domingo, 24 de outubro de 2010

Por Renan Mariano

 escritor
Já ouvi dizer (e li) várias vezes que um homem pode se considerar realizado se fizer três coisas: ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Bom, eu já plantei uma árvore; na verdade um pé-de-feijão; mas não tenho culpa de a minha tia tê-lo destroçado quando ela varreu o quintal certa vez.

Ter um filho é algo complicado; envolve muitas coisas. Primeiro é preciso ter alguém com quem dividir esse sonho (ou fardo, como quiserem chamar). Segundo, é preciso ter condições psicológicas e financeiras para isso. Sou imaturo, solteiro e ainda vou me formar. Então ACHO que isso torna a realização de ter um filho complemamente inviável durante muito tempo ainda. Sobrou então escrever um livro. E é sobre isso que eu vou falar.

Ultimamente estou num pique danado para a leitura. Somando esse pique com o fato de eu gostar de escrever contos – os quais publico por aqui –, acabei desenvolvendo a vontade de escrever um livro. Não sei se é uma vontade passageira (afinal só em pensar no trabalho que deve ser pra escrever e publicar um livro já fico desanimado), mas ando pensando cada vez mais nisso. Só que esse também não é um projeto para agora, porém talvez seja algo que possa ocorrer antes do filho; se houver mesmo um filho né.

Bom, eu não sei sobre o que eu escreveria, mas eu sei sobre o que eu não escreveria: não seria explicitamente sobre mim (até porque poucos – ou ninguém - se interessariam por isso) e nem sobre nada acadêmico ou científico (já basta o meu projeto final de graduação). Seria uma história mesmo. Ficção. Com personagens, enredo, etc.

No colégio, o estilo literário que eu mais gostei de aprender foi o realismo; pessoas comuns, de classe baixa/média, grande descrição do ambiente e avaliação psíquica dos personagens, estes mostrando os seus lados heroicos e podres. Eu não gostava do romantismo e aquela coisa toda de alta aristocracia com personagens com conduta perfeita. Nem daqueles romances indianistas. Iracema é uma índia maravilhosa, gostosíssima e com hálito de baunilha; mas representa muito pouco as verdadeiras índias brasileiras, todas de peito caído. Gosto mesmo é de Machado de Assis; Bentinho alucinado achando que foi traído por Capitu e seu melhor amigo, Escobar, ao ponto de estragar a sua vida e terminar sozinho. Adultério (ou pelo menos a insinuação de um) apimenta qualquer história.

Longe de mim querer me comparar aos grandes autores. Não chego nem na bactéria da unha do pé de cada um deles. Mas se fosse para escrever uma história, seria por aí. Nada de personagens perfeitos. Eu não sou perfeito, ninguém é perfeito. Ao ler um livro, as pessas procuram se identificar. E ninguém jamais vai se identificar com um personagem perfeito.

Nossa afinidade com as pessoas se dá em grande parte devido a um defeito em comum que temos com elas. E isso também se aplica a um personagem de um livro. É aquela coisa do tipo “caraca, eu já fiz isso!” ou então “caraca, eu sou assim também!”. Pessoas com os mesmos defeitos se atraem, pois elas se compreendem. A atração por qualidade em comum também existe, claro. Mas nessa não há o fator compreensão, pois não há o que compreender, já que está tudo certo mesmo.

Não faço ideia do ambiente, do nome dos personagens e nem do enredo do livro. E nem quero me preocupar com isso. Como eu já disse, é um projeto para o futuro. Mas sem dúvida que haveria muito de mim ali. É justamente isso que faço com os meus contos. Praticamente todos são ficções inspiradas em coisas que já vivi, que já vi ou que tenho vontade de fazer; são os alter egos da história da minha vida, onde os fatos são totalmente maquiados para se tornarem mais interessantes.

Imagina só como deve ser legal ser abordado na rua por um desconhecido dizendo que gostou do seu livro. Sonhando mais alto… deve ser extremamente gratificamente saber que você escreveu um best seller! Quem sabe né? E já tô eu aqui com a minha mania de grandeza. Dá licença que eu vou ali rapidinho fazer filhos gêmeos e plantar um baobá.

4 comentários:

viniciusferrao disse...

Vai utilizar personagens pseudofalsos?

Renan Mariano disse...

Pseudofalsos foi ótimo! Não se preocupe, não vou envergonhar nenhum conhecido falando deles, hehe.

viniciusferrao disse...

Taque a merda no ventilador! :)

Diego Martins! disse...

Tô precisando me dedicar mais à leitura...