quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

RenanZices Retrô 2009


Fatos que marcaram este blog:

Em janeiro eu disse que o funk tem muito mais beleza literária em suas letras do que se imagina, e ajudei no combate às mulheres manipuladoras.

Fevereiro, março e abril foram os meses com menor atividade no blog. Mas ainda assim, no primeiro eu alertei que a sua mãe é o ser mais machista que existe. No segundo, mês do meu aniversário, fiz um “vídeo” mal feito de um hamster apaixonado. E no terceiro eu publiquei o meu segundo conto, que foi o que me deu gosto para escrever outros contos posteriormente, utilizando a mesma regra: nome de pessoas conhecidas que se misturam numa história que junta elementos reais e fictícios.

Em maio eu relatei uma noite de forró na Lapa com amigos, e comecei a (sem querer querendo) dar um ar mais filosófico ao meu blog com este texto. Em junho, mês também de pouquíssima atividade por aqui, não houve nada que interesse a vocês para poder relembrar.

Em julho fiz a melhor viagem da minha vida e postei alguns vídeos relacionados à ela. Também dei início ao “Jogo dos 8 erros”, que fez sucesso principalmente em sua terceira ou quarta edição, trazendo para este blog mais de 30 visitantes ao mesmo tempo, segundos após a publicação. Nada que se compare a blogs de sucesso, mas eu fiquei satisfeito.

Eu agosto, um mês de grande atividade por aqui, eu descrevi tipinhos básicos de pessoas que frequentam uma academia e as reflexões e nostalgias continuaram rolando soltas.

Setembro foi o mês do auge reflexivo neste blog. Fugiu totalmente ao próposito inicial de ser engraçado. Exagerei? Talvez. Mas não me arrependo. Temos que entender que escrevemos algo conforme o nosso estado de espírito.

Em outubro eu listei algumas coisas que fizeram sucesso entre a geração nascida em meados dos anos 80. Um texto um tanto cômico, porém seguindo a tendência nostálgica dos últimos meses.

Em novembro eu homenageei um grande amigo, cuja amizade foi fortalecida ao longo desse ano. Diego foi um dos expoentes de 2009 para mim.

Em dezembro eu contei a história mais interessante da minha infância, fiz uma cronologia biográfica minha e relatei um acontecimento tragicômico pelo qual passei no início desse ano.

E só isso, pessoal!
Para os que acompanharam o meu blog ao longo desse ano, meu muitíssimo obrigado! Eu adoro escrever, tenho prazer nisso. Mas a atividade fica intensamente mais gratificante sabendo que as pessoas me leem. Preciso do retorno de vocês. Comentem, critiquem, sugiram…

Desejo a todos um ano de 2010 sem igual!
Muita paz, saúde e sucesso!

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Amores e Amigos


Iniciei uma discussão no twitter, mas acho que tal assunto dá pano para um texto no blog. Imagine um grupo de amigos muito unidos e então um deles se apaixona por outra pessoa e começa a namorar. Como fica essa amizade?

Eu acho perfeitamente normal e aceitável que uma pessoa, após encontrar um amor, se afaste um pouco do seu grupo de amigos. Em nossos corações pode até caber todo mundo, mas o nosso dia tem apenas 24 horas. Acredito e aceito que as pessoas participem mais ou menos das nossas vidas conforme o tempo passa. É comum que, em cada época, estejamos em um grau diferente de proximidade com alguém. Portanto devemos aproveitar ao máximo a relação com essa pessoa quando o momento é de auge.

Se um dos seu amigos começou a namorar, não se chateie pelo fato de ele não sair mais com tanta frequência com você como antes. Ele está vivendo um outro momento, deixe-o curtir. É um direito dele explorar a nova situação da melhor maneira possível e, portanto, dedicar mais tempo ao namoro. Quem já se apaixonou sabe como ficamos diante de um novo relacionamento amoroso, principalmente quando ele está no início. Realmente as nossas atenções ficam mais voltadas para a paixão. É normal.

E é claro que a amizade não precisa ser rompida. Dá para conciliar a amizade com o namoro sem que haja um afastamento total, mas procure aceitar uma frequência menor de saídas e procure controlar aquele típico ciúme de amigo.

Mas cuidado: se você percebe que o seu amigo está diferente com você e/ou sendo influenciado demais, você pode e deve agir. Converse e tente fazê-lo enxergar que ele anda vacilando na amizade e prejudicando a si mesmo.

No mais, fique frio. Essas coisas acontecem. Verdadeiros amigos jamais te deixam de lado. E não é você quem vai fazer isso só porque ele adquiriu um novo foco. Releve, entenda. Se houver um rompimento é porque a amizade não era tão grande assim. Em amizades, os rompimentos só acontecem em duas situações: amizade fraca ou tentativa de se livrar de uma paixão - afinal, no caso de uma relação de amizade homem-mulher, é comum que o ciúme de amigo na verdade seja outro. Algo mais forte pode estar imperando. E aí, o melhor a se fazer é dar um tempo mesmo.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Topo


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Sinta essa energia
Caia em emoção
O céu não é o limite
Você está enganado
Seu poder pode te surpreender
Coisas inimagináveis estão ao seu alcance
Nada pode te impedir
Mesmo que esteja sozinho
Você é maior do que pensa
Suas atitudes influenciam o restante
Pode sonhar
Não é proibido não
O pote de ouro pode até estar longe
Mas sua força é suficiente para alcançá-lo
Você é dono de si
E como tal é capaz de se adequar aos seus objetivos
E assim atingi-los da melhor maneira possível
Mas não se esqueça
Apaixone-se
Viva
Ame
E o mais importante
Faça o bem
Faça por merecer
É esse o fermento das suas conquistas
Seja amigo
Aceite bons conselhos
Siga bons exemplos
No fundo você sabe quais são eles 
Não seja somente plateia da vida dos outros
Seja também o protagonista da sua
Coloque as mãos para o alto
Sinta a brisa gelada de um sol morno pela manhã
Respire melhor
Sorria
Busque a felicidade
Dê gargalhadas
Esteja calmo
Seja leve
Para então poder flutuar
E flutuando você subirá
Cada vez mais alto
E mais alto
Rumo ao topo

no_topo

por Renan Mariano

Feliz Natal!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Princípio de Pascal aplicado ao Renan

Todo mundo sabe que todos nós estamos sujeitos aos fenômenos da física. Seja esbarrando no sujeito ao lado após uma freada brusca do motorista de ônibus ou levando aquele choque gostoso após enfiar o dedo na tomada, a física vive nos pregando peças. E não são só peças práticas. Ela também nos ferra teoricamente, em provas do colégio e faculdade. Tais fatos fazem com que a maioria das pessoas tenham uma relação de ódio com a física. Alguns fogem à essa regra e se tornam estudantes de engenharia/masoquistas.

Pois bem. No início desse ano a física me pregou uma peça com uma de suas propriedades que, pelo que eu saiba, não costuma sacanear tanta gente por aí. Ela foi super criativa comigo. Eu poderia ter morrido! Sério! Estou falando do Princípio de Pascal. Sabe o que é? Esqueceu né? Ok, eu também. Mas pesquisei. Vamos lá.

Segundo a Wikipedia, Princípio de Pascal é o princípio físico elaborado pelo físico e matemático francês Blaise Pascal (1623 - 1662), que estabelece que a alteração de pressão produzida num líquido em equilíbrio transmite-se integralmente a todos os pontos do líquido e às paredes do recipiente.

Não pare de ler ainda, você vai entender. Observe a figura abaixo.

hidrostatica_12

Temos duas colunas líquidas. Vamos supor que sem o carro, todo o líquido está em equilíbrio (não sobe e nem desce). Se colocarmos um carro sobre um embolo gigante (algo super viável) na “boca” de uma das colunas líquidas, o peso do carro exercerá uma pressão não somente sobre o líquido que ali perto se encontra, mas em todo o recipiente, fazendo aumentar o nível do líquido lá do outro lado. Simples e intuitivo. Mas agora o que isso tem a ver comigo?

Então. No início desse ano (mais precisamente em 1º de fevereiro) meu apêndice resolveu inflamar. Eu estava comendo um churrasco na casa do meu tio quando comecei a sentir fortes dores de barriga. Quem me dera se fosse apenas uma diarréia. Bom, após ir em dois hospitais, fui operado no dia 3 de fevereiro. Operação de apencite costuma deixar o paciente internado por 3 dias. Foi o tempo que fiquei no hospital.

Como todo o paciente internado, eu precisava de medicamentos e soro. Então a minha veia do braço foi perfurada, e por ali eu recebia os líquidos necessários para me recuperar. As bolsas de soro ou remédios eram penduradas naquele suporte grandão (não sei o nome), e a ele eu ficava preso. Para todo o lugar que eu fosse (banheiro - não há muitos lugares para onde ir quando se é paciente de hospital) tinha que levar aquele treco comigo. E a bolsa ficava lá em cima, pendurada. Um saco.

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Taí um desenho que ilustra a minha situação: eu (muito chateado), o suporte (em azul) e a bolsa mais a borrachinha ligada à minha veia (em verde). Lá no hospital eu apelidei o conjunto suporte/bolsa/borracha de Maria Eugênia, inspirado pelo Kléber Bambam, que em sua participação no Big Brother Brasil 1, ficou agarrado o tempo todo com uma bonequinha feita de lata, cujo nome era o mesmo.

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Eu tinha que manter a Maria Eugênia sempre mais alta do que eu. Não podia ficar muito em pé. O ideal era ficar deitadinho para evitar o acontecimento do que vou relatar a seguir.

Em um dos dias em que estive no hospital, uma das minhas tias me ligou para saber como eu estava (curiosamente a Cris, minha tia de humor mais negro). Como eu já estava de pé (fui desobediente, ficava andando o tempo todo pra lá e pra cá com a Maria Eugênia), apenas peguei o telefone e permaneci assim. Eu e Maria Eugênia ficamos então praticamente da mesma altura.

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Em marrom, o telefone. Pois bem. Se eu estivesse deitado na cama, a Maria Eugênia ficaria mais alta que eu e o líquido da bolsa escorreria sem barreiras para dentro da minha veia. Mas como eu estava de pé, parte dos meus fluidos orgânicos (SANGUE!) que estavam numa altura maior que a da borracha fizeram pressão sobre ela. E então…

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Isso mesmo, minha gente. Aconteceu o que se chama de refluxo. E o desenho não é um exagero. O meu sangue chegou realmente até a bolsa. E eu, falando ao telefone animadamente, não estava percebendo a merda que estava acontecendo. Quando finalmente desliguei o telefone, olhei para a Maria Eugênia e fiquei em estado de choque. Demorei alguns segundos até tomar a atitude de apertar a campainha para alertar as enfermeiras. E não me contentei somente em apertá-la, eu gritei pelas enfermeiras. Patético, haha. Mas eu tive que fazer isso. Era o meu sangue, em grande quantidade, saindo do meu corpo. Não era exame, doação, nem nada. Era um acidente, e aquilo era angustiante.

A enfermeira não demorou a chegar. Quando ela entrou, não precisei explicar nada. Ela simplesmente olhou para a Maria Eugênia e fez uma cara de criança quando abre a porta do quarto dos pais e os pega transando: um misto de nojo, riso e paralisia, com a boca aberta. Quando finalmente ela conseguiu gesticular a mandíbula para falar, ela disse: “nunca vi um refluxo desses”. Uau, animador. Para piorar o meu desespero, chega uma outra enfermeira atrás, que faz extatamente a mesma cara, só que com mais deboche. As duas se olhavam, não conseguiam formular uma frase e não sabiam o que fazer. AS ENFERMEIRAS NÃO SABIAM O QUE FAZER. “Vou morrer”, pensei.

Mas ainda bem que essa paralisia foi no instante de susto somente. Logo a primeira enfermeira que havia entrado tratou de cortar a borrachinha e dar fim à bolsa. E eu ainda tive que ouvir: “e tanta gente precisando de sangue”. Vejam só. Eu ali, num acidente, meu sangue saindo, morrendo de medo, e a mulher comentando que o tal sangue desperdiçado poderia estar sendo usado para doação. Eu hein, como se a culpa fosse minha.

Enfim, é essa a história. Não aconteceu nada comigo, ainda bem. Só perdi aquele tantão de sangue mesmo, sem maiores consequências. Esse foi o único fato divertido (hoje é divertido lembrar) para contar sobre os dias em que fiquei internado. De modo geral, eu não gosto de lembrar daqueles dias, que apesar de terem sido apenas 3, foram terríveis. Mesmo tendo plano de saúde e ter ficado em quarto particular e etc, eu fiquei muito deprimido e inquieto, afinal hospital é hospital né. E física é física. Natural, porém complexa e impiedosa.

Não foi dessa vez, Pascal.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Amigos


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Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples fato de terem cruzado o nosso caminho. Algumas percorrem ao nosso lado vendo muitas luas passarem. Mas outras vemos apenas entre um passo e outro. E a todas elas chamamos de amigo.

Talvez cada folha de uma árvore caracterize um deles participando da história de nossas vidas. Existem amigos que costumam colocar muito sorrisos em nossa face durante o tempo em que estão por perto. Há aqueles que estão no começo dos galhos, mas quando o vento sopra, sempre aparecem entre uma folha e outra.

O tempo passa, o outono se aproxima, e perdemos algumas folhas. Algumas nascem em um outro verão, mas são poucas que permanecem por muitas estações. Mas o que me deixa mais feliz é que algumas continuam alimentando a nossa raiz de lembranças de momentos maravilhosos. Pois cada pessoa na nossa vida é unica. Sempre deixam um pouco de si e levam um pouco de nós. Mas não há nunca as que não deixaram nada. Essas também chamamos de amigo.

Texto retirado do álbum de fotos de Fernanda Vieira no orkut.
Mais sobre o assunto aqui.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Cronologia biográfica


1987 – Nasci na cidade de São João de Meriti, na maternidade Teresinha de Jesus. Segundo minha mãe, um parto normal bem tranquilo. “Você escorregou, não fiz força alguma, quase caiu no chão”, diz ela. Desconfio que de fato eu tenha caído e batido com a cabeça, mas ela não confessa.

1988, 1989, 1990 – Não lembro de nada.

1991 – A lembrança mais antiga que tenho da minha vida (primeira memória) aconteceu num evento ocorrido neste ano. Foi o aniversário de 90 anos de uma das minhas bisavós, em Volta Redonda. Lembro da piscina do casarão e do meu medo de cair dentro dela. Lembro que uma menina sentou perto de mim e eu fiquei morrendo de vergonha. Tenho fotos desse dia no orkut. Esse também foi o ano em que entrei no Jardim. Chorei nos três primeiros dias, com direito a pirraças no meio do pátio.

1992, 1993 – Meus choros se tranformaram em sorrisos. Eu passei a adorar a escola. Ainda lembro da minha primeira escola. A execução do Hino Nacional antes das aulas, as massinhas de modelar, os desenhos, o cheiro da merendeira, uma mistura de lanche gostoso (geralmente biscoito e suco) com plástico. Tudo tão simples e puro. Inesquecível! Em 1993 me mudei para a casa em que moro atualmente.

1994, 1995, 1996, 1997 – Não lembro de nenhum fato expressivo. Em 1997 eu tinha 10 anos, estudava, brincava e, creio eu, era uma criança normal.

1998, 1999, 2000, 2001 – Época do ginásio (5ª à 8ª série), como chamavam antigamente. Foram anos marcantes, devido à transição da infância para a adolescência. Entrei na natação e fui promissor no esporte. Foram nesses anos que fiz os meus primeiros amigos, alguns deles com quem até hoje mantenho contato, outros dos quais me lembro com carinho. Em 2000 me apaixonei perdidamente por uma menina do colégio. Coincidendemente, em 2001, nos tornamos o casal de representantes de turma daquele ano, por eleição direta e democrática. Minha visão romanceada das coisas me dizia que aquilo era um sinal. Não deu em nada.

Percebam que eu lembro dos fatos da minha vida sempre tomando como referência a que série do colégio eu estava. É uma ótima referência, creio que não só para mim.

2002 – 15 anos, 1º ano do Ensino Médio. Um homenzinho. Mas eu ainda não tinha noção do que eu queria para o futuro. Ok, normal nessa idade. Mas eu sequer mostrava aptidão para algo específico. Já começava a enjoar da natação. Parei de ganhar medalhas em competições interescolares. Era um bom aluno, me interessava por tudo. Mas isso também era um problema. Até que um dia os meus amigos da turma levaram o desenho de um circuitinho de rádio. Eles queriam fazer Técnico em Eletrônica. Eu torcia o nariz, mas…

2003 – … influenciado por esses amigos, acabei ingressando no tal técnico. Era um curso oferecido pelo próprio colégio onde estudei, uma espécie de pacote… combo. Comecei a gostar.

2004 – Um ano marcante. Por ser bom aluno, fui convidado pela coordenadora do curso técnico a fazer um estágio como técnico do laboratório no colégio. Eu tinha 17 anos e possuia uma rotina pesada. De manhã cursava o 3º ano do Ensino Médio, de tarde fazia o técnico, e à noite ficava no estágio até às 22h. Voltava de ônibus, com outros estagiários e amigos que estudavam de noite. Chegava em casa às 23h. Me sentia um tanto independente. Foi o ano em que senti um pequeno gosto do que era ser profissional. Participei de muitos cursos de formação extracurricular e de festinhas de funcionários do colégio. Conheci muita gente interessante e aumentei a minha rede social. Menininhas para cá, menininhas para lá, mas nada de especial. Convivi mais com adultos e pude me aproximar do mundo deles. Amadureci. Também tive conflitos com outras pessoas na época. No fim desse ano eu ouvi dizer que as universidades públicas eram as melhores. Sem estudar, tentei o vestibular. Sem sucesso.

2005 – Eu poderia ter continuado e trabalhar como técnico. Mas desde o fim do ano anterior meti na cabeça que queria fazer faculdade em universidade pública, e que tinha que ser na UFRJ. Engenharia Eletrônica. Terminei o técnico, mas pendurei as chuteiras. De estagiário bem visto e bem relacionado no início de uma carreira profissional, voltei a ser um mero estudante, tentando concurso público. No início senti como se estivesse retrocedendo. Mas o meu objetivo era o vestibular. Passei na UFRJ, além de outras três.

2006, 2007 – O ciclo básico de uma faculdade de engenharia ninguém esquece. Posso dizer que a minha autoestima de bom aluno, elogiado e querido pelos professores, foi quebrada em pouquíssimo tempo. Não reprovei, mas meu desempenho era mediano. Havia uma certa competição interna entre os alunos, às vezes até explícita, que tornava o ambiente um tanto pesado. Isso me incomodava. Percebi que não eu era tão bom como imaginava. E é difícil lidar com isso depois de anos, quando as pessoas te faziam acreditar o contrário. No amor, tive conflitos. Ou melhor, tive conflitos justamente pela falta de amor. Se apaixonaram por mim, mas eu não me apaixonei por ninguém. Pela primeira vez eu ouvi que eu era como todos os homens… um cachorro. Tadinho de mim.

2008 – Fim do ciclo básico. As coisas começaram a melhorar. Meus laços de amizade com o pessoal que entrou comigo na faculdade se fortificaram. O ambiente foi se tornando um pouco mais sereno. Em termos de coração eu estava livre, mais solteiro do que nunca.

2009 – Considero este o ano mais “emoção” da minha vida, extremamente marcante. Pra mim o ano começou no dia 3 de fevereiro, dia em que fiz cirurgia para a retirada do apêndice. Não seria nada de mais se este fato não fosse o primeiro da sequência de fatos que me aconteceu logo após. Meu mês de março não foi muito bom. Tive crise de ansiedade, mal estar mental, sensação de mudança, não sei bem o quê e nem porquê. Parecia um presságio. 2009 tinha tudo para ser um ano como outro qualquer. Seria a continuidade da faculdade, não visava arrumar um estágio ainda. Meu objetivo era somente seguir em frente da forma como foi 2008. Porém as coisas mudaram de vez. Conquistei um grande tesouro. Pensei muito, refleti, questionei, fiquei feliz, entristeci, aproveitei, vivi…

Por enquanto é só!
Para 2010 eu gostaria de um ano como foi 2004, com estágio e muitas oportunidades em vista, só que dessa vez em nível superior. Também quero o mesmo tempero que deu sabor a 2009. Será que 2010 superará 2009? Tem tudo para isso. E eu quero me surpreender, assim como me surpreendi este ano.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Coisas de bar

Noite chuvosa de quarta-feira. Rafael entrou no bar, sentou-se sozinho, afrouxou a gravata e pediu uma cerveja bem gelada. O local estava vazio. Avistou Fernanda posicionada num cantinho, fumando, sozinha, com o olhar distante, ali perto da jukebox, que tocava Alcione. Pensou "Por que não?" e foi ao encontro da moça.
Jukebox: Sou doce, dengosa, polida
-Oi.
Jukebox: Fiel como um cão, sou capaz de te dar minha vida
-Oi.
Jukebox: Mas olha, não pise na bola
- Qual o seu nome?
Jukebox: Se pular a cerca eu detono, comigo não rola
- Desista. Você não vai conseguir nada - Fernanda virou o rosto.
Jukebox: Sou de me entregar de corpo e alma na paixão
- Só me diz o seu nome - Rafael jogava charme com olhar.
Jukebox: Mas não tente nunca enganar meu coração
Chuva: shhhhhh
- Fer-nan-da - disse, soltando fumaça para cada sílaba.
Jukebox: Amor pra mim, só vale assim, sem precisar pedir perdão
- Belo nome - disse, piscando o olho e arriscando colocar sua mão na mão na moça.
Jukebox: Adoro sua mão atrevida
- Obrigada - ela sorriu e deu mais uma tragada no cigarro, olhando para ele.
Jukebox: Seu toque seu simples olhar já me deixa despida
Trovão: Grrrrr booom
- Você é linda - continuou.
Jukebox: Mas saiba que eu não sou boba
- Não vai me conquistar assim, querido.
Jukebox: Debaixo da pele de gata eu escondo uma loba
- E como posso te conquistar então?
Jukebox: Quando estou amando eu sou mulher um homem só
- Me seduza.
Jukebox: Desço do meu salto, faço o que te der prazer
- Vai ser fácil. Aliás, você já está seduzida por mim - olhava fixamente para ela.
Jukebox: Mas ó meu rei, a minha lei, você tem que saber
- Convencido. Você deve ser daqueles que não valem nada - riu.
Jukebox: Sou mulher de te deixar se você me trair
- Prefiro deixar que você descubra.
Jukebox: E arranjar um novo amor só pra me distrair
Chuva: shhhhhh. Trovão: booomm grrrr.
- Até que eu estou afim de me aventurar. Deu sorte.
Jukebox: Me balança mas não me destrói
- Será que posso chamar de sorte? Quero muito avaliar.
Jukebox: Porque chumbo trocado não doi
- Não iria se arrepender - sorriu, soltando fumaça e olhando para ele com tesão.
Jukebox: Eu não como na mão de quem brinca com a minha emoção
- Vamos sair daqui - estendeu a mão para ela.
Jukebox: Sou mulher capaz de tudo pra te ver feliz
- Não me decepcione, gato. Senão não me verá nunca mais - pegou na mão dele.
Jukebox: Mas também de cortar o mal pela raiz
- Agora sou eu quem digo: não se arrependerá.
Jukebox: Não divido você com ninguém
- E eu garanto que com uma mulher como eu, você não precisaria de outra.
Jukebox: Não nasci pra viver num harém
Chuva: shhhhhh
- Não duvido. Meu carro tá ali.
Jukebox: Não me deixe saber ou será bem melhor pra você... me esquecer

E assim, Rafael e Fernanda saíram do estabelecimento.
O balconista lavava alguns copos enquanto assistia a cena. Dizia para si mesmo: "ih, vai ter".

A Jukebox mal terminava a música, quando um trovão forte fez com que faltasse luz no bar. Era o fim do expediente para o balconista e o início de uma noite despudorada para o novo casal.

sábado, 5 de dezembro de 2009

A cabana

De todos os fatos da minha infância, o episódio da cabana talvez tenha sido o mais marcante de todos. Na verdade eu não era tão criança assim. Tinha uns 12, 13 anos na época. Mas acredito que tenha sido marcante justamente por causa dessa idade de transição.
Não posso começar a falar da cabana sem antes falar do Alan. Alan foi um moleque da minha idade que passou pela minha vida de forma rápida, mas que jamais vou esquecer. Se a história da cabana fosse um filme, o Alan seria o vilão. Um belo dia eu estava na rua brincando com o pessoal convencional da área, até que do nada surgiu um grupo de moleques que eu nunca tinha visto. Estavam de bicicleta. Um deles era o Alan, novo no bairro. Parece que um dos meus colegas da rua conhecia o grupo, o que os levou a conversarem conosco. O Alan parecia ser o líder deles. Era ele quem mais falava e o que ficava no meio de todos. Em algum momento da conversa, o Alan sugeriu que construíssemos uma cabana para podermos brincar... pura aventura de moleque.
Cabe aqui agora falar do Marcos Paulo. Posso dizer que o Marcos Paulo foi o meu maior amigo na infância. Talvez mais pelo tempo de convívio (garotos se mudavam para o bairro, outros iam embora, mas o Marcos Paulo sempre esteve lá) do que pelo sentimento de amizade de fato. Aliás, na infância ninguém fica se declarando amigo de alguém. As crianças só querem brincar e pronto. Tenho fotos minhas com o Marcos Paulo brincando aqui em casa. Bons tempos.
Enfim... eu estava meio arredio com a ideia do Alan, mas o Marcos Paulo gostou e ofereceu os fundos da sua casa para a construção do "empreendimento", desde que seus pais permitissem, lógico. Com a permissão dada, dias depois decidimos ir até a casa do Marcos Paulo e começar logo a brincadeira. Ao chegarmos lá, descobrimos por quê os pais dele aceitaram a "zona" tão rapidamente: o quintal dos fundos estava extremamente tomado por mato. E para fazermos qualquer coisa ali teríamos que capinar boa parte do terreno. Seria bom para eles. Nada que nos fizesse desanimar. Enxadas na mão, capinamos. E demorou dias. O terreno não é tão grande assim, mas sabe como é né... moleques, farra, falta de prática... demorou.
Durante esse tempo o Alan foi se tornando mais um amigo meu. Enquanto o terreno estava sendo preparado na casa do Marcos Paulo para receber a cabana, o Alan começava a frequentar a minha casa. Falava sobre cada coisa que me deixava constrangido. Uns assuntos meio pesados para a idade: sexo, crime, e outros assuntos de adulto. Não parecia ter a mesma idade que eu. Minha mãe o achava muito inteligente e gostava dele (isso porque ela não ouvia os papos estranhos dele). Mas de fato inteligente ele era. Só que a sua inteligência me assustava. Havia malícia no Alan. Apesar de me sentir um pouco incomodado às vezes, o Alan era simpático e se fazia uma companhia legal para brincar. Ele também sabia persuadir, e assim liderava, naturalmente.
O terreno havia ficado pronto. Estava bem legal. Num belo sábado de sol, cheguei à casa do Marcos Paulo, e lá estava o pai dele já ajudando a erguer a cabana. Nada de madeira. Foi feita com uma lona azul mesmo, daquelas que a gente coloca para cobrir parte do quintal quando está chovendo e queremos fazer churrasquinho. Ficou pronta no mesmo dia. Um espétaculo aos meus olhos infanto-juvenis. Era a brincadeira que mais tinha dado trabalho na minha vida. Após isso, passamos a ir na casa do Marcos Paulo todos os dias para brincar.
Nossa cabana ganhou um nome: "Toca dos Lobos". Mas parece que o nome não vingou. Ninguém a chamava assim. Nos referíamos a ela pura e simplesmente como "cabana". Ela tinha um cofre embaixo do tapete (sim, tinha um tapete!) onde guardávamos o que a gente mais tinha de valioso: um bocado de limões. Tá, na verdade colocamos limões somente para o cofrer ter algo. E fingíamos que os limões eram valiosos e pronto. Ao lado da cabana tinha uma espécie de concreto em formato de rosquinha. Na verdade um roscão. O buraco era bem maior que uma bunda. Era o nosso banheiro. Qualquer um que quisesse fazer o número 1 ou o 2 deveria usar o roscão de concreto. O André (o outro paticipante da cabana, eram 4 no total) o usou para o número 2 uma vez. De noite. Levou vela. Foi uma zoação só, coitado.
Os dias se passavam e a cabana deixava de ser apenas uma das muitas brincadeiras para se tornar uma época diferente na minha infância (ou pré-adolescência). Pela primeira vez eu participava de um grupinho fixo de amigos de rua, como se fosse um clube do bolinha. Foi na cabana que eu vi pela primeira vez uma revistinha pornô. Uma história em quadrinhos com fotos de verdade envolvendo um tio garanhão e uma sobrinha safada. Uma coisa terrível. Aquelas imagens ficaram na minha cabeça por muito tempo, haha.
A cabana começou a declinar por causa do Alan. Ele tinha uma personalidade um tanto difícil de se lidar. Não me lembro o motivo, mas parece que ele havia desagradado o Marcos Paulo, ou a mãe dele, sei lá. Só sei que brigamos com ele, e o Alan foi expulso do "clube". Ele disse que iria se vingar. E não demorou muito. Certa vez estavámos eu, Marcos Paulo e André dentro da cabana, quando um pedregulho enorme entra por uma das laterais, destrói a lona e por pouco não acerta a cabeça do André. O Alan a jogou de um outro terreno que dava vista para a cabana. Aquela pedra poderia facilmente matar um.
A confusão piorou. O Alan não nos dava sossego. Até ameaças ele fazia. Lembro de uma vez em que ele chutou o meu carrinho de controle remoto, na calçada da minha casa, com a minha mãe ali. Que abusado! Eu já estava por aqui com ele. Uma vez eu estava andando na rua, e ele veio atrás de mim cantarolando "olha o magrelinho". Não sei o que me deu naquele momento. Virei para ele e, de forma impulsiva, a única coisa que consegui fazer foi dar um soco na cara daquele moleque. O primeiro e único soco que dei em alguém. Mas nem posso dizer que foi uma briga de rua. Porque eu... bem... após ter dado o soco, eu... er... eu... corri para casa, com medo. Ah, detalhe: ele usava óculos, e dei o soco com óculos e tudo. Ficou torto no rosto dele depois :P
Após todos esses e alguns outros acontecimentos, nosso interesse pela cabana foi murchando. Até que um dia ela foi desmontada. Mas um fato ocorreu depois. Certo dia, a mãe do Alan veio falar com a minha, dizendo que o filho dela estava muito arrependido de ter aprontado tanto e que queria ter os amigos de volta. Minha mãe me chamou para falar com a moça. Humildemente ela me perguntou se eu queria voltar a ser amigo do seu filho. Disse que ele tinha alguns problemas, que o pai era ausente, que eles se mudavam muito e que o filho tinha dificuldade para manter as amizades. Eu não quis. Simplemente balancei a minha cabeça e disse "não".
Quando eu penso nisso, sinto que fui um pouco cruel em relação à minha atitude em não querer mais o Alan por perto. Afinal, a mãe dele disse que o garoto estava arrependido e muito triste. Mas naquele momento não dava. As coisas que o Alan falava e fazia davam medo, não só a mim, mas a todos nós da cabana. Ele trazia um ar pesado para o ambiente. Depois disso ele se mudou e eu nunca mais o vi. Será que hoje em dia ele é psicopata? Bom, ele tinha todos os requisitos, hehe. Mas eu espero que não. Se ele tinha realmente problemas pessoais sérios naquele tempo, espero sinceramente que tenha superado todos eles.
A cabana foi realmente uma época inesquecível. Foi através dela que eu participei do meu primeiro trabalho em equipe sem ser no colégio. Capinei, trabalhei, dei ideias, acatei ideias. Me dediquei realmente ao "projeto". Tudo isso dentro de uma época de mudanças: da infância para a adolescência. Várias conversas interessantes com esses amigos, muitos questionamentos, muitas besteiras surgiam, risadas. É incrível, mas eu ainda consigo sentir o cheiro do mato daquele terreno. Hoje em dia já não tenho mais tanto contato com o Marcos Paulo. Mal o vejo. Nos cumprimentamos nas raras vezes que nos vemos, e só. Mas qualquer dia eu ainda vou pedir a ele para ver aquele terreno novamente, só para reviver um pouco aquele momento.
Sabe... eu posso dizer que a cabana foi um divisor de águas na minha vida. Após ela eu deixei de brincar como eu brincava. Entrei no Ensino Médio e uma nova época se iniciava.