quarta-feira, 6 de abril de 2011

Confessando-me


Como bom cristão católico que eu sou (?), possuo alguns dos sacramentos do catolicismo. Fiz Primeira Comunhão e Crisma. Para quem não sabe, Primeira Comunhão é quando você recebe o corpo de Cristo (a hóstia consagrada) pela primeira vez. Crisma nada mais é do que uma confirmação do batismo, em que o bispo besunta a sua testa com o óleo do Divino Espírito Santo. Antes desses sacramentos, é obrigatório que os católicos recebam um sacramento prévio, chamado de Penitência. A penitência é mais ou menos o que todo mundo conhece como confissão com o padre. E aí que eu queria chegar.

A confissão com o padre ocorre de forma individual. Minha primeira confissão, para que eu pudesse ter a Primeira Comunhão, aconteceu quando eu tinha 12 anos. Antes, eu ouvia histórias de penitências severas aplicadas pelo padre (provavelmente mentirosas), e eu, criança, me apavorava só em pensar que o dia da minha confissão individual com o padre estava para chegar. O que me deixava mais tranquilo era o fato de que o confessionário (ver foto abaixo) manteria-me anônimo.

confessionário Isto é um confessionário e, teoricamente, serve para manter o anonimato da pessoa que faz a confissão perante o padre, que fica lá dentro sem ver nada (e vice-versa). Agora, convenhamos, vocês acham que não dá pro padre espiar pelos buraquinhos aquela mulher sem-vergonha confessando o chifre que colocou no marido, por exemplo?

Num dos três dias do retiro que ocorreu em um sítio isolado e que serviu para preparar as crianças Primeira Comunhão, eis que o padre aparece no local para realizar as confissões. Mesmo com pecadinhos pífios de pré-adolescente, fiquei nervoso. O nervosismo aumentou quando me contaram que não haveria confessionário e que, portanto, a confissão seria cara a cara com padre.

O padre sentou-se afastado dos adultos organizadores e das crianças, no meio de uma árvores, bem próximo de raios e sol e dos sons dos pássaros. As crianças foram chamadas uma de cada vez, em ordem alfabética, e convidadas a irem ter com o sacerdote. Eu, Renan, tive que ver meus amiguinhos, um por um, indo para o limbo, antes de chegar a minha vez.

Enfim, fui chamado. Caminhei pelo chão de terra, nervoso, e logo pude ver o padre sentado em sua cadeirinha e estando disposta uma outra cadeirinha vazia bem na frente dele, onde eu fui me sentar. Ele olhou para mim, e com muita doçura, perguntou: “E então, Renan, o que tem a me dizer?”. Lembro apenas de um pecado dentre os que confessei, o maior deles. “Eu, às vezes, não gosto de obedecer aos meus pais”. Ora, que pecadinho fraco! Hoje eu vejo que pecado foi ter sido a criança travada que eu era. Nenhuma malcriação para a vizinha chata, nenhuma briga com outras crianças, nenhum bichinho de estimação maltratado, nenhuma fugidinha de casa. Nada. Meu maior pecado era ÀS VEZES não gostar de obedecer aos meus pais. E vejam bem, NÃO GOSTAR não significa NÃO OBEDECER. Eu apenas (e às vezes) obedecia puto, mas obedecia. Nem penitência tive. Francamente!

Minha segunda (e última) confissão individual com o padre aconteceu quando eu tinha 15 ou 16 anos, antes do Crisma. Dessa vez não aconteceu em retiro; foi na própria igreja, e também sem confessionário. Chamaram o meu nome, e eu fui ao encontro do sacerdorte (já era outro), em sua salinha. Dessa vez eu não estava nervoso, mas estava um tanto envergonhado, afinal meu pecado top da vez era “Padre, eu me masturbo”. Ao dizer isso, pensei logo que eu seria severamente repreendido. Que nada. De forma inesperadamente moderna, o padre disse que isso era algo normal, mas que eu apenas tomasse cuidado para não me viciar na atividade e não deixasse de fazer outras coisas por conta disso. Como penitência, pediu pra eu rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria. Não poderia ter sido melhor, já que um dos meus colegas crismandos disse que o padre pediu para que ele rezasse o Terço, que é uma oração composta por aproximadamente cinquenta Ave Marias, fora alguns Pai Nossos, etc. Fico pensando: considerando a proporção, esse aí deve ter estuprado uma vaca.

Ai ai, bons tempos de santo os meus.

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu tb lembro do nervosismo da minha primeira confissão... Eu achando que desobeder os pais era o pecado mor.
E agora? Como seriam nossas confissões de noites de bebedeira, baladas e sexo selvagem? Blogs ocultos narrando tórridas noites? Olha, sem confessionário fica complicado viu. Me preocupa, confesso a vc.

* Rê