sábado, 2 de julho de 2011

O cinza da alma


Dizem que todo mundo possui uma essência de ser; esta imutável, que nos acompanha durante toda a nossa vida, definindo quem realmente somos. Entretanto, geralmente a desconhecemos. Não é difícil que outras pessoas nos definam melhor do que nós mesmos. No fim das contas, quem somos? Ou melhor, o que somos capazes de sentir e fazer? Qual o limite do nosso caráter?

Será que o herói de um dia é capaz de ser o vilão do outro? A pobre mulher traída pelo marido no verão pode se tornar amante de alguém no inverno? O ferido de amor de hoje torna-se indiferente e fere quem lhe entrega o coração amanhã? De sutileza em sutileza vamos nos transformando. O que hoje nos soa como pecado, amanhã cauteriza a mente e se torna estilo de vida. E, da mesma forma, as aventuras passadas da juventude abominam um velho que se recorda delas.

Apesar de toda a formação que recebemos dos nossos pais, acredito que em determinado momento de nossas vidas todos nós estamos propensos a ceder a algum impulso que não está de acordo com nosso modo de agir até então. As circunstâncias produzem a coragem. Tudo depende do contexto. Quem pode nos julgar?

Quero deixar claro que não estou indo ao extremo e falando em cometer crimes (pelo menos não os grandes crimes), mas sim de atitudes, digamos, que você nunca pensou que pudesse ter, ou pouco plausíveis para o senso comum, ou até mesmo aquele tipo de coisa que você não gostaria que fizessem contigo (como é o caso da mulher amante). Não acredito que alguém consiga jamais deslizar nos seus conceitos e valores ao longo da vida; não estamos inseridos em um romance, mas sim na realidade.

Eu penso que todos nós nascemos potencialmente vulneráveis a tudo, e que o meio em que vivemos é uma das coisas que mais influenciam as nossas atitudes. O "nunca faria isso" está imerso no conforto da nossa realidade atual; porém, e quando as coisas mudam? E quando passamos por situações delicadas e decisórias? E quando os desejos falam mais alto? A alma do ser humano é complexa demais para a simplicidade definitiva de um "nunca". Como disse o escritor Oscar Wilde, definir-se é limitar-se.

3 comentários:

Diego Martins! disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Diego Martins! disse...

Há o oposto também, quando o habitual errado se torna incômodo e você se vê fazendo o correto. Sendo mais sereno, mais humilde, mais comunicativo... Varia de indivíduo para indivíduo.
Estranho é saber que tudo muda o tempo todo, e no fim das contas não mudamos nada.

Diego Martins! disse...

Ah! Não gostei dessa foto aí sua aí não! Hehe