domingo, 14 de agosto de 2011

Resenha: Super 8


super8
Este é o primeiro texto referente à nova categoria que acabo de criar neste blog: resenhas. Nela, quero mostrar a minha opinião sobre (principalmente) filmes que vi no cinema, tomando o cuidado de não revelar (muito) a história. Será que consigo?

Vamos começar com o filme que inaugurou neste fim de semana…

Super 8 conta a história de um grupo de pré-adolescentes nos anos 70 que deseja, mais por diversão do que por qualquer outra coisa, gravar um filme sobre zumbis. O personagem principal é o menino Joe (Joel Courtney), que perdeu a mãe em um acidente de trabalho e vive um momento delicado em sua relação com pai, o delegado da cidade onde moram. Ao gravarem próximo a uma estrada de ferro, os jovens presenciam um grave e estranho acidente envolvendo um trem e uma caminhonete, e, a partir daí, vivenciam estranhos acontecimentos – mais especificamente, o desaparecimento de pessoas - na cidade.

O filme faz valer o ingresso por vários motivos. O primeiro deles é a cena do acidente. A sequência é, literalmente, de tirar o fôlego! Faz você segurar firme o braço da poltrona de tanta agonia e encantamento. Os efeitos sonoros das batidas e explosões são de uma qualidade que eu acho que nunca percebi antes em filme algum. Além de tudo, é uma sequência longa; a sensação que você tem é de que as coisas ali não vão parar de explodir e de que um vagão daqueles vai cair sobre você a qualquer momento (e olha que não é em 3D!). Acidente exagerado, talvez, mas sensacional!

O segundo motivo que faz valer a pena o ingresso é o suspense instaurado a partir deste acidente. O que havia dentro daqueles vagões? O que faz as pessoas desaparecerem? Enquanto a cidade vira de cabeça para baixo, o delegado, pai de Joe, tenta, em paralelo com o filho, desvendar o mistério, que vai se revelando pouco a pouco ao longo da trama. Apesar de haver cenas entre o delegado e outros adultos, a retratação do caos é focada no ponto de vista do menino e seus amigos, em uma jornada investigativa com grandes momentos de suspense, mas sem terror - os produtores parecem ter se preocupado em não tornar o filme impróprio para crianças da idade dos protagonistas.

Um dos pecados (não tão grave assim) do filme trata-se de um momento de inverossimilhança grosseira: o motorista da caminhonete não morre no momento do acidente. Não que alguém tenha necessariamente que morrer ao colidir de frente com um trem; afinal, milagres acontecem. Mas quando vocês virem a magnitude DESTE acidente, vão concordar que o sujeito deveria, no mínimo, terminar em picadinhos, com as tripas toda para a fora. Não há milagre que segure! Outro ponto negativo (esse sim mais grave) está no momento em que o agente do caos é revelado. Não empolga muito; não há empatia com o público, e, a partir de revelado por completo, é pouco explorado, ocorrendo logo o desfecho.

Por fim, o intérprete do menino Joe desempenha muito bem o seu papel. O olhar do ator-mirim é muito expressivo (destaque para o momento em que ele tem uma desavença com o pai e chora) e sua relação com a menina Alice (Elle Fanning, que também não deixa a desejar) cresce de uma maneira pueril e ao mesmo tempo intensa ao longo da história.

Vá ao cinema e assista Super 8! Vale muito a pena! Ah, mas saiba que “super 8” nada mais é do que o formato de vídeo usado pelos jovens para gravar o filme amador sobre zumbis. Isso é dito em um único e rápido instante dentro da história, e se você não sabe o que é, corre o risco de sair do cinema se perguntando o porquê desse título.