terça-feira, 8 de novembro de 2011

Transeuntes marcantes


transeuntes

As pessoas mais importantes das nossas vidas são aquelas que permanecem conosco por tempo suficiente para que sejam consideradas co-autoras da nossa trajetória. São nossos pais, irmãos, amigos, etc. Gente indispensável para nossa felicidade e que são a base de tudo. Porém, há um grupo de pessoas com as quais esbarramos na vida por um curto período de tempo. São os que chamo de transeuntes; pessoas que estão de passagem por algum lugar, que não permanecem. O lugar, nesse caso, é a nossa vida.

Encontramos transeuntes o dia inteiro. É aquele atendende da loja de fast food que pergunta o que desejamos pedir, é a secretária do consultório médico que preenche a nossa ficha, é o senhor na nossa frente na fila do banco que puxa um assunto qualquer. Existem também aqueles transeuntes que interagem conosco por um pouco mais de tempo do que os exemplos citados. É o colega de sala que cursa uma disciplina conosco ao longo de alguns meses, é o vizinho novo que não fica mais do que um ano no bairro, ou até mesmo a/o namorada/o de curta duração e que depois nunca mais vemos.

Transeuntes, na maioria das vezes, são pessoas indiferentes para nós. As circunstâncias fazem com que vamos ao encontro deles; então interagimos; e pronto, cada um segue o seu rumo. Porém, por incrível que pareça, alguns se tornam muito marcantes. E os motivos são diversos. Alguma frase dita, alguma atitude tomada na nossa frente… Pode ser qualquer coisa que desperte a nossa atenção e mexa com nossos sentimentos.

Lembro de uma menina que começou a fazer o curso pré-vestibular comigo em 2005. Daiana era o nome dela. Eu e ela não conhecíamos ninguém na classe. Percebendo o isolamento um do outro, passamos a conversar, e logo no segundo dia de aula já estávamos sentando lado a lado. Pouco tempo depois, após certa intimidade de colegas, ela me mostrou uma foto de uma mulher que eu não conhecia, mas que continha uma dedicatória calorosa para ela. Disse que estava nervosa e pediu que eu não a julgasse. No início não compreendi, mas não tardou muito para que eu entedesse que Daiana queria, com aquilo, me dizer que era lésbica e que aquela era a sua namorada.

Ela foi marcante pelo fato de que até então eu nunca havia convivido diariamente com uma pessoa assumidamente homossexual. Confesso que fiquei um tempo desconcertado, mas nossa relação continuou a mesma. Ora, e não deveria ter sido diferente. Porém, alguns dias depois, por um motivo que eu não soube, ela abandonou o curso. Daiana não se tornou uma amiga; foi uma transeunte. Creio que não chegamos a assistir nem dois meses de aulas juntos. Mas eu lembro dela até hoje de vez em quando.

Alguns professores também costumam ser transeuntes marcantes. Ouvir de um professor que eu fui o melhor aluno que ele já teve, e ouvir de outro que eu o surpreendi negativamente (com essas palavras) é viver dois extremos que fazem marcar esses caras. Aquela menina bonita do colégio com quem muitos queriam ficar, sendo que eu consegui beijá-la na festa de formatura, é algo que sem dúvida marcou-a comigo. Em outra ocasião, ter levado um fora da desengonçada e ter sido zoado pelos colegas também fez com que eu não me esquecesse da fulaninha. Outro transeunte marcante foi um menino encapetado que morou pouco tempo na minha rua e do qual falo mais nesse texto.

É interessante essa percepção de que tão pouco tempo de convivência com alguém (às vezes por apenas alguns minutos!) seja suficiente para conservarmos essa pessoa na nossa memória por muito tempo. Vale lembrar que você também é um transeunte para diversas pessoas ao longo do seu dia. E, muito provavelmente, entre elas, existem algumas que te consideram um transeunte marcante. Você pode nunca mais se lembrar dessas pessoas, pois elas podem ter sido indiferentes para você. Normal. Mas elas com certeza lembram de você até hoje. Curioso, não?

2 comentários:

Diego Martins! disse...

Muito curioso! Será que já fui marcante pra alguém? Abração, rapaz! Belo texto =)

Ana Paula disse...

Parabéns, adorei o texto!!!!!
Cheguei até a refletir, procurando lembrar quem foram essas pessoas em minha vida.