segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sensação de cemitério


Desde que eu me entendo por gente, trago comigo uma sensação que eu apelidei hoje de “sensação de cemitério”. O que sentimos quando vamos ao cemitério? Tristeza profunda, caso estejamos sepultando alguém a quem amamos. Mas não estou me referindo a este caso. Falo da sensação de apenas visita ao cemitério; visita ao túmulo de alguém querido que já morreu há anos, cuja realidade não nos causa mais dor, apenas saudade.

cemitério Um cemitério. O que você sente?

Quando vamos ao cemitério neste caso, podemos não sentir exatamente tristeza, nem alegria. Mas o lugar nos desperta uma reflexão sobre a vida, sobre o fato de ela ser passageira, sobre o fato de que nada levamos dela. Juntamente com o silêncio e a calma do local, essa reflexão resulta em uma sensação de paz incômoda, de conformismo nostálgico, de alegria melancólica, se é que essas dualidades possam existir.

Visitar um cemitério é uma verdadeira jornada do “eu”, das nossas rotinas e dos nossos costumes, aceitos e enraizados, rumo a algo muito mais amplo e primordial, cuja explicação é difícil e de certa forma até atormenta.

Não estou querendo dizer que eu sou infeliz. Muito pelo contrário. Mesmo que eu passe por fases ruins (como qualquer pessoa), me considero privilegiado de forma geral, e essa constatação se reflete nas minhas pazes com a vida e na minha motivação. Mas, curiosamente, essa sensação consegue me acompanhar até mesmo quando não deveria. E isso acaba por, às vezes, me destacar das demais pessoas. Sou aquele com cara de triste em uma festa, porém sem estar necessariamente triste, apenas pensativo.

Eu sou daqueles capaz de ter uma reflexão ou até mesmo de me sentir só em plena boate com vários conhecidos ao redor, dançando e bebendo sem pensar em mais nada. Durante algumas vezes ao dia, eu paro de fazer o que estou fazendo (estudando, por exemplo) e começo a me questionar, a refletir, a escapar para o amplo. Faço viagens de ida e volta entre o foco e o amplo com muita frequência.

Também sou muito vulnerável ao ambiente. Posso estar com os meus melhores amigos, porém se o lugar me inspira melancolia, possivelmente melancólico eu estarei. Por outro lado, se eu estou com problemas, mas estiver passando por um local bonito, com tempo de sol e de natureza exuberante, possivelmente bem eu ficarei. Afinal, a sensação de cemitério pode não ser necessariamente ruim. Muitas vezes conseguimos motivar nossas vidas através da percepção de que ela é passageira e precisa ser vivida intensamente.

No final das contas, talvez eu seja meio gótico, neogótico, sei lá. Ou apenas sentimental demais. O problema é que ser piegas não combina muito com a rotina da minha profissão. Paciência. Sempre vou preferir olhar para a infinitude das estrelas do que resolver uma integral.

Um comentário:

Anônimo disse...

o cemiterio e um bom lugar p reflexao!!!