sábado, 30 de julho de 2011

Beleza e outras qualidades

 

BELEZA X FEIURA

Não sou daqueles que acha que beleza não é importante. Para mim, ela é; pelo menos nos instantes iniciais, em que ainda não se conhece a pessoa por dentro. Afinal, entre uma gordinha de cabelos maltratados e com espinhas na cara, e uma mulher esbelta de cabelos cuidados e pele lisa, é óbvio que a segunda atrai mais.

Sei que a beleza não é unânime; o que pode ser bonito para um, para o outro não é. Mas não podemos negar os percentuais. Se muitas pessoas acham a pessoa A bonita e poucas acham a mesma coisa da pessoa B, então a pessoa A é mais bonita do que a pessoa B no senso comum, e pronto.

Penso que a beleza funciona como um tipo de marketing para todos nós; a pessoa bonita possui um chamariz do tipo “gostou do que viu? então venha me conhecer melhor”. E as pessoas vão. É como a embalagem de um produto desconhecido. Quando chama a atenção, estamos mais propensos a pegar, ler sobre, e experimentar. Os feios, por sua vez, ficam em desvantagem. E é aí que entram as outras qualidades…

É verdade que “ser bonito” e “ser legal” são características teoricamente independentes. Em outras palavras, a embalagem de um produto que não presta pode ser bonita, assim como a embalagem de um excelente produto pode ser bastante sem graça. O problema é que, devido à desvantagem da falta de beleza, os feios geralmente acabam desenvolvendo mais as outras qualidades, a fim de também atraírem as pessoas. Já os bonitos podem se dar ao luxo de relaxarem mais, já que as pessoas sempre irão ao encontro deles.

Não sei de nenhum estudo concreto sobre isso, mas eu noto (e acho que a maioria das pessoas também) que os feios tendem a ser (ou pelo menos se mostram) mais legais. Legais, nesse caso, é uma compilação de outras qualidades: simpatia, amizade, dar atenção ao outro, etc.

Sei que não se pode generalizar. Aliás, nada que é relativo ao seres humanos podemos generalizar. Mas eu creio que a falta do luxo de poder escolher pretendentes tornem os feios, na média, pessoas mais agradáveis do que os bonitos; talvez até melhores. Para mim, faz todo sentido.

sábado, 2 de julho de 2011

O cinza da alma


Dizem que todo mundo possui uma essência de ser; esta imutável, que nos acompanha durante toda a nossa vida, definindo quem realmente somos. Entretanto, geralmente a desconhecemos. Não é difícil que outras pessoas nos definam melhor do que nós mesmos. No fim das contas, quem somos? Ou melhor, o que somos capazes de sentir e fazer? Qual o limite do nosso caráter?

Será que o herói de um dia é capaz de ser o vilão do outro? A pobre mulher traída pelo marido no verão pode se tornar amante de alguém no inverno? O ferido de amor de hoje torna-se indiferente e fere quem lhe entrega o coração amanhã? De sutileza em sutileza vamos nos transformando. O que hoje nos soa como pecado, amanhã cauteriza a mente e se torna estilo de vida. E, da mesma forma, as aventuras passadas da juventude abominam um velho que se recorda delas.

Apesar de toda a formação que recebemos dos nossos pais, acredito que em determinado momento de nossas vidas todos nós estamos propensos a ceder a algum impulso que não está de acordo com nosso modo de agir até então. As circunstâncias produzem a coragem. Tudo depende do contexto. Quem pode nos julgar?

Quero deixar claro que não estou indo ao extremo e falando em cometer crimes (pelo menos não os grandes crimes), mas sim de atitudes, digamos, que você nunca pensou que pudesse ter, ou pouco plausíveis para o senso comum, ou até mesmo aquele tipo de coisa que você não gostaria que fizessem contigo (como é o caso da mulher amante). Não acredito que alguém consiga jamais deslizar nos seus conceitos e valores ao longo da vida; não estamos inseridos em um romance, mas sim na realidade.

Eu penso que todos nós nascemos potencialmente vulneráveis a tudo, e que o meio em que vivemos é uma das coisas que mais influenciam as nossas atitudes. O "nunca faria isso" está imerso no conforto da nossa realidade atual; porém, e quando as coisas mudam? E quando passamos por situações delicadas e decisórias? E quando os desejos falam mais alto? A alma do ser humano é complexa demais para a simplicidade definitiva de um "nunca". Como disse o escritor Oscar Wilde, definir-se é limitar-se.