domingo, 10 de outubro de 2010

Vaidade


Vou dividir uma coisa com vocês. Talvez o maior dos meus defeitos seja a vaidade que há dentro de mim. Não falo daquela vaidade metrossexual de cuidados excessivos com a aparência, mas sim de vaidade de espírito. Taí uma coisa que eu acho que ninguém sabia; mas creio que bons observadores conseguem captar.

Minha alma não se contenta com o "fazer o bem sem esperar nada em troca". Sinto-me feliz quando tenho a oportunidade de ser solidário; entretanto, parte dessa felicidade está relacionada à gratificação recebida. É quase uma condição necessária para a satisfação. Praticar solidariedade não-gratificada pode não me tornar insatisfeito com o ato, mas pode me levar à indiferença. Contudo, se na palavra "solidariedade" o "não esperar nada em troca" está inerente, talvez isso significa que, no fundo, eu seja menos solidário do que acredito ser.

Quando eu falo em gratificação, não quero dizer que eu gosto de fazer as coisas por dinheiro. Não me interpretem mal; nada disso. Não falo em ambição ou interesse, mas sim em vaidade pura mesmo. Receber um grande elogio é uma ótima forma de retorno. Aliás, devo admitir que receber elogios está longe de ser algo dispensável para mim. E isso se torna contraditório quando é levada em conta toda a minha timidez, que fica ali, escancarada, diante de um. Não consigo não ficar sem jeito ao receber elogios, mas também não consigo viver bem sem eles. Nos períodos em que os elogios estão em falta, procuro formas de "descolar" algum, como um desempregado em busca de um bico ou um mendigo que aceita qualquer moedinha de 10 centavos.

Sou um tanto megalomaníaco. Gosto de sentir que tenho certos poderes. Jamais amarrarei uma capa no pescoço e pularei de um lugar alto achando que vou voar. Não beiro à loucura. Mas a sensação de que posso alguma coisa, mesmo que fútil de certa forma, me faz muito bem. Gosto quando percebo que estou chamando a atenção pela a aparência tanto quanto pelo jeito de ser. A minha razão diz que o que importa é quem você é por dentro; mas me fere imaginar que alguém desaprova meus atributos físicos. Ligo, e ligo muito.

Procuro respeitar todo o tipo de opção que as pessoas fazem na vida e a maneira como elas são. Não sou fresco, não ando de nariz empinado, não desdenho ninguém. Gosto das pessoas, gosto de trocar experiências. Dou valor a tudo aquilo que é fundamental para a minha sobrevivência. Mas não me contento com o básico. De simples, creio que eu tenha muito pouco.

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