quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Vanessa

  vulgar
Carlos Eduardo, ou Kadu – como é mais conhecido – é um cara normal.  Não é burro, mas também não é inteligente ao extremo; está mais para bonito do que para feio, mas mesmo assim não é lá uma capa de revista; não tem manias irritantes e não tem charmes irresistíveis; não tem nenhum defeito e nenhuma qualidade extraordinária que o destaque dos demais rapazes de vinte e poucos anos. Ou melhor, tem um grande defeito: ter se envolvido com a vagabunda da Vanessa há 3 anos atrás.

Vanessa era, definitamente, uma vaca. Provavelmente ainda é, mas nem eu e nem o Kadu temos mais notícias dela. Vanessa era daquele tipo de mulher com a qual nenhum homem merece se envolver. Era fútil, fácil, manipuladora e egoísta. Dava nojo ouvi-la falar, tamanhas bobagens que aquela mulher dizia. Fora o jeito de falar, as gírias, a falta de modos. Andava excessivamente maquiada e com aquelas sombrancelhas estranhas que eu só consigo definir como “típicas de piranhas ou travestis”. Vanessa era muito escrota e, apesar de possuir um corpo moreno até bonito e um rosto mediano, seu jeito seboso e suas atitudes de puta colocavam em déficit todo o seu ser.

Kadu teve a infelicidade de conhecer Vanessa – pasmem! – na igreja. Não que ela gostasse de frequentar a casa de Deus; ela havia ido um dia porque era batizado do filho do seu então namorado, Róbson. Róbson era pouco mais de dez anos mais velho que Vanessa, tinha em torno de trinta anos na época, e era pai do pequeno Bruninho, fruto do seu casamento com Mariana.

Diziam boatos que Róbson conheceu Vanessa e começou a trair Mariana com ela na época em que esta, tadinha, estava grávida e impossibilitada de ter relações sexuais por recomendações médicas. Após longas lábias de manipulação, Vanessa teria convencido Róbson de largar sua esposa e ir viver com ela, deixando a pobre Mariana parir o filho sozinha.

No dia do batizado, Róbson apareceu na igreja diante de toda a sua família, de forma bastante cara-de-pau, com o pivô da sua separação enroscado em seu braço. Kadu não conhecia Róbson e Mariana, porém a história sobre o fim do casamento dos dois já havia chegado a seus ouvidos pouco antes da cerimônia começar por meio de uma velha beata e fofoqueira.

Próximo do fim do batizado, Kadu saiu um pouco para tomar água e deu de cara com Vanessa voltando do banheiro. Vanessa olhou para Kadu de forma direta, safada e convidativa; um olhar do tipo “estou disposta a fazer tudo o que você quiser agora” que somente prostitutas interessadas no seu dinheiro o fazem. Kadu, com aquela mente testosterônica um tanto imbecil, só conseguiu sorrir.

Vanessa puxou assunto. Quando ela conversava com um homem, parecia que iria se despir e oferecer seu corpo a qualquer momento. Talvez por isso conquistasse tantos amantes, já que de resto não havia nada que prestasse ali. Não retornaram para dentro da igreja até o fim da cerimônia. Ficaram conversando e, por fim, marcaram de sair. Vanessa depois se explicou para Róbson dizendo que estava passando mal e que por isso não havia retornado logo.

Primeiro encontro entre Vanessa e Kadu: transaram na casa dela. De tudo quanto é jeito, segundo Kadu me contou depois; coisas que ele só via em filmes pornôs; não havia ninguém na casa. Eu acreditei, pois Vanessa era daquelas que realmente não perdia tempo. Digo isso porque eu, sendo amigo dele, acabei tendo o desprazer de conhecer também a meretriz na ocasião do batizado.

Apesar de estar no paraíso, Kadu acabou descendo ao inferno pouco após sua fornicação com Vanessa. Róbson, avisado por alguém, apareceu de surpresa no quarto de sua namorada e pegou os dois ainda nús. Aos berros, partiu para cima de kadu, que ganhou alguns socos e, por consequência, um nariz sangrando. Vanessa levou um baita tapa na cara, ao som de “piranha” saído da boca de Róbson, que saiu esbaforido logo depois. Kadu tremia, enquanto Vanessa com uma expressão vazia e com o rosto marcado se recompunha na frente do espelho.

Vanessa pediu para Kadu ir embora e, enquanto saía, confuso e assustado, ele cruzou com um cara que ele nunca havia visto na vida, no quintal de Vanessa. O cara, ao vê-lo, perguntou: “minha gostosinha tá aí?”. Kadu ficou mais confuso ainda e não teve tempo de responder, pois a voz de Vanessa lá de dentro dizia: “entra Tony, tô aqui”. Era o fim da picada. Kadu saiu daquele quintal, pegou o caminho de casa e nunca mais quiser saber de Vanessa.

Meses depois, Kadu descobriu que havia contraído herpes. Bem feito. Descobrimos também, por meio da mesma velha beata, que Róbson havia voltado para Mariana, que haviam se mudado para outra cidade e estavam tentando reconstruir a vida e dar um lar decente para Bruninho. Menos mal. Da Vanessa, por sua vez, nunca mais tivemos notícia. Deve estar por aí, dando para todo mundo como sempre. Ninguém merece; ô mulherzinha à toa, nojenta, safada e fácil. Muito escrota. Era só chegar e créu. Kadu que o diga. Poxa… pena que eu nem tenho telefone dela…”

Narrativas em primeira pessoa não significam que sou eu, Renan, narrando. O narrador é também um personagem. Que fique bem claro!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Bom dia… monstro?!


acordar Não gosto de acordar.

Bom, na verdade eu gosto. O que eu não gosto é da maneira que estamos quando acordamos. Você chega em casa de noite, janta, toma aquele banho gostoso, escova os dentes, passa desodorante, coloca uma roupa simples porém limpinha, e vai deitar. E aí, após a noite de sono, acorda… destruído. Não digo no sentido de mal disposto, afinal a função do sono é (deveria ser) revigorar, mas sim na aparência.

Dependendo da posição em que você dorme, sua cara amanhace vermelha, amassada e com marcas, uns relevos estranhos, como se um carro tivesse passado por cima de você várias vezes. Eu não consigo entender como algumas horas deitado e de olhos fechados podem te deformar tanto. Acho que nem um enxame de abelhas consegue tal proeza.

Seu cabelo fica tudo, menos um cabelo decente. Uma noite de sono é capaz de produzir em você os mais bizarros penteados. E nem eu que sou homem e tenho o cabelo curto escapo dos efeitos do sono sobre ele. De vez em quando eu acordo com um topete lateral. É uma espécie de moicano, só que ao invés de seguir até a nuca pelo meio da sua cabeça, segue por uma das laterais, na linha das entradas (se você tiver). Parece uma crista de galo caída ou uma onda no momento em que ela está quebrando. É uma coisa horrível.

E isso é só pra citar um exemplo. Eu tenho um roda-moinho (é assim que escreve?) na parte de trás do cabelo. Tem vezes que eu acordo e meu cabelo tá amassado, bem junto do couro. Porém o roda-moinho fica exuberante, que nem uma flor; fico parecendo uma moça. É patético.

Os olhos também são problemáticos; amanhecem pequenos, porém inchados e vermelhos. Parece que você fumou ou cheirou alguma coisa. Você abre os olhos e, até conseguir enxergar bem, ficam aparecendo coisinhas voando. E pra onde você olha, essas coisinhas te acompanham. Isso sem falar na remela, aquela massinha nojenta que aparece.

Frequentemente eu também amanheço com uma das mãos ou um dos pés dormentes. Eu devo estar dormindo numa posição muito ruim, porque é uma dormência que chega a doer e demora a passar. O cheiro de desodorante também vai pro espaço, dando lugar aquele cheiro algumas vezes desagradável de pele misturado com roupa de cama. E não é só isso. Graças a Deus eu não tenho problema com mau-hálito, mas quem aqui acorda com bafinho gostoso né?

Apesar dos pesares, o importante é que tudo na vida tem um lado bom. Se por um lado uma noite de sono bagunça com a sua aparência de uma forma que talvez nem uma festa rave e drogas consigam fazer, por outro os efeitos mentais positivos são ímpares. O sono revigora seus pensamentos e percepções sobre as coisas. É a velha história do choro que dura uma noite, porém com a alegria te esperando pela manhã.

Mas quer uma dica? Se você quiser ficar mais feliz, passe batido pelo espelho do banheiro e vá direito pro chuveiro.