segunda-feira, 9 de maio de 2011

Já se foi 1/3...


Ontem no Twitter eu iniciei uma discussão após constatar uma coisa que me deixou um pouco preocupado: eu já vivi aproximadamente 1/3 da minha vida.

Tenho 24 anos. Ao multiplicar minha idade por 3, obtenho 72. Ao multiplicar por 4, obtenho 96, que é uma idade avançada demais para a nossa expectativa de vida média atual, mesmo que ela esteja aumentando. Levando também em consideração meu histórico familiar - em que meu avô materno morreu antes dos 60, meu avô paterno sofreu de câncer de próstata, AVCs e morreu antes dos 80 - acho que não me cabe ser tão otimista e achar que chegarei aos 96 anos. Portanto, acho que 1/3 é uma boa (e triste) aproximação, melhor do que 1/4.

Bom, o que fiz nesse 1/3 de vida? Sinceramente, acho que muito pouco. Fui basicamente um estudante, me preparando para a vida; para mais (apenas?) 2/3 de vida. O chato é que dizem que daqui para frente será só ladeira abaixo; que os melhores anos são estes que vivo agora. Ora, então os melhores anos da minha vida são os de preparação para os anos de ladeira abaixo? Que coisa mais esquisita!

Nós, jovens, passamos parte de nossa juventude preocupados com a nossa preparação para os anos de adultos plenos. E aí, quando estamos finalmente prontos, quando estamos mais maduros, podemos começar a... descer a ladeira?! Não lhe parece injusto?

Talvez fosse mais interessante uma vida como a de Benjamin Button, o cara que nasce velho e morre criança. Imagine só trocar a infância pela velhice. Ok, a vida não vai começar tão legal com dores nas articulações, mas teríamos muito mais disposição e beleza aos 60, 70 anos. Fora que seria um processo de somente melhoria na qualidade de vida: maior disposição e beleza aliadas ao aumento de maturidade. Parece tão melhor.

Mas as coisas não são assim. Já dizia Lavoisier, o famoso químico francês, que na vida nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Sei que ele disse isso em relação a todo tipo de matéria, mas acho que a frase também se aplica a essa filosofia de "coisa ruim por um lado, coisa boa pelo outro". Provavelmente, a juventude é justamente a época da elevada capacidade física e mental para que possamos trabalhar duro e, assim, possamos nos dar ao luxo de nos poupar um pouco lá na frente, quando estivermos mais debilitados.

Quem sou eu para querer redefinir a dinâmica das coisas naturais. A verdade é que tudo tem um preço. Na vida, nós ganhamos independência e maturidade em troca de um rosto mais enrugado. Paciência.

2 comentários:

Diego Martins! disse...

Fala isso não porque eu tô mais a frente que você =/
Rsrs

Clarice disse...

Daqui, do quilômetro 57, só posso dizer pra você viver intensamente, sem medo de experimentar, que é o que vale, quando se chega aos 2/4.
A propósito, você escreve muito bem.
Abraço.