quinta-feira, 21 de abril de 2011

Felizes para sempre


No dia 29 de abril, o Príncipe William se casará com a plebeia Kate Middleton. Um verdadeiro conto de fadas moderno: a menina que não nasceu em berço de ouro, tornou-se rica e conquistou o coração do jovem príncipe. Em pleno ano de 2011 parece ser difícil compreender porque esse tipo de história ainda fascina tanto. Mas na verdade é muito simples.



Os contos de fada simbolizam a perfeição da vida e das relações humanas. Mesmo havendo alguns bilhões de pessoas no mundo, todas guardando diferenças entre si, o que todas querem é ser felizes. E mesmo que a nossa felicidade deva partir de nós mesmos, é importante termos aqueles com quem dividi-la. E daí surgem os príncipes e princesas, figuras bonitas, ricas, educadas e perfeitas, que representam o ideal do que se busca em outra pessoa, seja para um romance ou apenas uma amizade. Sendo o ideal do imaginário comum humano algo inatingível, não é de se espantar que o casamento de um príncipe legítimo cause tanto alvoroço.

Mas apesar de ser príncipe, William provavelmente não é perfeito. Assim como Kate. Ninguém o é. O ideal do qual tanto se fala não é alcançável, tanto nas relações humanas, como até mesmo na engenharia, por exemplo. Nesta, o que se busca sempre é melhorar, otimizar, aproximar, reduzir erros. Mas atingir a perfeição, aquilo de conto de fadas, aquilo da exatidão matemática, é impossível.

Apesar de a constatação parecer triste, não há motivo para desânimo. Ao trabalharmos para reduzir nossos erros e otimizar nossa vida e nossas relações, estamos fazendo algo muito mais importante do que seria atingir a perfeição. Estamos modificando a nós mesmos e tudo o que está ao nosso redor.

Parece estranho, mas talvez nosso ideal de perfeição esteja equivocado. Se uma menina quer ser princesa, ela precisa se casar com um príncipe ou filha de um rei. Mas isso não fará dela uma mulher perfeita e nem vai inseri-la num conto de fadas da Disney. O que vai torná-la uma pessoa melhor é, sem dúvida alguma, todos os percalços pelos quais ela passou na vida. A verdadeira beleza não está no fim, mas sim no caminho.

E o barato está justamente aí. Pois sendo assim, não precisamos sonhar com títulos de príncipes ou princesas, ricos e bonitos, para sermos felizes. Podemos ser felizes sendo médicos, engenheiros, donas de casa, motoristas, professores, feios ou qualquer outra coisa. O que vai definir nossa felicidade são os caminhos que trilhamos ao longo de nossas jornadas e nossa capacidade de melhorar com os nossos erros.

Uma pessoa pode ser bonita, mas não ser inteligente. Pode ser inteligente, mas ser antipática. Pode ser simpática, mas não ser bonita. Pode ser até bonita, inteligente e simpática, mas talvez mau-caráter. E pode ser isso tudo e ainda ter bom-caráter, mas certamente haverão outros defeitos. O legal é perceber que o que é ideal para alguns pode não ser para outros. E o que nos parece ideal pode não ser o melhor para nós. Talvez o rapaz trabalhador e humilde que mora na esquina seja capaz de fazer a sua vizinha muito mais feliz do que o príncipe com quem ela tanto sonha, mesmo que ela tenha a oportunidade de namorar um príncipe de fato, como o William.

Sem dúvida o casamento de William e Kate será belíssimo. Imagina só, eles vão desfilar pelas ruas históricas de Londres sendo cortejados por milhões de pessoas. E outras milhões de pessoas ao redor do mundo vão assistir pela TV e internet. Ora, por que não achar isso bonito? Não se privem de suspirar, principalmente as meninas.

O que não podemos esquecer é que também podemos ter o nosso castelo, construído com cada pedrinha que encontramos no nosso caminho. Também podemos ter nossa coroa reluzente, feita de sabedoria. Nossos amigos e amores podem ter um monte de defeitos, mas poderão ser para nós príncipes, princesas, duques e condessas mesmo assim, desde que saibamos lidar com seus defeitos e valorizar suas qualidades. Sapos viram príncipes; é fechar os olhos e beijar.

Se William e Kate têm tudo para serem felizes para sempre, nós também temos. No reino de nossas vidas, as bruxas podem ser feias, mas há fadas lindas, com certeza.

2 comentários:

Turi disse...

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maraj_6 disse...

Olá! Por acaso, cheguei aqui, vim atrás de uma imagem de Picasso... Gostei da sua interpretação do casamento real, que passado, realmente emocionou e nos fez suspirar (e já não sou uma menina...)
Um abraço e tudo de bom!