sábado, 2 de maio de 2009

Forró e abobrinhas

Certa vez eu disse num post que eu adorava forró. Mais precisamente o xote, que nada mais é do que um forró mais sensual e romântico, daqueles para dançar agarradinho, curtindo sua paixãozinha e (para os mais assanhados) melando a cueca com impunidade.

Pois bem. Eu compartilho esse gosto pelo ritmo nordestino com mais dois amigos da faculdade, o Carlos e o Pedro. Ambos descobriram que o Cuble Democráticos, situado na boêmia Lapa (RJ), possui uma noite de forró todas quartas-feiras. Eles foram a primeira vez sem mim. Na segunda vez, eu e mais uma amiga nossa da faculdade, a Camilla, fomos juntos com eles, na semana do feriadão. E salve Tiradentes e São Jorge!

O lugar ferve, literalmente. É um tal de gente se esfregando no bate-coxa, suando e se agarrando a noite toda. Para os mais fresquinhos, é a visão do inferno. Mas eu gostei, apesar de ter tocado somente forró pé-de-serra (lembre-se que eu gosto mais de xote).

E lá estou eu... dançando sozinho, gingando, todo feliz... quando me aparece uma mulher alta e gordinha, dizendo "Sabe dançar?". Fiz sinal negativo com a mão: "Muito mal". Ela então faz um ar decepcionado, me levando a crer que se tratava de uma frequentadora assídua do local, pois deveria dançar bem. Poucos segundos depois, ela volta a me dirigir a palavra: "Ah, você tem ginga, vamos lá". "Ok", respondi meio sem jeito.

Ela começou a dançar comigo. Eu comecei a ser torturado por ela. Sim, ela sabia dançar realmente. E sabia tanto ao ponto de ficar me dando toques o tempo todo. "Cê tá muito rápido, seja mais sensual", "finge que vai e não vai", "isssso assimmm", "relaxa a mão, gato". Eu sinceramente fiquei incomodado com aquilo, e tenho a impressão de que se um cego estivesse ouvindo essas coisas, iria pensar que estava diante de uma cena de sexo. Só sei que lá pro meio da música a mulher começou a suar muito, com o rosto colado no meu, fungando no meu ouvido e sarrando descaradamente em mim, enfiando aquela coxa no meio das minhas pernas. Eu já estava pra lá de sem graça, e doido para me livrar dela.

Depois desse (praticamente) abuso sexual, teve mais uma que me chamou para dançar. Era uma mulher bem mais velha, porém não houve nada de interessante durante a dança para poder contar. Enfim, saí do forró aclamado pelos meus colegas por ter sido o único rapaz que, ao invés de ter que chamar para dançar, era convidado. Se para eles uma tarada estranha e uma coroa contam méritos para mim, então tá né.

Depois de sairmos do Democráticos, fomos nós três (Camilla já tinha ido embora) comer uma pizza. Falamos essencialmente de relacionamento, suas alegrias e paradoxos. Foi meio filosófico demais pra 3h da madrugada numa Lapa, mas tudo bem. No fim da pizza e do assunto, ficamos com a sensação de que a noite havia chegado ao fim. Mas não. Ainda haveria diversão dentro do taxi que me levaria junto com o Carlos para a Tijuca (fui dormir na casa dele) e levaria o Pedro para o Méier. Não, não é o que vocês estão pensando. Ninguém fez meinha dentro do carro. O agente da diversão foi o taxista.

O cara tinha aparência e sotaque de nordestino daqueles do sertão mesmo. Tinha um jeito muito engraçado, e do nada ele começou a contar suas histórias, impregnadas de sexo e palavrões.

(Os parágrafos abaixo contêm linguagem inadequada. Depois não digam que eu não avisei)

Primeiro recordou lembranças acerca de um primo, que segundo ele tinha uma "pica imensa" e que "de tão pesada endurecia pra baixo sem envergar". Contou que certa vez ele e o primo foram se divertir com uma prostituta que cobrou 50 reais pelo sexo com os dois. "Piru pequeno que nem o meu ela disse que encarava na boa, mas quando viu o do meu primo.. puta que pariu... vô não, moço, vai doer". Nessa altura, é fato que eu já estava morrendo de rir. Pedro do meu lado não sabia se ria, se se chorava ou se ficava sem graça.

E o cara não parou por aí: "O pau do meu primo era tão grande, mas tão grande, que certa vez quando ele comeu uma jumentinha lá na na roça, a bichinha começou a gritar, e depois ficou andando pra lá e pra cá atrás dele. Devia achar que era o macho dela. Também, com uma pica daquelas...".  Eu já estava com o maxilar doendo de tanto rir. Chegando na rua do Carlos, o taxista completou: "Ah, quando a gente é moleque é cada merda que a gente faz. A gente come cada coisa. Come tudo o que vê pela frente. Uma vez comi uma cabritinha. Essas cachorrinhas de rua naquela época não passavam em branco".

Enfim, eu e Carlos deixamos o taxi, e o Pedro ainda teve que ir até o Méier escutando os casos zoófilos do taxista. Só sei que foi a corrida de taxi que mais valeu a pena na minha vida. Nunca ouvi tanta besteira junta que me fizesse rir tanto. Confesso que a parte do "comer cabritinha" me assustou. Mas imagina só como deve ser a adolescência no sertão: baixa densidade demográfica, pouca coisa para fazer, muitas éguas, jumentas e cabritas. Soma tudo isso com a puberdade, e... nhé, continua bizarro demais!

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