quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Cagada

Tem vezes na vida que acontecem coisas bizarras conosco que jamais imaginaríamos que pudessem acontecer. É mais ou menos assim: até certo momento do dia tudo está correndo normalmente. Aí do nada vem uma maré de azar violenta, que dá a impressão de que fizeram um despacho brabo contra você, usando sangue pisado daquelas galinhas pretas de macumba.

Pois é. Eu já contei duas histórias toscas que aconteceram comigo. Na Noite do Vômito, minha bela prima Morena vomita em cima da minha cabeça após se entupir de pastel frio + refrigerante. Em Sunguinha Amarela, eu sou humilhado em parte da cidade de Nova Iguaçu por desfilar trajando o figurino do título pelas ruas da cidade, que está longe de ser área de banhista. Ambas as histórias foram contadas lá em fevereiro de 2008, nos primórdios desse blog, na época em que eu fazia parágrafos enormes e textualmente xingava mais.

E agora eu me lembrei de mais uma.

Sabe aquelas situações esquisitas que só acontecem com nerds bobões? Para falar a verdade eu não sei se me enquadro muito bem na definição de nerd. Diz o consenso zombador geral que nerd é aquela pessoa que manja e se vicia, de forma obsessiva-compulsiva, em qualquer tipo de tecnologia, saindo-se bem nas ciências exatas no colégio, acumulando gadgets e afastando mulheres. E eu sei somente o básico e mais um pouco sobre computadores, não sou tããão bem informado quanto às novas tecnologias e não tenho saco algum para lidar com emuladores, jogos e blá blá blá para PCs etc. Sobre o fato de tirar notas altas em matemática e afastar mulheres na época colégio... tá.

De qualquer forma eu acho que me enquadro mais no perfil de um CDF. Cabeça ou Cú de Ferro, como queiram. Afinal os dois doem mesmo, mas continuam lá, intactos. A cabeça de tanto raciocinar e o forébis de tanto ficar sentado estudando.

Então, recapitulando. Sabe aquelas situações esquisitas que só acontecem com CDFs bobões? Pois é. Um belo dia estava eu, perfumado, penteado e sorridente, caminhando até o colégio onde estudei todo o Ensino Fundamental e Médio, perto minha casa (numa área gingantesca), o ABEU. Ao virar a esquina para pegar a rua do colégio, escorreguei em algo e caí para trás, com a mochila (que estava nas minhas costas) no chão, e as costas (obviamente) em cima de mochila. Ao levantar, percebi que havia escorregado em uma bosta. Sim, uma bosta. A bosta mais esquisita que já vi na vida. Era verde e pastosa. Parecia suco de abacate misturado com o vômito da minha prima do conto já mencionado. O cachorro que descarregou aquilo no chão provavelmente morreu minutos depois, desidratado e agonizando. A merda era realmente estranhíssima.

Isso foi muito constragendor, afinal tinha um monte de pirralhos como eu indo para a escola, todos olhando para mim com cara de deboche. A minha sorte (rá) é que não havia ninguém da minha turma ali perto para zombar de mim descomunalmente e nem espalhar a boa-nova para os outros. Mesmo assim, claro, fiquei com vergonha. Tirei um pouco da poeira da calça com as mãos e segui em frente, discretamente.

Ainda faltava subir uma pequena colina até o colégio. Fora andar pelo pátio (enorme), passar no banheiro antes, e subir as escadas até a minha sala. Calculo aí que eu andei ainda uns 400 metros até a sala depois do escorregão, tendo bastante gente em volta de mim. Alunos, professores. Todos indo na mesma direção.

Cheguei na sala e coloquei a minha mochila no assento escolhido, e fui para o quadro escrever baboseiras com o giz como sempre fiz antes do professor chegar. Minutos depois, os alunos que estavam presentes perceberam algo estranho. Um cheiro ruim, de merda. Também senti o fedor, mas eu não estava nem aí. Deveria ser de alguma fossa, cano estourado, sei lá. Então, um dos meus colegas se aproximou do meu assento, e disse que estava sentindo o cheiro cada vez mais forte. E foi aí que coincidentemente me veio aquela revoada forte de merda no nariz, com cheiro idêntico ao do suco de abacate + vômito da esquina.

Já quase certo do acontecido, fui até a minha mochila discretamente e de olhos arregalados, virei-a com cuidado e... "pqp",  a parte dela da frente (que fica à mostra quando está nas costas) era, sem muito exagero, uma cascata de coco verde derretido. Eu havia andado tudo aquilo até o colégio com uma mochila nas costas que estava exibindo bosta líquida para todos que quisessem ver (e eram muitos). E muito provavelmente ela foi pingando enquando eu andava.

Graças a um milagre, ninguém percebeu que a fonte do fedor era a minha mochila. Peguei-a pela alça, e, tentando esconder a sujeira, fui até o banheiro. Lá, o cheiro ficou mais forte ainda. Eu tive que ter jogo de cintura para poder limpá-la com água e papel toalha, sem deixar que os caras que entraram no banheiro durante aquele tempo percebessem que tinha merda colorida na minha mochila. Consegui.

Voltei para a sala, o professor já estava presente. Sentei no mesmo lugar. Minutos depois, o cheirinho ainda se fazia presente no ar, e o pior de tudo é que estavam comentando. Não era possível. Eu havia limpado a mochila. Mas ao cheirá-la, notei que o que fiz foi somente tirar a bosta. O cheiro dela ainda estava lá, menos forte, mas ainda um tanto insuportável. A única solução que encontrei foi me sentar lá atrás, no fundão. E por lá fiquei a manhã inteira, para estranhamento geral.

Sabe... Murphy até que havia sido bonzinho comigo dessa vez. Essa história não se compara com o drama da sunguinha amarela, o maior (que eu me lembre) vivido por mim. Ninguém havia percebido nada. Incrível. E olha que eu com certeza estava parecendo um boi, andando e deixando rastro de bosta pelo caminho até o colégio. Bom, se alguém percebeu, foi discreto. Não zombou, nem ao menos comentou. E foi melhor assim. Me dá arrepios só em pensar que eu poderia ter sido piadinha entre alunos e professores durante muito tempo, conhecido como Garoto Merda Verde.

Enfim, agora ficarei né.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Decolando...

aviãoO dia 15/01 será eternamente lembrado pelos 150 passageiros do Airbus A-320, da US Airways, que "pousou" no rio Hudson, em Nova York. Com certeza essas pessoas estão dando agora muito mais valor às suas vidas do que antes desse acidente, que poderia ter terminado como mais uma tragédia aérea.

Felizmente, o piloto foi competente o suficiente para pousar o avião de tal maneira que ele não explodisse quando entrasse em contato com a água, e nem afundasse com uma rapidez que impossibilitaria que todos pudessem sair do avião e fossem resgatados a tempo. Graças ao seu bom trabalho como profissional aliado ao seu bom senso como ser humano, ele e o restante das pessoas que estavam naquele avião poderão continuar a tocar suas vidas e contar esta história pela qual passaram aos seus filhos e netos.

Esse caso do quase acidente trágico me fez refletir: Que responsabilidade a do piloto hein. Mais de cem vidas em suas mãos, em jogo, dependendo praticamente de um milagre. Será que a minha futura vida profissional guarda essas surpresas extremistas? Talvez o maior medo que eu tenho na vida é o de fracassar como adulto, como profissional... enfim, o de fracassar como ser humano. Não daqueles fracassos momentâneos, fundamentais, que me permitirão aprender e crescer como pessoa; mas sim daqueles fracassos irremediáveis, que ferem a alma e deixam marcas.

A incerteza quanto ao futuro é uma das coisas mais medonhas que existem. E eu ando pensando muito em um futuro que está bem próximo, daqui a pouquíssimos anos. Será que vou conseguir decolar como profissional? Seria frustrante demais daqui há alguns anos perceber que todos os livros acadêmicos que li, que todas as horas semanais dedicadas à cadeira e a mesinha de estudos simplesmente fossem um capítulo que antecederam um Renan mal-sucedido e infeliz.

Às vezes me pego pensando se terei competência suficiente para tocar minha vida. Agora tudo ainda é mais fácil. O teto debaixo do qual durmo, a água que uso e a comida que como são financiados. As únicas coisas com as quais tenho que me preocupar são com meus próprios gastos supérfluos e algumas vezes fúteis (que pago com a bolsa de Iniciação Científica), e com a faculdade. Entretanto, é como se eu estivesse andando de biclicleta com rodinhas laterais, e elas estivessem prestes a arrebentar. E eis a grande pergunta que me faço: "Conseguirei eu me equilibrar?".

Sempre fui considerado um bom exemplo entre familiares, amigos, vizinhos ou simplesmente conhecidos. E isso de certa forma cria uma elevada expectativa acerca do meu futuro por parte dessas pessoas. Seria horrível desapontar todos, principalmente os meus pais. Sei que não é correto pensar dessa maneira, e sim fazer a minha parte da melhor maneira possível e deixar que as coisas aconteçam naturalmente. Mas é impossível não ter sequer uma pontinha de preocupação com isso.

Não dá para não pensar que a minha vida adulta daqui para frente me reserva inúmeras responsabilidades pesadas. E que caso eu seja bem-sucedido e quanto mais assim eu me torne, maior confiança será depositada em mim. É aquele velho ditado divulgado entre jovens e crianças pelo filme do Homem-Aranha: "Quanto maior o seu poder, maiores são as suas responsabilidades". Imagina a situação de um médico tendo que realizar uma cirurgia de alto risco em um parente adoentado, a do tal piloto do Airbus A-320, a de um presidente que carrega o futuro da sua nação nas costas. Vendo agora o lado pessoal, imagina o que é ser casado e com filhos para sustentar, dependendo boa parte de você para se tornarem pessoas de bem.

O meu principal desejo a pequeno, médio e longo prazo é ter força e coragem para encarar os desafios que ainda estão por vir. Ninguém anda de biclicleta com rodinhas laterais para sempre. O avião não fica perambulando na pista de decolagem para sempre. Ele precisa decolar. E eu sei que o meu avião, assim como o de vários outros amigos e jovens, já está em alta velocidade e  prestes a abandonar a terra firme. Precisamos de um pouco de fé para que tudo corra bem rumo ao topo. E se algo der errado no meio do caminho, que saibamos assumir nossas responsabilidades e tenhamos sucesso em nossas ações, para então  pousarmos com desenvoltura, e assim garantirmos novos voos posteriormente.

Dessa forma, acredito eu, que no pouso final de nossas vidas, seremos aplaudidos de pé pelos passageiros que nos acompanharam.

avião2

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Pequeno manual de defesa contra mulheres manipuladoras

Lembro-me de quando eu tinha uns 16 anos, e pedi que um médico me receitasse um remédio contra espinhas. Não lembro o nome de nenhum dos dois. A única coisa que me lembro era que o doutor era um cara super antipático, e o remédio teria que ser feito em farmácia de manipulação.

Nessa mesma época eu era feito de gato e sapato por bonitinhas. Não que eu seja traumatizado com isso, muito pelo contrário. Acho divertidíssimo lembrar de vez em quando. O fato é que, quando voltei da farmácia com o remédio na mão, não estava me dando conta de que era um manipulado carregando outro.

Enfim, essa introdução tosca que escrevi, da qual não gostei, mas que não estou afim de mudar, foi para aprensentar o "Pequeno manual de defesa contra mulheres manipuladoras". Manipuladora é aquela mulher que exerce algum poder (bela, charmosa...) sobre determinado infeliz e usa isso para tirar benefícios próprios, prejudicando-o. Resumindo: é uma vaca.

Bom, esse é mais um tópico em que determinadas frases beiram a insanidade, mas com um certo fundo de conselho útil no final das contas.

 

Contra: Manipulação usando a beleza física.

A beleza é a maior arma de sedução das mulheres, sejam elas manipuladoras ou não. A diferença é que as normais a usam para o bem conjunto, já a vaca a usa para o bem próprio. Mas mesmo quando você estiver frente a frente com uma dessas, poderá sair ileso.

Quando estiver conversando com a moça, olhe para a testa dela. Sim, a testa. Não é uma parte do corpo com grande potencial de exuberância em ninguém. Nunca ouvi comentários do tipo "Nooossa, que testa maravilhosa a dela hein Renan". Muito pelo contrário. Portanto, é a testa que você deve fitar. Nada de olhar dentro daqueles olhos chamativos, olhar aquela boca carnuda contendo um sorriso deslumbrante e nem olhar aquele decote generoso. Essas são áreas perigosas, contém kriptonita. Portanto, olhe para a testa. Se você desviar o olhar para outro lugar mais atrativo, respire fundo, dê um tapa na cara em si mesmo, e volte para a testa. Ela vai achar estranho, mas isso é o de menos. O que importa é não se deixar manipular. Ah, e quando ela virar para ir embora, vire junto para o outro lado. Afinal você não quer correr o risco de olhar para a bunda dela e começar a babar involuntariamente né?

Contra: Manipulação através de pedidos em voz suave com ilusão de recompensa posterior.

Toda mulher manipuladora que se preze te faz um pedido cretino de uma maneira meiga e sexy, dando a entender que você ganhará muito dela caso aceite. Pede uma grana (alta) emprestada, pede sua senha do Orkut, pede ajuda em alguma matéria na véspera de uma outra prova sua, pede aquele seu pertence de alto valor emprestado, pede para acompanhá-la até onde Judas perdeu a virgindade. Enfim, é qualquer tipo de coisa que te cause algum tipo de déficit ou constrangimento. Sempre. E existem n tipos de pedidos manipuladores que podem ser feitos. E se você não tomar os devidos cuidados, certamente os atenderá, na expectativa de um sexo selvagem que nunca vai acontecer.

E foi pensando nessa problema que desenvolveu-se uma técnica muito simples para enfrentá-lo. Quando a bonitona iniciar a pergunta cretina (que você já até sabe que será cretina), antes que você possa abrir aquele sorrisinho de otário que precede o "sim", feche os olhos com as mãos. Mão esquerda no olho esquerdo, mão direita no olho direito, deixando os polegares livres. Com os polegares, tape cada um dos seus ouvidos. Tá fazendo aí? É assim mesmo. Finja que cairam ciscos em seus olhos e que a cera acabou de entupir seus ouvidos, e diga para ela não se preocupar, para continuar falando. Dessa forma você não vai vê-la e mal vai escutá-la. Imagine então a mulher mais feia que você já viu na sua vida, toda suja, com a roupa rasgada, catarro escorrendo e moscas varejeiras em volta dela, te fazendo a mesma pergunta. Confie, você conseguirá dizer um sonoro "não".

Contra: Manipulação através de dança sensual.

Sabemos que mulheres bonitas chamam a atenção. Mas é óbvio que em uma festa, por exemplo, elas chamam mais atenção ainda. E vão conseguir ainda mais se estiverem dançando. Caso ela seja uma manipuladora e você seja um alvo, ela irá dançar eroticamente te olhando nos olhos.

Não se preocupe. Caso isso aconteça, você terá que... mostrar para ela quem é o rei de pop. Caia na pista de dança também, se solte. Se for mal dançarino, ótimo, a atenção de todos será desviada para o seu mico, e toda aquela aura sensual da mulher se quebrará naquele momento. Se acha que consegue mandar bem, melhor ainda, não estará pagando mico e ainda poderá dançar junto com ela, mostrando-se tão capaz quanto, e então diminuindo o poder unilateral da moça. Quem sabe até você não reverta a situação, encantando-a e se tornando o manipulador. Vingancinha? Talvez.

Contra: Manipulação através de sentimentos.

É o pior tipo de manipulação. É quando você está apaixonado, e ela usa isso a favor dela. A crueldade é imensa, e você se sente de mãos atadas, achando sempre que a melhor maneira é ceder, apesar dos conselhos dos amigos, e de parecer o contrário.

Para resolver pode até ser difícil, mas só depende de você. Basta arrumar um novo foco, ou seja, outra. Bom, aí os apaixonados de plantão vão dizer "Nããão, mas eu nunca vou gostar de outra assim como eu gosto dela, buááá". Fala sério, drama queen. Não ferra. A partir do momento em que você se abrir, conhecer e começar a conviver mais com alguma outra, vai aos poucos perceber que todo esse 'amor' pela Maria Manipulator não era mais do que uma obsessão de menino carente. As nuvens negras vão se dissolver, e você percerá claramente que havia sido um idiota o tempo todo. Mas não fique triste, faz parte.

Se tudo isso já aconteceu comigo? Claro, eu já disse que sim.

Se já aconteceu com alguns amigos meus? Óbvio.

Se já aconteceu ou acontece atualmente com você? Ainda não percebeu? Xiii...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Analisando o Funk

Afinal essas letras tão bem elaboradas também merecem uma análise profunda.

"Eu vou passar cerol na mão, assim, assim
Vou cortar você na mão, vou sim, vou sim
Vou aparar pela rabiola, assim, assim
E vou trazer você pra mim, vou sim, vou sim"

Cerol na mão - Bonde do Tigrão

 
Nesse trecho da canção Cerol na Mão, o Bonde do Tigrão passa a mensagem de que o homem é o fator atuante no início de um relacionamento afetivo através de uma interessante analogia com a típica brincadeira do universo infanto-juvenil, onde a mulher é Bonde do Tigrãoretratara como uma pipa que precisa ser abordada (cortar na mão), conquistada (aparar pela rabiola) com charme e carisma (cerol na mão) e trazida para os braços do seu conquistador.

O trecho revela ainda a ansiedade do eu-lírico no processo de conquista, típica realmente das crianças e jovens, que ao soltarem pipa, visam ganhar  as outras que estão no alto. Essa ansiedade está retratada na construção "vou sim, vou sim", e pode ser considerada também como uma necessidade de auto-afirmação e confiança para atingir sucesso com a amada. Uma outra construção interessante é "assim, assim", que mostra claramente que o eu-lírico sabe lidar com as técnicas utilizadas para conquistar.

"Sou cachorra, sou gatinha
Não adianta se esquivar
Vou soltar a minha fera
Eu boto o bicho pra pegar"

Boladona - Tati Quebra-Barraco

 
Nesse quarteto, Quebra-Barraco explicita a postura de algumas mulheres no contexto do mundo contemporâneo, em contraposição aos versos do Bonde do Tigrão. É feita uma alusão ao comportamento que é resultado da revolução feminista dos últimos cinquenta anos, onde as mulheres saem de uma posição submissa em relação aos homens e tomam partido em seus relacionamentos.
 
No primeiro verso Quebra-Barraco atribui ao eu-lírico dois adjetivos que confirmam tal postura, valorizando atributos físicos e caracterizando sua essência como mulher. O segundo verso mostra a grande magnitude do poder feminino exercido sobre os homens, de forma que esses são incapazes de esboçar reações. O terceiro verso revela uma atitude auto-confiante que é favorecida pelos adjetivos mencionados no primeiro verso. O último verso resume de maneira interessante toda a mensagem do quarteto. Nele é apresentada uma consequência da atitude avassaladora do eu-lírico do verso anterior, concluindo que este possui grande poder físico e psicológico sobre um relacionamento afetivo.
 
"Passa, passa, esfrega nela
Vem que vem com arrasta ela"

Sabãozinho - Mc Sabãozinho

banhoerótico

Utilizando-se inteligentemente de poucas palavras, Mc Sabãozinho toma como ferramenta a ambiguidade para construir uma espécie de duplo sentido em sua poesia. O título da canção nos revela que o autor retrata uma situação cotidiana, em que uma mulher está se banhando acompanhada de seu parceiro. Os versos nos levam a crer que há uma terceira pessoa presente na cena e que esta participa ativamente dos fatos, estimulando a figura masculina a pegar o sabão (aparentemente) e dar banho em sua companheira.

Mas, como é de costume, pelo menos em nosso país, as pessoas banham-se totalmente despidas. Portanto, já no primeiro verso, o duplo sentido se faz presente. Sabãozinho não necessariamente se refere ao sabão em "esfrega nela", e sim ao pênis do homem. Daí, conclui-se que, em uma situação que poderia se passar de forma completamente ingênua, o autor impõe alto teor erótico, ordenando que o homem incite sua parceira ao sexo de maneira agressiva. O segundo verso trás a confirmação desse erotismo selvagem e é baseado em uma licença poética envolvendo o "com", que não seria conveniente caso a construção estivesse inserida em um texto não-literário (informativo, científico).

"Qué bolete!?
Então toma, to-toma, toma..."

Bolete - Mc Colibri

bolete Canção aos moldes de Sabãozinho. Também com poucas palavras, porém agregando o mesmo universo infantil de Cerol na Mão, Colibri imprime erotismo selvagem em sua letra, fazendo uso do duplo sentido. Dessa vez, a ambiguidade está em bolete, o nome de uma bala (doce) famosa da marca Dori.

Colibri faz um jogo com a pergunta "Qué bolete!?", pois na realidade ele não se refere à uma bala, e sim ao seu pênis. Pensando se tratar do doce, a segunda pessoa é incitada a responder positivamente, e é aí que está contida toda a idéia do jogo literário de Colibri. A réplica da primeira pessoa é oferecer seu órgão sexual de maneira debochada para que a segunda pessoa faça sexo oral (também conhecido como felação) nele. Essa dedução pode ser retirada do verso que sucede a pergunta e diz "Então toma, to-toma, toma...".

"Pra dançar créu tem que ter disposição
Pra dançar créu tem que ter habilidade
Pois essa dança ela não é mole não
Eu tenho que lembrar, são cinco velocidades"

Créu - Mc Créu

A arte da dança e do sexo se misturam nessa brilhante composição de Mc Créu. A palavra "Créu" nada mais é do que a onomatopéia da penetração peniana em determinada cavidade feminina. Portanto, o ato de dançar créu pode ser entendido como praticar sexo. Nos dois primeiros versos, Créu explica que existem dificuldades a serem superadas para se obter o sucesso na referida "dança". No terceiro verso, ele justifica o porquê dessas dificuldades, sugerindo em "não é mole não" que é de suma importância que o órgão sexual masculino esteja ereto. No último verso, Créu melanciaquer nos mostrar que há vários ritmos diferentes que podem ser imprimidos na "dança", e que esses dependem da disposição e habilidade de cada ser humano.

Em trecho diferente do apresentado acima, Créu se mostra insatisfeito por não conseguir executar a velocidade número cinco. Porém, tem como fonte de inspiração a Mulher Melancia, moça jovem e de grandes proporções, que o incentiva a buscar cada vez mais disposição e habilidade para satisfazê-la na "dança". É uma canção famosa, por ter apresentado ao país a abundante Mulher Melancia e desafiar a todos a executarem a sua velocidade máxima.

"Sessenta e nove, frango assado
De ladinho a gente gosta
Se tu não tá aguentando
Pare um pouquinho, ta ardendo, assopra"

69 frango assado - Tati Quebra-Barraco

Mais uma belíssima composição interpretada por Tati Quebra-Barraco. A cantora é conhecida por falar de sexo explicitamente, sem uso de analogias e construções ambíguas que possam suavizar a essência ultraerótica das letras. Enquanto Mc Créu mostra diferentes ritmos que podem ser impridos no ato sexual, nesse trecho da canção 69 frango assado, Quebra-Barraco explica as diferentes maneiras de fazê-lo. Portanto, podemos considerar esta como uma canção complementar à descrita anteriormente, fechando um ciclo de consistência poética.

Nos dois primeiros versos, o eu-lírico faz alusão ao Kamasutra e mostra-se aderente à prática. Nos dois versos finais, ele mostra uma maneira eficaz de lidar com o superaquecimento genital. Tais versos ainda sugerem que o eu-lírico tenha um furor sexual mais elevado que o do seu parceiro.

"Me chama de cachorra que eu faço au au
Me chama de gatinha que eu faço miau
Se tem amor a Jesus Cristo, demorô"

(indisponível)

freiraÉ a canção mais antiga de todas as que foram mostradas. Ela nos remete à imagem da mulher brasileira religiosa e submissa do início do século XX. Porém, o elemento religiosidade é maior que a submissão ao seu parceiro. Os versos mostram que o parceiro só terá toda a liberdade com sua mulher caso siga os ensinamentos critãos.

Por outro lado, observa-se que no primeiro verso, a mulher oferece seu vigor sexual, e só depois oferece seu charme e beleza. Essa ordem inversa no processo da união homem-mulher já mostrava uma tendência do pensamento revolucionário nas mentes femininas da época, em que desejavam livrar-se de parte de sua pureza. Utilizavam porém, o cristianismo, para esconder esses primeiros movimentos rumo à liberdade.

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Eu até que escuto e danço alguns funks. Machado de Assis e Tom Jobim iriam se amarrar...