sexta-feira, 25 de setembro de 2009

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Revendo os últimos posts...
Ok, meu blog tá muito, muito meloso!

Exagerado?


Sou um cara intenso em relação a vida. Não que eu siga à risca aquela filosofia de "viver cada dia como se fosse o último".  Quem me dera. Eu digo no sentido de romantizá-la mesmo.

Exemplo disso é que eu sou um nostálgico completo. Volta e meia me pego pensando na minha infância e em outras épocas e comparo com os dias atuais, e percebo o quão interessante é essa coisa do tempo que passa. Eu costumo fazer cronologia mental do tipo "no ano tal me aconteceu isso e isso, e logo após isso. Puxa, eu não esperava!". E fico então destrinchando aquilo na minha cabeça e desenvolvendo mil sentimentos. Tem muita coisa que eu acho que mudou, outras nem tanto. E isso me deixa feliz ou chateado, dependendo da coisa.

O futuro também é algo sobre o qual costumo pensar. Gosto de vê-lo como sendo imprevisível, capaz de mudar cenários, contextos e conceitos. E imaginar que essas mudanças podem ser abruptas o torna ainda mais interessante para mim. Eu não suporto mesmice. E isso de certa forma me preocupa, afinal a gente precisa se apegar a certas rotinas, como o trabalho, por exemplo. Acho que esse característica fará de mim um profissional constantemente agoniado, haha.

Muitas vezes eu vejo o meu futuro como o próximo capítulo de um seriado, no qual além de protagonista, também sou o roteirista. E fico satisfeito e motivado, pois o fim da história depende de mim. Outras vezes sinto que não tenho a função de roteirista, e isso acaba me desanimando, pois é ruim demais pensar que eu tenha que viver sem poder mudar tudo aquilo sobre o qual desejo mudanças.

E é mais ou menos assim que eu vou vivendo... pensando sobre o passado, pensando sobre o futuro, talvez exagerando demais. Só não posso deixar o presente de lado por causa disso. Afinal é baseado nele que eu vou construir meu futuro (mesmo gostando que ele seja imprevisível) e é dele que vão sair as novas lembranças do meu passado. Mas se querem saber, eu sei viver de presente... um pouco romantizado também por mim, claro.

Sample02

 

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Nova câmera


Renan agora está equipado com uma nova câmera digital!
Seguem abaixo duas das primeiras fotos tiradas com ela: uma do meu grande amigo Diego e uma minha.

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sábado, 19 de setembro de 2009

A raposa e o pequeno príncipe

E foi então que apareceu a raposa:

- Bom dia, disse a raposa.

- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.

- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...

- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...

- Sou uma raposa, disse a raposa.

- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.

- Ah! desculpa, disse o principezinho.

Após uma reflexão, acrescentou:

- Que quer dizer "cativar"?

- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?

- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?

- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."

- Criar laços?

- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou... (Renan explica: é uma rosa que brotou onde o principezinho vive, e ele ficou amigo dela)

- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...

- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:

- Num outro planeta?

- Sim.

- Há caçadores nesse planeta?

- Não.

- Que bom! E galinhas?

- Também não.

- Nada é perfeito, suspirou a raposa.

Mas a raposa voltou à sua idéia.

- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.

O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:

- Por favor... cativa-me! disse ela.

- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.

- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...

No dia seguinte o principezinho voltou.

- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.

- Que é um rito? perguntou o principezinho.

- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!

Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

- Ah! Eu vou chorar.

- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...

- Quis, disse a raposa.

- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.

- Vou, disse a raposa.

- Então, não sais lucrando nada!

- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.

(...)

E voltou, então, à raposa:

- Adeus, disse ele...

- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...

- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.




(Capítulo de "O pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry)
Livro disponível para leitura na internet: http://www.mayrink.g12.br/pp/Cap00.htm

Curiosidade: O Pequeno Príncipe é o segundo livro mais traduzido do mundo. Só perde para a Bíblia.