflexivo neste blog. Fugiu totalmente ao próposito inicial de ser engraçado. Exagerei? Talvez. Mas não me arrependo. Temos que entender que escrevemos algo conforme o nosso estado de espírito.

Em outubro eu listei algumas coisas que fizeram sucesso entre a geração nascida em meados dos anos 80. Um texto um tanto cômico, porém seguindo a tendência nostálgica dos últimos meses.

Em novembro eu homenageei um grande amigo, cuja amizade foi fortalecida ao longo desse ano. Diego foi um dos expoentes de 2009 para mim.

Em dezembro eu contei a história mais interessante da minha infância, fiz uma cronologia biográfica minha e relatei um acontecimento tragicômico pelo qual passei no início desse ano.

E só isso, pessoal!
Para os que acompanharam o meu blog ao longo desse ano, meu muitíssimo obrigado! Eu adoro escrever, tenho prazer nisso. Mas a atividade fica intensamente mais gratificante sabendo que as pessoas me leem. Preciso do retorno de vocês. Comentem, critiquem, sugiram…

Desejo a todos um ano de 2010 sem igual!
Muita paz, saúde e sucesso!

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Amores e Amigos


Iniciei uma discussão no twitter, mas acho que tal assunto dá pano para um texto no blog. Imagine um grupo de amigos muito unidos e então um deles se apaixona por outra pessoa e começa a namorar. Como fica essa amizade?

Eu acho perfeitamente normal e aceitável que uma pessoa, após encontrar um amor, se afaste um pouco do seu grupo de amigos. Em nossos corações pode até caber todo mundo, mas o nosso dia tem apenas 24 horas. Acredito e aceito que as pessoas participem mais ou menos das nossas vidas conforme o tempo passa. É comum que, em cada época, estejamos em um grau diferente de proximidade com alguém. Portanto devemos aproveitar ao máximo a relação com essa pessoa quando o momento é de auge.

Se um dos seu amigos começou a namorar, não se chateie pelo fato de ele não sair mais com tanta frequência com você como antes. Ele está vivendo um outro momento, deixe-o curtir. É um direito dele explorar a nova situação da melhor maneira possível e, portanto, dedicar mais tempo ao namoro. Quem já se apaixonou sabe como ficamos diante de um novo relacionamento amoroso, principalmente quando ele está no início. Realmente as nossas atenções ficam mais voltadas para a paixão. É normal.

E é claro que a amizade não precisa ser rompida. Dá para conciliar a amizade com o namoro sem que haja um afastamento total, mas procure aceitar uma frequência menor de saídas e procure controlar aquele típico ciúme de amigo.

Mas cuidado: se você percebe que o seu amigo está diferente com você e/ou sendo influenciado demais, você pode e deve agir. Converse e tente fazê-lo enxergar que ele anda vacilando na amizade e prejudicando a si mesmo.

No mais, fique frio. Essas coisas acontecem. Verdadeiros amigos jamais te deixam de lado. E não é você quem vai fazer isso só porque ele adquiriu um novo foco. Releve, entenda. Se houver um rompimento é porque a amizade não era tão grande assim. Em amizades, os rompimentos só acontecem em duas situações: amizade fraca ou tentativa de se livrar de uma paixão - afinal, no caso de uma relação de amizade homem-mulher, é comum que o ciúme de amigo na verdade seja outro. Algo mais forte pode estar imperando. E aí, o melhor a se fazer é dar um tempo mesmo.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Topo


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Sinta essa energia
Caia em emoção
O céu não é o limite
Você está enganado
Seu poder pode te surpreender
Coisas inimagináveis estão ao seu alcance
Nada pode te impedir
Mesmo que esteja sozinho
Você é maior do que pensa
Suas atitudes influenciam o restante
Pode sonhar
Não é proibido não
O pote de ouro pode até estar longe
Mas sua força é suficiente para alcançá-lo
Você é dono de si
E como tal é capaz de se adequar aos seus objetivos
E assim atingi-los da melhor maneira possível
Mas não se esqueça
Apaixone-se
Viva
Ame
E o mais importante
Faça o bem
Faça por merecer
É esse o fermento das suas conquistas
Seja amigo
Aceite bons conselhos
Siga bons exemplos
No fundo você sabe quais são eles 
Não seja somente plateia da vida dos outros
Seja também o protagonista da sua
Coloque as mãos para o alto
Sinta a brisa gelada de um sol morno pela manhã
Respire melhor
Sorria
Busque a felicidade
Dê gargalhadas
Esteja calmo
Seja leve
Para então poder flutuar
E flutuando você subirá
Cada vez mais alto
E mais alto
Rumo ao topo

no_topo

por Renan Mariano

Feliz Natal!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Princípio de Pascal aplicado ao Renan

Todo mundo sabe que todos nós estamos sujeitos aos fenômenos da física. Seja esbarrando no sujeito ao lado após uma freada brusca do motorista de ônibus ou levando aquele choque gostoso após enfiar o dedo na tomada, a física vive nos pregando peças. E não são só peças práticas. Ela também nos ferra teoricamente, em provas do colégio e faculdade. Tais fatos fazem com que a maioria das pessoas tenham uma relação de ódio com a física. Alguns fogem à essa regra e se tornam estudantes de engenharia/masoquistas.

Pois bem. No início desse ano a física me pregou uma peça com uma de suas propriedades que, pelo que eu saiba, não costuma sacanear tanta gente por aí. Ela foi super criativa comigo. Eu poderia ter morrido! Sério! Estou falando do Princípio de Pascal. Sabe o que é? Esqueceu né? Ok, eu também. Mas pesquisei. Vamos lá.

Segundo a Wikipedia, Princípio de Pascal é o princípio físico elaborado pelo físico e matemático francês Blaise Pascal (1623 - 1662), que estabelece que a alteração de pressão produzida num líquido em equilíbrio transmite-se integralmente a todos os pontos do líquido e às paredes do recipiente.

Não pare de ler ainda, você vai entender. Observe a figura abaixo.

hidrostatica_12

Temos duas colunas líquidas. Vamos supor que sem o carro, todo o líquido está em equilíbrio (não sobe e nem desce). Se colocarmos um carro sobre um embolo gigante (algo super viável) na “boca” de uma das colunas líquidas, o peso do carro exercerá uma pressão não somente sobre o líquido que ali perto se encontra, mas em todo o recipiente, fazendo aumentar o nível do líquido lá do outro lado. Simples e intuitivo. Mas agora o que isso tem a ver comigo?

Então. No início desse ano (mais precisamente em 1º de fevereiro) meu apêndice resolveu inflamar. Eu estava comendo um churrasco na casa do meu tio quando comecei a sentir fortes dores de barriga. Quem me dera se fosse apenas uma diarréia. Bom, após ir em dois hospitais, fui operado no dia 3 de fevereiro. Operação de apencite costuma deixar o paciente internado por 3 dias. Foi o tempo que fiquei no hospital.

Como todo o paciente internado, eu precisava de medicamentos e soro. Então a minha veia do braço foi perfurada, e por ali eu recebia os líquidos necessários para me recuperar. As bolsas de soro ou remédios eram penduradas naquele suporte grandão (não sei o nome), e a ele eu ficava preso. Para todo o lugar que eu fosse (banheiro - não há muitos lugares para onde ir quando se é paciente de hospital) tinha que levar aquele treco comigo. E a bolsa ficava lá em cima, pendurada. Um saco.

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Taí um desenho que ilustra a minha situação: eu (muito chateado), o suporte (em azul) e a bolsa mais a borrachinha ligada à minha veia (em verde). Lá no hospital eu apelidei o conjunto suporte/bolsa/borracha de Maria Eugênia, inspirado pelo Kléber Bambam, que em sua participação no Big Brother Brasil 1, ficou agarrado o tempo todo com uma bonequinha feita de lata, cujo nome era o mesmo.

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Eu tinha que manter a Maria Eugênia sempre mais alta do que eu. Não podia ficar muito em pé. O ideal era ficar deitadinho para evitar o acontecimento do que vou relatar a seguir.

Em um dos dias em que estive no hospital, uma das minhas tias me ligou para saber como eu estava (curiosamente a Cris, minha tia de humor mais negro). Como eu já estava de pé (fui desobediente, ficava andando o tempo todo pra lá e pra cá com a Maria Eugênia), apenas peguei o telefone e permaneci assim. Eu e Maria Eugênia ficamos então praticamente da mesma altura.

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Em marrom, o telefone. Pois bem. Se eu estivesse deitado na cama, a Maria Eugênia ficaria mais alta que eu e o líquido da bolsa escorreria sem barreiras para dentro da minha veia. Mas como eu estava de pé, parte dos meus fluidos orgânicos (SANGUE!) que estavam numa altura maior que a da borracha fizeram pressão sobre ela. E então…

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Isso mesmo, minha gente. Aconteceu o que se chama de refluxo. E o desenho não é um exagero. O meu sangue chegou realmente até a bolsa. E eu, falando ao telefone animadamente, não estava percebendo a merda que estava acontecendo. Quando finalmente desliguei o telefone, olhei para a Maria Eugênia e fiquei em estado de choque. Demorei alguns segundos até tomar a atitude de apertar a campainha para alertar as enfermeiras. E não me contentei somente em apertá-la, eu gritei pelas enfermeiras. Patético, haha. Mas eu tive que fazer isso. Era o meu sangue, em grande quantidade, saindo do meu corpo. Não era exame, doação, nem nada. Era um acidente, e aquilo era angustiante.

A enfermeira não demorou a chegar. Quando ela entrou, não precisei explicar nada. Ela simplesmente olhou para a Maria Eugênia e fez uma cara de criança quando abre a porta do quarto dos pais e os pega transando: um misto de nojo, riso e paralisia, com a boca aberta. Quando finalmente ela conseguiu gesticular a mandíbula para falar, ela disse: “nunca vi um refluxo desses”. Uau, animador. Para piorar o meu desespero, chega uma outra enfermeira atrás, que faz extatamente a mesma cara, só que com mais deboche. As duas se olhavam, não conseguiam formular uma frase e não sabiam o que fazer. AS ENFERMEIRAS NÃO SABIAM O QUE FAZER. “Vou morrer”, pensei.

Mas ainda bem que essa paralisia foi no instante de susto somente. Logo a primeira enfermeira que havia entrado tratou de cortar a borrachinha e dar fim à bolsa. E eu ainda tive que ouvir: “e tanta gente precisando de sangue”. Vejam só. Eu ali, num acidente, meu sangue saindo, morrendo de medo, e a mulher comentando que o tal sangue desperdiçado poderia estar sendo usado para doação. Eu hein, como se a culpa fosse minha.

Enfim, é essa a história. Não aconteceu nada comigo, ainda bem. Só perdi aquele tantão de sangue mesmo, sem maiores consequências. Esse foi o único fato divertido (hoje é divertido lembrar) para contar sobre os dias em que fiquei internado. De modo geral, eu não gosto de lembrar daqueles dias, que apesar de terem sido apenas 3, foram terríveis. Mesmo tendo plano de saúde e ter ficado em quarto particular e etc, eu fiquei muito deprimido e inquieto, afinal hospital é hospital né. E física é física. Natural, porém complexa e impiedosa.

Não foi dessa vez, Pascal.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Amigos


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Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples fato de terem cruzado o nosso caminho. Algumas percorrem ao nosso lado vendo muitas luas passarem. Mas outras vemos apenas entre um passo e outro. E a todas elas chamamos de amigo.

Talvez cada folha de uma árvore caracterize um deles participando da história de nossas vidas. Existem amigos que costumam colocar muito sorrisos em nossa face durante o tempo em que estão por perto. Há aqueles que estão no começo dos galhos, mas quando o vento sopra, sempre aparecem entre uma folha e outra.

O tempo passa, o outono se aproxima, e perdemos algumas folhas. Algumas nascem em um outro verão, mas são poucas que permanecem por muitas estações. Mas o que me deixa mais feliz é que algumas continuam alimentando a nossa raiz de lembranças de momentos maravilhosos. Pois cada pessoa na nossa vida é unica. Sempre deixam um pouco de si e levam um pouco de nós. Mas não há nunca as que não deixaram nada. Essas também chamamos de amigo.

Texto retirado do álbum de fotos de Fernanda Vieira no orkut.
Mais sobre o assunto aqui.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Cronologia biográfica


1987 – Nasci na cidade de São João de Meriti, na maternidade Teresinha de Jesus. Segundo minha mãe, um parto normal bem tranquilo. “Você escorregou, não fiz força alguma, quase caiu no chão”, diz ela. Desconfio que de fato eu tenha caído e batido com a cabeça, mas ela não confessa.

1988, 1989, 1990 – Não lembro de nada.

1991 – A lembrança mais antiga que tenho da minha vida (primeira memória) aconteceu num evento ocorrido neste ano. Foi o aniversário de 90 anos de uma das minhas bisavós, em Volta Redonda. Lembro da piscina do casarão e do meu medo de cair dentro dela. Lembro que uma menina sentou perto de mim e eu fiquei morrendo de vergonha. Tenho fotos desse dia no orkut. Esse também foi o ano em que entrei no Jardim. Chorei nos três primeiros dias, com direito a pirraças no meio do pátio.

1992, 1993 – Meus choros se tranformaram em sorrisos. Eu passei a adorar a escola. Ainda lembro da minha primeira escola. A execução do Hino Nacional antes das aulas, as massinhas de modelar, os desenhos, o cheiro da merendeira, uma mistura de lanche gostoso (geralmente biscoito e suco) com plástico. Tudo tão simples e puro. Inesquecível! Em 1993 me mudei para a casa em que moro atualmente.

1994, 1995, 1996, 1997 – Não lembro de nenhum fato expressivo. Em 1997 eu tinha 10 anos, estudava, brincava e, creio eu, era uma criança normal.

1998, 1999, 2000, 2001 – Época do ginásio (5ª à 8ª série), como chamavam antigamente. Foram anos marcantes, devido à transição da infância para a adolescência. Entrei na natação e fui promissor no esporte. Foram nesses anos que fiz os meus primeiros amigos, alguns deles com quem até hoje mantenho contato, outros dos quais me lembro com carinho. Em 2000 me apaixonei perdidamente por uma menina do colégio. Coincidendemente, em 2001, nos tornamos o casal de representantes de turma daquele ano, por eleição direta e democrática. Minha visão romanceada das coisas me dizia que aquilo era um sinal. Não deu em nada.

Percebam que eu lembro dos fatos da minha vida sempre tomando como referência a que série do colégio eu estava. É uma ótima referência, creio que não só para mim.

2002 – 15 anos, 1º ano do Ensino Médio. Um homenzinho. Mas eu ainda não tinha noção do que eu queria para o futuro. Ok, normal nessa idade. Mas eu sequer mostrava aptidão para algo específico. Já começava a enjoar da natação. Parei de ganhar medalhas em competições interescolares. Era um bom aluno, me interessava por tudo. Mas isso também era um problema. Até que um dia os meus amigos da turma levaram o desenho de um circuitinho de rádio. Eles queriam fazer Técnico em Eletrônica. Eu torcia o nariz, mas…

2003 – … influenciado por esses amigos, acabei ingressando no tal técnico. Era um curso oferecido pelo próprio colégio onde estudei, uma espécie de pacote… combo. Comecei a gostar.

2004 – Um ano marcante. Por ser bom aluno, fui convidado pela coordenadora do curso técnico a fazer um estágio como técnico do laboratório no colégio. Eu tinha 17 anos e possuia uma rotina pesada. De manhã cursava o 3º ano do Ensino Médio, de tarde fazia o técnico, e à noite ficava no estágio até às 22h. Voltava de ônibus, com outros estagiários e amigos que estudavam de noite. Chegava em casa às 23h. Me sentia um tanto independente. Foi o ano em que senti um pequeno gosto do que era ser profissional. Participei de muitos cursos de formação extracurricular e de festinhas de funcionários do colégio. Conheci muita gente interessante e aumentei a minha rede social. Menininhas para cá, menininhas para lá, mas nada de especial. Convivi mais com adultos e pude me aproximar do mundo deles. Amadureci. Também tive conflitos com outras pessoas na época. No fim desse ano eu ouvi dizer que as universidades públicas eram as melhores. Sem estudar, tentei o vestibular. Sem sucesso.

2005 – Eu poderia ter continuado e trabalhar como técnico. Mas desde o fim do ano anterior meti na cabeça que queria fazer faculdade em universidade pública, e que tinha que ser na UFRJ. Engenharia Eletrônica. Terminei o técnico, mas pendurei as chuteiras. De estagiário bem visto e bem relacionado no início de uma carreira profissional, voltei a ser um mero estudante, tentando concurso público. No início senti como se estivesse retrocedendo. Mas o meu objetivo era o vestibular. Passei na UFRJ, além de outras três.

2006, 2007 – O ciclo básico de uma faculdade de engenharia ninguém esquece. Posso dizer que a minha autoestima de bom aluno, elogiado e querido pelos professores, foi quebrada em pouquíssimo tempo. Não reprovei, mas meu desempenho era mediano. Havia uma certa competição interna entre os alunos, às vezes até explícita, que tornava o ambiente um tanto pesado. Isso me incomodava. Percebi que não eu era tão bom como imaginava. E é difícil lidar com isso depois de anos, quando as pessoas te faziam acreditar o contrário. No amor, tive conflitos. Ou melhor, tive conflitos justamente pela falta de amor. Se apaixonaram por mim, mas eu não me apaixonei por ninguém. Pela primeira vez eu ouvi que eu era como todos os homens… um cachorro. Tadinho de mim.

2008 – Fim do ciclo básico. As coisas começaram a melhorar. Meus laços de amizade com o pessoal que entrou comigo na faculdade se fortificaram. O ambiente foi se tornando um pouco mais sereno. Em termos de coração eu estava livre, mais solteiro do que nunca.

2009 – Considero este o ano mais “emoção” da minha vida, extremamente marcante. Pra mim o ano começou no dia 3 de fevereiro, dia em que fiz cirurgia para a retirada do apêndice. Não seria nada de mais se este fato não fosse o primeiro da sequência de fatos que me aconteceu logo após. Meu mês de março não foi muito bom. Tive crise de ansiedade, mal estar mental, sensação de mudança, não sei bem o quê e nem porquê. Parecia um presságio. 2009 tinha tudo para ser um ano como outro qualquer. Seria a continuidade da faculdade, não visava arrumar um estágio ainda. Meu objetivo era somente seguir em frente da forma como foi 2008. Porém as coisas mudaram de vez. Conquistei um grande tesouro. Pensei muito, refleti, questionei, fiquei feliz, entristeci, aproveitei, vivi…

Por enquanto é só!
Para 2010 eu gostaria de um ano como foi 2004, com estágio e muitas oportunidades em vista, só que dessa vez em nível superior. Também quero o mesmo tempero que deu sabor a 2009. Será que 2010 superará 2009? Tem tudo para isso. E eu quero me surpreender, assim como me surpreendi este ano.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Coisas de bar

Noite chuvosa de quarta-feira. Rafael entrou no bar, sentou-se sozinho, afrouxou a gravata e pediu uma cerveja bem gelada. O local estava vazio. Avistou Fernanda posicionada num cantinho, fumando, sozinha, com o olhar distante, ali perto da jukebox, que tocava Alcione. Pensou "Por que não?" e foi ao encontro da moça.
Jukebox: Sou doce, dengosa, polida
-Oi.
Jukebox: Fiel como um cão, sou capaz de te dar minha vida
-Oi.
Jukebox: Mas olha, não pise na bola
- Qual o seu nome?
Jukebox: Se pular a cerca eu detono, comigo não rola
- Desista. Você não vai conseguir nada - Fernanda virou o rosto.
Jukebox: Sou de me entregar de corpo e alma na paixão
- Só me diz o seu nome - Rafael jogava charme com olhar.
Jukebox: Mas não tente nunca enganar meu coração
Chuva: shhhhhh
- Fer-nan-da - disse, soltando fumaça para cada sílaba.
Jukebox: Amor pra mim, só vale assim, sem precisar pedir perdão
- Belo nome - disse, piscando o olho e arriscando colocar sua mão na mão na moça.
Jukebox: Adoro sua mão atrevida
- Obrigada - ela sorriu e deu mais uma tragada no cigarro, olhando para ele.
Jukebox: Seu toque seu simples olhar já me deixa despida
Trovão: Grrrrr booom
- Você é linda - continuou.
Jukebox: Mas saiba que eu não sou boba
- Não vai me conquistar assim, querido.
Jukebox: Debaixo da pele de gata eu escondo uma loba
- E como posso te conquistar então?
Jukebox: Quando estou amando eu sou mulher um homem só
- Me seduza.
Jukebox: Desço do meu salto, faço o que te der prazer
- Vai ser fácil. Aliás, você já está seduzida por mim - olhava fixamente para ela.
Jukebox: Mas ó meu rei, a minha lei, você tem que saber
- Convencido. Você deve ser daqueles que não valem nada - riu.
Jukebox: Sou mulher de te deixar se você me trair
- Prefiro deixar que você descubra.
Jukebox: E arranjar um novo amor só pra me distrair
Chuva: shhhhhh. Trovão: booomm grrrr.
- Até que eu estou afim de me aventurar. Deu sorte.
Jukebox: Me balança mas não me destrói
- Será que posso chamar de sorte? Quero muito avaliar.
Jukebox: Porque chumbo trocado não doi
- Não iria se arrepender - sorriu, soltando fumaça e olhando para ele com tesão.
Jukebox: Eu não como na mão de quem brinca com a minha emoção
- Vamos sair daqui - estendeu a mão para ela.
Jukebox: Sou mulher capaz de tudo pra te ver feliz
- Não me decepcione, gato. Senão não me verá nunca mais - pegou na mão dele.
Jukebox: Mas também de cortar o mal pela raiz
- Agora sou eu quem digo: não se arrependerá.
Jukebox: Não divido você com ninguém
- E eu garanto que com uma mulher como eu, você não precisaria de outra.
Jukebox: Não nasci pra viver num harém
Chuva: shhhhhh
- Não duvido. Meu carro tá ali.
Jukebox: Não me deixe saber ou será bem melhor pra você... me esquecer

E assim, Rafael e Fernanda saíram do estabelecimento.
O balconista lavava alguns copos enquanto assistia a cena. Dizia para si mesmo: "ih, vai ter".

A Jukebox mal terminava a música, quando um trovão forte fez com que faltasse luz no bar. Era o fim do expediente para o balconista e o início de uma noite despudorada para o novo casal.

sábado, 5 de dezembro de 2009

A cabana

De todos os fatos da minha infância, o episódio da cabana talvez tenha sido o mais marcante de todos. Na verdade eu não era tão criança assim. Tinha uns 12, 13 anos na época. Mas acredito que tenha sido marcante justamente por causa dessa idade de transição.
Não posso começar a falar da cabana sem antes falar do Alan. Alan foi um moleque da minha idade que passou pela minha vida de forma rápida, mas que jamais vou esquecer. Se a história da cabana fosse um filme, o Alan seria o vilão. Um belo dia eu estava na rua brincando com o pessoal convencional da área, até que do nada surgiu um grupo de moleques que eu nunca tinha visto. Estavam de bicicleta. Um deles era o Alan, novo no bairro. Parece que um dos meus colegas da rua conhecia o grupo, o que os levou a conversarem conosco. O Alan parecia ser o líder deles. Era ele quem mais falava e o que ficava no meio de todos. Em algum momento da conversa, o Alan sugeriu que construíssemos uma cabana para podermos brincar... pura aventura de moleque.
Cabe aqui agora falar do Marcos Paulo. Posso dizer que o Marcos Paulo foi o meu maior amigo na infância. Talvez mais pelo tempo de convívio (garotos se mudavam para o bairro, outros iam embora, mas o Marcos Paulo sempre esteve lá) do que pelo sentimento de amizade de fato. Aliás, na infância ninguém fica se declarando amigo de alguém. As crianças só querem brincar e pronto. Tenho fotos minhas com o Marcos Paulo brincando aqui em casa. Bons tempos.
Enfim... eu estava meio arredio com a ideia do Alan, mas o Marcos Paulo gostou e ofereceu os fundos da sua casa para a construção do "empreendimento", desde que seus pais permitissem, lógico. Com a permissão dada, dias depois decidimos ir até a casa do Marcos Paulo e começar logo a brincadeira. Ao chegarmos lá, descobrimos por quê os pais dele aceitaram a "zona" tão rapidamente: o quintal dos fundos estava extremamente tomado por mato. E para fazermos qualquer coisa ali teríamos que capinar boa parte do terreno. Seria bom para eles. Nada que nos fizesse desanimar. Enxadas na mão, capinamos. E demorou dias. O terreno não é tão grande assim, mas sabe como é né... moleques, farra, falta de prática... demorou.
Durante esse tempo o Alan foi se tornando mais um amigo meu. Enquanto o terreno estava sendo preparado na casa do Marcos Paulo para receber a cabana, o Alan começava a frequentar a minha casa. Falava sobre cada coisa que me deixava constrangido. Uns assuntos meio pesados para a idade: sexo, crime, e outros assuntos de adulto. Não parecia ter a mesma idade que eu. Minha mãe o achava muito inteligente e gostava dele (isso porque ela não ouvia os papos estranhos dele). Mas de fato inteligente ele era. Só que a sua inteligência me assustava. Havia malícia no Alan. Apesar de me sentir um pouco incomodado às vezes, o Alan era simpático e se fazia uma companhia legal para brincar. Ele também sabia persuadir, e assim liderava, naturalmente.
O terreno havia ficado pronto. Estava bem legal. Num belo sábado de sol, cheguei à casa do Marcos Paulo, e lá estava o pai dele já ajudando a erguer a cabana. Nada de madeira. Foi feita com uma lona azul mesmo, daquelas que a gente coloca para cobrir parte do quintal quando está chovendo e queremos fazer churrasquinho. Ficou pronta no mesmo dia. Um espétaculo aos meus olhos infanto-juvenis. Era a brincadeira que mais tinha dado trabalho na minha vida. Após isso, passamos a ir na casa do Marcos Paulo todos os dias para brincar.
Nossa cabana ganhou um nome: "Toca dos Lobos". Mas parece que o nome não vingou. Ninguém a chamava assim. Nos referíamos a ela pura e simplesmente como "cabana". Ela tinha um cofre embaixo do tapete (sim, tinha um tapete!) onde guardávamos o que a gente mais tinha de valioso: um bocado de limões. Tá, na verdade colocamos limões somente para o cofrer ter algo. E fingíamos que os limões eram valiosos e pronto. Ao lado da cabana tinha uma espécie de concreto em formato de rosquinha. Na verdade um roscão. O buraco era bem maior que uma bunda. Era o nosso banheiro. Qualquer um que quisesse fazer o número 1 ou o 2 deveria usar o roscão de concreto. O André (o outro paticipante da cabana, eram 4 no total) o usou para o número 2 uma vez. De noite. Levou vela. Foi uma zoação só, coitado.
Os dias se passavam e a cabana deixava de ser apenas uma das muitas brincadeiras para se tornar uma época diferente na minha infância (ou pré-adolescência). Pela primeira vez eu participava de um grupinho fixo de amigos de rua, como se fosse um clube do bolinha. Foi na cabana que eu vi pela primeira vez uma revistinha pornô. Uma história em quadrinhos com fotos de verdade envolvendo um tio garanhão e uma sobrinha safada. Uma coisa terrível. Aquelas imagens ficaram na minha cabeça por muito tempo, haha.
A cabana começou a declinar por causa do Alan. Ele tinha uma personalidade um tanto difícil de se lidar. Não me lembro o motivo, mas parece que ele havia desagradado o Marcos Paulo, ou a mãe dele, sei lá. Só sei que brigamos com ele, e o Alan foi expulso do "clube". Ele disse que iria se vingar. E não demorou muito. Certa vez estavámos eu, Marcos Paulo e André dentro da cabana, quando um pedregulho enorme entra por uma das laterais, destrói a lona e por pouco não acerta a cabeça do André. O Alan a jogou de um outro terreno que dava vista para a cabana. Aquela pedra poderia facilmente matar um.
A confusão piorou. O Alan não nos dava sossego. Até ameaças ele fazia. Lembro de uma vez em que ele chutou o meu carrinho de controle remoto, na calçada da minha casa, com a minha mãe ali. Que abusado! Eu já estava por aqui com ele. Uma vez eu estava andando na rua, e ele veio atrás de mim cantarolando "olha o magrelinho". Não sei o que me deu naquele momento. Virei para ele e, de forma impulsiva, a única coisa que consegui fazer foi dar um soco na cara daquele moleque. O primeiro e único soco que dei em alguém. Mas nem posso dizer que foi uma briga de rua. Porque eu... bem... após ter dado o soco, eu... er... eu... corri para casa, com medo. Ah, detalhe: ele usava óculos, e dei o soco com óculos e tudo. Ficou torto no rosto dele depois :P
Após todos esses e alguns outros acontecimentos, nosso interesse pela cabana foi murchando. Até que um dia ela foi desmontada. Mas um fato ocorreu depois. Certo dia, a mãe do Alan veio falar com a minha, dizendo que o filho dela estava muito arrependido de ter aprontado tanto e que queria ter os amigos de volta. Minha mãe me chamou para falar com a moça. Humildemente ela me perguntou se eu queria voltar a ser amigo do seu filho. Disse que ele tinha alguns problemas, que o pai era ausente, que eles se mudavam muito e que o filho tinha dificuldade para manter as amizades. Eu não quis. Simplemente balancei a minha cabeça e disse "não".
Quando eu penso nisso, sinto que fui um pouco cruel em relação à minha atitude em não querer mais o Alan por perto. Afinal, a mãe dele disse que o garoto estava arrependido e muito triste. Mas naquele momento não dava. As coisas que o Alan falava e fazia davam medo, não só a mim, mas a todos nós da cabana. Ele trazia um ar pesado para o ambiente. Depois disso ele se mudou e eu nunca mais o vi. Será que hoje em dia ele é psicopata? Bom, ele tinha todos os requisitos, hehe. Mas eu espero que não. Se ele tinha realmente problemas pessoais sérios naquele tempo, espero sinceramente que tenha superado todos eles.
A cabana foi realmente uma época inesquecível. Foi através dela que eu participei do meu primeiro trabalho em equipe sem ser no colégio. Capinei, trabalhei, dei ideias, acatei ideias. Me dediquei realmente ao "projeto". Tudo isso dentro de uma época de mudanças: da infância para a adolescência. Várias conversas interessantes com esses amigos, muitos questionamentos, muitas besteiras surgiam, risadas. É incrível, mas eu ainda consigo sentir o cheiro do mato daquele terreno. Hoje em dia já não tenho mais tanto contato com o Marcos Paulo. Mal o vejo. Nos cumprimentamos nas raras vezes que nos vemos, e só. Mas qualquer dia eu ainda vou pedir a ele para ver aquele terreno novamente, só para reviver um pouco aquele momento.
Sabe... eu posso dizer que a cabana foi um divisor de águas na minha vida. Após ela eu deixei de brincar como eu brincava. Entrei no Ensino Médio e uma nova época se iniciava.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Diego! 2.3



Uma homenagem para o meu amigo.
Parabéns pelos seus 23 anos!
Paz, felicidade, saúde e sucesso sempre ;)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Plantio


Será que tudo o que começa errado tem mesmo que terminar errado?

Por exemplo: um homem casado conhece e se envolve com outra mulher. O relacionamento dele com sua esposa termina, e ele então casa-se novamente com aquela que antes era a sua amante. Atualmente vive mais feliz. Mas ele errou no início, traiu. Sua nova relação está então fadada ao fracasso por conta disso?

Eu não gosto de pensar que a ausência da beleza e daquilo que é moralmente aceito no início de qualquer coisa impeça que tal coisa vá para frente. Mas ao mesmo tempo eu não consigo deixar de pensar que um belo início possa influenciar. E isso me assusta. Afinal, eu sempre ouvi dizer que você colhe o que você planta. Mas e quando a semente é boa, porém a forma como foi plantada não? Como fica?

Vamos supor que há duas formas de plantar: a forma padrão (testada e aprovada) e a forma alternativa (não qualificada, não aceita). As duas formas dão frutos. Quando você planta uma semente boa da forma padrão, os frutos serão bons, acessíveis e portanto você poderá desfrutá-los. Mas e se você pegar a mesma semente boa e plantar da forma alternativa?

Se a semente é boa, é certo que os frutos serão bons. Mas o fato de você ter plantado diferente pode produzir um erro e fazer com eles fiquem inacessíveis, talvez em galhos altos demais. E então você jamais poderá colhê-los.

Sabe… eu quero muito estar errado.

plantio

domingo, 1 de novembro de 2009

Jogo dos 8 erros - VI


imagem1

imagem2

Diz a lei: aquele que comete erros vai para trás das grades. Então eu mereço ser enjaulado oito vezes. Mas antes disso vocês vão ter que descobrir o que eu fiz de errado, ok?

Foto tirada na Fortaleza de Santa Cruz - Niterói. Da esquerda para a direita: Lucas, Diego, David, eu e Jennifer.

Resposta do Jogo dos 8 erros V
* Unha da Fernanda.
* Topo do cabelo do Maurinho.
* Mancha duplicada na parede à direita.
* Linha interrompida na blusa da Fernanda, abaixo da flor.
* Pedras sem divisória à esquerda.
* Pintas multiplicadas no braço da Fernanda.
* Ausência do cordão do Maurinho.
* (esqueci! Quando lembrar, coloco). Lembrei: Sombrancelhas unidas do Mauro.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Mar e Sol

 

Uma bela canção...

121416566 

Um Sol
Eu sou
Para o seu mar, ó meu amor;
Você
O mar é
Para o meu Sol, para eu me pôr;

Me pôr
Em você,
Me espelhar, me espalhar;
Meu Sol
De arrebol
Deitar no leito de seu mar

E entrar em você,
Em você queimar, arder;
Em você tremer, em você,
Em você morrer, morrer.

Um só,
Um nó
De fogo e água, terra e céu,
A sós,
Somos nós,
De corpo e alma, você e eu;

E eu
A descer,
A desnascer, desvanecer;
A ser
Em você
Um Sol a se dissolver

Ao entrar em você,
Em você queimar, arder;
Em você tremer, em você,
Em você morrer, morrer.

Depois,
Nós dois,
Olhos nos olhos, vis-à-vis,
Nos seus
Olhos meus,
Me vejo no que vejo ali;

Ali,
Eu-você,
Olho no olho a se espelhar,
Amor,
Sem temor,
Olho o que eu olho me olhar

Ao entrar em você,
Em você queimar, arder;
Em você tremer, em você,
Com você morrer, morrer.

Paixão de fogo de paixão
De fogo de paixão
De fogo de paixão,

Em que me afogo de paixão
Me afogo de paixão
Me afogo de paixão

Mar e Sol - Gal Costa

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Vintões: somos tão jovens assim?


Olá pessoal,

Recebi esses dias um e-mail da minha colega Amanda (que estudou comigo no colégio), do blog "Mandicaaaa...". A mensagem contém fotos de produtos antigos que faziam a alegria da criançada há alguns anos atrás. Foi impossível não me surpreender, pois eu lembro de muita coisa ali. Inspirado pelas fotos, resolvi escrever este post contando um pouco sobre alguns desses produtos (e outros que não estão nesse e-mail) sob minha ótica e experiência com eles.


Atari

atariEu tive um! Foi o meu primeiro videogame, óbvio. Digo "óbvio" pois não me lembro de ter existido nenhum outro videogame antes dele. Mesmo com aqueles pixels grandes, eu me divertia muito. Tinha um jogo do pac-man sensacional. Também me lembro de um com navezinhas. Elas iam se aproximando do meu avião todo quadriculado, e eu tinha que atirar em todas elas. Às vezes não eram naves, eram objetivos esquisitos que cresciam e se aproximavam de mim. Chegava um ponto que era bem difícil. Curti muito. Qualidade baixa com alto nível de divertimento.

O fim da minha relação com o Atari foi bem chato. Certa vez chegamos eu e minha mãe do colégio (ela sempre ia me buscar), e a casa em que morávamos nessa época tinha sido arrombada. Haviam levado a nossa televisão, e com ela, uma espécie de fio ou adaptador que ligava o meu Atari à TV. Não lembro porque não compramos um outro fio ou adaptador para o videogame. Acho que era difícil encontrar à venda, sei lá. Só sei que nunca mais o joguei. Nos mudamos para a atual casa, o Atari veio junto, mas ficou como velharia. Ele foi empoeirando até o dia em que foi para o lixo. Saudades.

Lembrar do Atari me faz lembrar de que não precisamos de alta resolução e nem de jogos muito complexos para nos divertimos.


Pirocóptero

piro Você ia até a venda da esquina, comprava um pirulito do seu sabor preferido e... pirulito que nada! Bom mesmo era a pequena hélice de plástico que vinha junto e que você anexava ao palito para virar um pirocóptero! Tcharam!

Parecia simples, mas não era tanto. Você tinha que praticar muito até pegar o jeito de fazer aquele troço voar decentemente. Perdi as contas de quantas vezes tomei porrada de pirocóptero no olho. E de quantas vezes eles caiam nas casas dos vizinhos.

A última vez que tive contato com algo semelhante ao pirocóptero da foto ao lado foi no colégio, quando meus colegas me ensinaram a fazer um de papel. Era legal demais! Como a gente estudava em um andar alto, colocávamos nossos "equipamentos" para voar da janela. E como eram de papel, não necessariamente desciam. Às vezes planavam ou até mesmo subiam por causa do vento. Era um monte deles voando ao mesmo tempo. Isso foi no 3º ano. Sim, eu sei, infantil demais para 17 anos. Fazer o que né? Eu adorava!


Ioiô de refrigerante

ioio Isso foi uma febre na época. TODOS tinham um ioiô da Coca-Cola, da Fanta, ou seja lá de qual marca de refrigerante fosse. Eu, como sempre fui naturalmente mais atrasado em relação à essas modinhas, só fui ter o meu depois. Na verdade não sei se comprei, ganhei ou se simplesmente apareceu um nas minhas mãos. Sim, porque estava tão na moda que não era de se espantar que você tivesse um mesmo que não quisesse.

O tempo ia passando, e os ioiôs foram se aprimorando. Até que chegou um momento que surgiram uns que brilhavam e tudo. Eram o máximo! Ter um ioiô maneiríssimo, que emitia luz, e saber fazer acrobacias com ele aos 12, 13 anos de idade era tão atraente quanto ter uma Ferrari aos 25. As menininhas se amarravam.

Eu não tive um ioiô cintilante, e mal sabia brincar com o meu simpleszinho. Mas a lembrança dessa época ficará guardada para sempre. Afinal, comparando com os dias de hoje, chega a ser engraçado imaginar um recreio em que todas as crianças brincavam com algo que em sua essência é tão ingênuo.


Bolinha perereca

bolinha Sim, aquelas da máquina de 25 centavos. E da geração antiga de moedas, diga-se de passagem. Só havia a prateada. Eu colecionava essas bolinhas. Devo ter gasto uma pequena fortuna com elas. Mas de 25 em 25 centavos, quem é que percebe, não é mesmo?

Pois bem... sempre que me sobrava uma moedinha da merenda, se fosse de 25 centavos, lá ia eu inseri-la naquela máquina super legal e pegar a minha mais nova bolinha perereca para a coleção. Ficava chateado quando era uma bolinha igual ou muito parecida com alguma que eu já tivesse. Mas eu não a rejeitava. Eram como filhas para mim. E eu cuidava de todas muito bem. Até lavá-las eu fazia.

Sempre brincava com uma de cada vez para não perder. Aliás, perder aquelas bolinhas era a coisa mais fácil do mundo. Bastava jogar alguma com uma força não muito grande no chão, e pronto... a bichinha ficava que nem doida pra lá e pra cá, te confundia, e você não via onde ela tinha ido parar.

Pelo o que eu me recordo, o fim da minha coleção se deu quando eu simplesmente enjoei de zelar tanto por elas. Comecei a jogar todas de uma vez. Pegava a mão cheia delas e tacava tudo no chão do meu quarto (com a porta trancada) para que elas me divertissem pulando pra tudo quando é lado, se chocando umas com as outras e batendo em mim. Coisas de Renan, haha.


Mola maluca

mola Essa coisa tinha poder terapêutico! A mola se movimentava, aquelas cores iam passando. Relaxava legal. Mas pena que todas as que encostavam em minhas mãos, quebravam. Isso porque eu não brincava somente da maneira normal, ou seja, fazendo o desequilíbrio de altura entre uma mão e outra. Eu pegava a mola, esticava, rodava no alto que nem peão de boiadeiro, usava para bater nos outros. Enfim, eu pedia para que todas elas quebrassem. Mas isso não era problema, pois logo eu ganharia outra como brinde em alguma festa de aniversário infantil. Até o dia em que fiquei velho demais para ganhar uma.


Tamagotchi

tamaTambém fez sucesso na época. Ganhei um no Dia das Crianças. O meu fazia parte daqueles primeiros tipos que foram lançados, cor vermelha, quase igual ao da foto. O bichinho virtual nascia em forma de bolinha gelatinosa com dois pixels dando formato aos olhos, e tinha que ser alimentado até se tornar um dinossauro de grande porte. Você podia fazer dele um carnívoro (dando de comer diariamente coxas de frango) ou um herbívoro (dando cenoura).

Da primeira vez quis que ele fosse um carnívoro. E assim foi. Alimentava-o com coxas de frango e de vez quando dava um sorvetinho para ele. Mas não podia abusar no sorvete, pois cada um o fazia engordar 1kg. E as mulheres ainda reclamam da vida...

O safado ainda era criado no ar-condicionado, hehe! E eu tinha que brincar frequentemente com ele de "pedra, papel ou tesoura" para manter a sua felicidade. Acordava às 9h e ia dormir as 21h, pontualmente. Disciplinado o bichinho. A cada dois dias, ele crescia um pouco. E era muito legal ver a sua evolução.

Pois bem, um belo dia ele virou um tiranossauro Rex. Eu estava feliz por ter completado o seu ciclo de vida. Era só esperar ele morrer para virar um anjinho e... virou vampiro. Não gostei, e perdi o interesse depois.

***

Ao terminar esse texto, pergunto a vocês: somos realmente tão jovens assim? Bom, se vamos viver até os 80 anos, sim, nós somos. Afinal se passou apenas 1/4 de nossa vida. Fico imaginando como será lembrar futuramente dessas e de mais coisas que estão por vir...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Jogo dos 8 erros - V

 

imagem1

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Diz o Maurinho que não se lembra de algumas coisas que ocorreram nessa festa. Ele ainda alegou ressaca moral no dia seguinte. Bom, esse tipo de coisa só aparece quando você fez algo de errado. E muitos erros foram talvez cometidos por alguns nessa festa sim (hehe), mas essa foto mostra apenas 8 deles. Divirtam-se, pois com certeza os dois aí de cima estavam se divertindo!

Na foto: Maurinho e Fernanda

Resposta do Jogo dos 8 erros IV

Estrela tatuada no braço da Morena / Botão duplicado na minha camisa / Ponto de luz do meu lado / Copo de cerveja / Cerca ao fundo / Minha pinta no rosto / Sombrancelha da Morena / Pisca-pisca acima da cabeça da Morena

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

...

Revendo os últimos posts...
Ok, meu blog tá muito, muito meloso!

Exagerado?


Sou um cara intenso em relação a vida. Não que eu siga à risca aquela filosofia de "viver cada dia como se fosse o último".  Quem me dera. Eu digo no sentido de romantizá-la mesmo.

Exemplo disso é que eu sou um nostálgico completo. Volta e meia me pego pensando na minha infância e em outras épocas e comparo com os dias atuais, e percebo o quão interessante é essa coisa do tempo que passa. Eu costumo fazer cronologia mental do tipo "no ano tal me aconteceu isso e isso, e logo após isso. Puxa, eu não esperava!". E fico então destrinchando aquilo na minha cabeça e desenvolvendo mil sentimentos. Tem muita coisa que eu acho que mudou, outras nem tanto. E isso me deixa feliz ou chateado, dependendo da coisa.

O futuro também é algo sobre o qual costumo pensar. Gosto de vê-lo como sendo imprevisível, capaz de mudar cenários, contextos e conceitos. E imaginar que essas mudanças podem ser abruptas o torna ainda mais interessante para mim. Eu não suporto mesmice. E isso de certa forma me preocupa, afinal a gente precisa se apegar a certas rotinas, como o trabalho, por exemplo. Acho que esse característica fará de mim um profissional constantemente agoniado, haha.

Muitas vezes eu vejo o meu futuro como o próximo capítulo de um seriado, no qual além de protagonista, também sou o roteirista. E fico satisfeito e motivado, pois o fim da história depende de mim. Outras vezes sinto que não tenho a função de roteirista, e isso acaba me desanimando, pois é ruim demais pensar que eu tenha que viver sem poder mudar tudo aquilo sobre o qual desejo mudanças.

E é mais ou menos assim que eu vou vivendo... pensando sobre o passado, pensando sobre o futuro, talvez exagerando demais. Só não posso deixar o presente de lado por causa disso. Afinal é baseado nele que eu vou construir meu futuro (mesmo gostando que ele seja imprevisível) e é dele que vão sair as novas lembranças do meu passado. Mas se querem saber, eu sei viver de presente... um pouco romantizado também por mim, claro.

Sample02

 

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Nova câmera


Renan agora está equipado com uma nova câmera digital!
Seguem abaixo duas das primeiras fotos tiradas com ela: uma do meu grande amigo Diego e uma minha.

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P9240007

sábado, 19 de setembro de 2009

A raposa e o pequeno príncipe

E foi então que apareceu a raposa:

- Bom dia, disse a raposa.

- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.

- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...

- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...

- Sou uma raposa, disse a raposa.

- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.

- Ah! desculpa, disse o principezinho.

Após uma reflexão, acrescentou:

- Que quer dizer "cativar"?

- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?

- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?

- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."

- Criar laços?

- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou... (Renan explica: é uma rosa que brotou onde o principezinho vive, e ele ficou amigo dela)

- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...

- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:

- Num outro planeta?

- Sim.

- Há caçadores nesse planeta?

- Não.

- Que bom! E galinhas?

- Também não.

- Nada é perfeito, suspirou a raposa.

Mas a raposa voltou à sua idéia.

- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.

O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:

- Por favor... cativa-me! disse ela.

- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.

- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...

No dia seguinte o principezinho voltou.

- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.

- Que é um rito? perguntou o principezinho.

- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!

Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

- Ah! Eu vou chorar.

- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...

- Quis, disse a raposa.

- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.

- Vou, disse a raposa.

- Então, não sais lucrando nada!

- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.

(...)

E voltou, então, à raposa:

- Adeus, disse ele...

- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...

- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.




(Capítulo de "O pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry)
Livro disponível para leitura na internet: http://www.mayrink.g12.br/pp/Cap00.htm

Curiosidade: O Pequeno Príncipe é o segundo livro mais traduzido do mundo. Só perde para a Bíblia.