sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Decolando...

aviãoO dia 15/01 será eternamente lembrado pelos 150 passageiros do Airbus A-320, da US Airways, que "pousou" no rio Hudson, em Nova York. Com certeza essas pessoas estão dando agora muito mais valor às suas vidas do que antes desse acidente, que poderia ter terminado como mais uma tragédia aérea.

Felizmente, o piloto foi competente o suficiente para pousar o avião de tal maneira que ele não explodisse quando entrasse em contato com a água, e nem afundasse com uma rapidez que impossibilitaria que todos pudessem sair do avião e fossem resgatados a tempo. Graças ao seu bom trabalho como profissional aliado ao seu bom senso como ser humano, ele e o restante das pessoas que estavam naquele avião poderão continuar a tocar suas vidas e contar esta história pela qual passaram aos seus filhos e netos.

Esse caso do quase acidente trágico me fez refletir: Que responsabilidade a do piloto hein. Mais de cem vidas em suas mãos, em jogo, dependendo praticamente de um milagre. Será que a minha futura vida profissional guarda essas surpresas extremistas? Talvez o maior medo que eu tenho na vida é o de fracassar como adulto, como profissional... enfim, o de fracassar como ser humano. Não daqueles fracassos momentâneos, fundamentais, que me permitirão aprender e crescer como pessoa; mas sim daqueles fracassos irremediáveis, que ferem a alma e deixam marcas.

A incerteza quanto ao futuro é uma das coisas mais medonhas que existem. E eu ando pensando muito em um futuro que está bem próximo, daqui a pouquíssimos anos. Será que vou conseguir decolar como profissional? Seria frustrante demais daqui há alguns anos perceber que todos os livros acadêmicos que li, que todas as horas semanais dedicadas à cadeira e a mesinha de estudos simplesmente fossem um capítulo que antecederam um Renan mal-sucedido e infeliz.

Às vezes me pego pensando se terei competência suficiente para tocar minha vida. Agora tudo ainda é mais fácil. O teto debaixo do qual durmo, a água que uso e a comida que como são financiados. As únicas coisas com as quais tenho que me preocupar são com meus próprios gastos supérfluos e algumas vezes fúteis (que pago com a bolsa de Iniciação Científica), e com a faculdade. Entretanto, é como se eu estivesse andando de biclicleta com rodinhas laterais, e elas estivessem prestes a arrebentar. E eis a grande pergunta que me faço: "Conseguirei eu me equilibrar?".

Sempre fui considerado um bom exemplo entre familiares, amigos, vizinhos ou simplesmente conhecidos. E isso de certa forma cria uma elevada expectativa acerca do meu futuro por parte dessas pessoas. Seria horrível desapontar todos, principalmente os meus pais. Sei que não é correto pensar dessa maneira, e sim fazer a minha parte da melhor maneira possível e deixar que as coisas aconteçam naturalmente. Mas é impossível não ter sequer uma pontinha de preocupação com isso.

Não dá para não pensar que a minha vida adulta daqui para frente me reserva inúmeras responsabilidades pesadas. E que caso eu seja bem-sucedido e quanto mais assim eu me torne, maior confiança será depositada em mim. É aquele velho ditado divulgado entre jovens e crianças pelo filme do Homem-Aranha: "Quanto maior o seu poder, maiores são as suas responsabilidades". Imagina a situação de um médico tendo que realizar uma cirurgia de alto risco em um parente adoentado, a do tal piloto do Airbus A-320, a de um presidente que carrega o futuro da sua nação nas costas. Vendo agora o lado pessoal, imagina o que é ser casado e com filhos para sustentar, dependendo boa parte de você para se tornarem pessoas de bem.

O meu principal desejo a pequeno, médio e longo prazo é ter força e coragem para encarar os desafios que ainda estão por vir. Ninguém anda de biclicleta com rodinhas laterais para sempre. O avião não fica perambulando na pista de decolagem para sempre. Ele precisa decolar. E eu sei que o meu avião, assim como o de vários outros amigos e jovens, já está em alta velocidade e  prestes a abandonar a terra firme. Precisamos de um pouco de fé para que tudo corra bem rumo ao topo. E se algo der errado no meio do caminho, que saibamos assumir nossas responsabilidades e tenhamos sucesso em nossas ações, para então  pousarmos com desenvoltura, e assim garantirmos novos voos posteriormente.

Dessa forma, acredito eu, que no pouso final de nossas vidas, seremos aplaudidos de pé pelos passageiros que nos acompanharam.

avião2

2 comentários:

Mauro de Bias disse...

"Ninguém anda de biclicleta com rodinhas laterais para sempre. O avião não fica perambulando na pista de decolagem para sempre. Ele precisa decolar. E eu sei que o meu avião, assim como o de vários outros amigos e jovens, já está em alta velocidade e prestes a abandonar a terra firme."

Ótimo paralelo! Só é chato quando você quer decolar, mas sabe que ainda não atingiu velocidade suficiente pra isso =/

João Felipe disse...

Mas que drama. ;P