terça-feira, 12 de abril de 2011

Casinha de bomba


Até uns 10 anos atrás era muito comum, pelo menos aqui nas minhas bandas, jovens (na maioria, adolescentes) venderem artefatos pirotécnicos de festa junina/julina. Estou falando de estalinhos, cobrinhas, bombinhas, cabeções de negro, morteiros, lasers, buscapés, etc. Eu fui um desses adolescentes. Por uns dois anos consecutivos, tive a minha casinha de bomba, sendo portanto um “empresário” do ramo.

A infraestrutura ficou por conta do meu falecido e saudoso avô. Ele, muito habilidoso com madeira, fez uma casinha de bomba para mim, parecida com a da foto abaixo.

Barraquinha_fogos Não encontrei foto melhor, mas serve. Os compartimentos serviam para organizar os tipos de explosivos. Bombinhas de um lado, estalinhos do outro, e por aí vai. A minha casinha também tinha um lampião como esse para iluminá-la.

O patrocínio ficou por conta do meu pai. Ele comprou todos os artefatos em grande quantidade em uma loja especializada para que eu pudesse revendê-los e obter lucro. Com a casinha pronta e a mercadoria comprada, era só vender.

Essa era uma atividade que popularizava os meninos da rua. Logo eu fiquei conhecido como o “garoto que vende bombinhas” ou o “garoto dos fogos”. Vinham pessoas (geralmente meninos da minha idade) de todo o canto do bairro comprar os explosivos. E esse pessoal costumava acendê-los na minha rua mesmo, próximo onde eu ficava com a casinha, para que assim que terminassem pudessem logo comprar mais, resultando em uma farra completa.

Com isso, a atividade infanto-juvenil na minha rua cresceu ainda mais na época das festas de meio de ano. E eram atividades bem barulhentas. Creio que isso tenha feito com o que o meu avô se arrependesse um pouco de ter me incentivado nessa empreitada. Afinal, que idoso gosta de cabeções de negro estourando aos montes na sua calçada?

Por falar em cabeção de negro, lembro de uma vez em que, quando ainda era criança, coloquei um dentro de um cocô do meu antigo cachorro que estava fresquinho no quintal (não me perguntem como) e o acendi para que o cocô se espatifasse. O problema é que não me liguei de que havia roupa da minha mãe no varal. Enfim.

Outra vez, acendi um buscapé (que segue um percurso horizontal, indo “atrás” das pessoas e fazendo jus ao nome) pensando ser um laser (que simplesmente sobe todo colorido). O resultado foi que o bicho correu na direção de uma mulher que estava passando na rua, e atingiu a perna dela. Fui mandado pra tudo quanto é lugar naquele dia.

Deixando essas serelepices de lado (que aliás, eu bem que poderia tê-las confessado ao padre), preciso mencionar que domingo era o dia em que eu mais faturava. Motivo: futebol. Teve uma vez em que Flamengo e Vasco disputaram a final de algum campeonato (acho que o Carioca) e toda a mercadoria se esgotou em poucas horas. Fiquei todo bobo.

Sabe, a época da casinha de bomba foi muito especial na minha vida. Eu estava apenas no início da minha adolescência, meu avô ainda era vivo e, como ele tinha um bar, dava vida à calçada aqui de casa. Existiam muitas crianças da minha idade por aqui, com as quais eu brincava. Sei que tenho apenas 24 anos, mas percebo que as crianças de hoje não brincam mais de pique na rua como eu fazia, por exemplo.

Jamais vou me esquecer daqueles dias em que eu voltava para casa imundo e com o cheiro da pólvora das bombinhas. Surpreendentemente, é um fedor que me dá saudade.

2 comentários:

Anônimo disse...

:D

Eu não lembrava mais dessas casinhas de bomba, o que você tinha na cabeça quando pôs cabeção de nêgo na caca? hahahahaha renanzices... Abraço

Acabo de te cutucar

Renan Mariano disse...

Provavelmente eu tinha caca na cabeça, haha!