domingo, 6 de dezembro de 2009

Coisas de bar

Noite chuvosa de quarta-feira. Rafael entrou no bar, sentou-se sozinho, afrouxou a gravata e pediu uma cerveja bem gelada. O local estava vazio. Avistou Fernanda posicionada num cantinho, fumando, sozinha, com o olhar distante, ali perto da jukebox, que tocava Alcione. Pensou "Por que não?" e foi ao encontro da moça.
Jukebox: Sou doce, dengosa, polida
-Oi.
Jukebox: Fiel como um cão, sou capaz de te dar minha vida
-Oi.
Jukebox: Mas olha, não pise na bola
- Qual o seu nome?
Jukebox: Se pular a cerca eu detono, comigo não rola
- Desista. Você não vai conseguir nada - Fernanda virou o rosto.
Jukebox: Sou de me entregar de corpo e alma na paixão
- Só me diz o seu nome - Rafael jogava charme com olhar.
Jukebox: Mas não tente nunca enganar meu coração
Chuva: shhhhhh
- Fer-nan-da - disse, soltando fumaça para cada sílaba.
Jukebox: Amor pra mim, só vale assim, sem precisar pedir perdão
- Belo nome - disse, piscando o olho e arriscando colocar sua mão na mão na moça.
Jukebox: Adoro sua mão atrevida
- Obrigada - ela sorriu e deu mais uma tragada no cigarro, olhando para ele.
Jukebox: Seu toque seu simples olhar já me deixa despida
Trovão: Grrrrr booom
- Você é linda - continuou.
Jukebox: Mas saiba que eu não sou boba
- Não vai me conquistar assim, querido.
Jukebox: Debaixo da pele de gata eu escondo uma loba
- E como posso te conquistar então?
Jukebox: Quando estou amando eu sou mulher um homem só
- Me seduza.
Jukebox: Desço do meu salto, faço o que te der prazer
- Vai ser fácil. Aliás, você já está seduzida por mim - olhava fixamente para ela.
Jukebox: Mas ó meu rei, a minha lei, você tem que saber
- Convencido. Você deve ser daqueles que não valem nada - riu.
Jukebox: Sou mulher de te deixar se você me trair
- Prefiro deixar que você descubra.
Jukebox: E arranjar um novo amor só pra me distrair
Chuva: shhhhhh. Trovão: booomm grrrr.
- Até que eu estou afim de me aventurar. Deu sorte.
Jukebox: Me balança mas não me destrói
- Será que posso chamar de sorte? Quero muito avaliar.
Jukebox: Porque chumbo trocado não doi
- Não iria se arrepender - sorriu, soltando fumaça e olhando para ele com tesão.
Jukebox: Eu não como na mão de quem brinca com a minha emoção
- Vamos sair daqui - estendeu a mão para ela.
Jukebox: Sou mulher capaz de tudo pra te ver feliz
- Não me decepcione, gato. Senão não me verá nunca mais - pegou na mão dele.
Jukebox: Mas também de cortar o mal pela raiz
- Agora sou eu quem digo: não se arrependerá.
Jukebox: Não divido você com ninguém
- E eu garanto que com uma mulher como eu, você não precisaria de outra.
Jukebox: Não nasci pra viver num harém
Chuva: shhhhhh
- Não duvido. Meu carro tá ali.
Jukebox: Não me deixe saber ou será bem melhor pra você... me esquecer

E assim, Rafael e Fernanda saíram do estabelecimento.
O balconista lavava alguns copos enquanto assistia a cena. Dizia para si mesmo: "ih, vai ter".

A Jukebox mal terminava a música, quando um trovão forte fez com que faltasse luz no bar. Era o fim do expediente para o balconista e o início de uma noite despudorada para o novo casal.

Um comentário:

Diego Martins! disse...

Agora falta contar como foi essa noite a dois...