sábado, 31 de dezembro de 2011

Promessas para o Ano Novo

A virada do ano costuma despertar em nós sentimentos diversos que nos levam à reflexão. É de maneira quase involuntária que fazemos um balanço geral da nossa vida nessa época. Relembramos nosso passado, repensamos nosso presente e replanejamos nosso futuro. É impossível não pensar em algumas mudanças. E é baseado nesse desejo de mudança que acabamos prometendo tomar certas atitudes. Segue abaixo a lista do que mais ouço/leio o pessoal prometendo por aí.


Vou emagrecer- “Vou emagrecer”

Eu nunca tive problema com excesso de peso. Pelo contrário, gostaria até de pesar mais. Mas o que vejo de gente (principalmente mulheres) batendo o martelo na convicção de que no próximo ano apresentará uma silhueta melhor não está… na academia. Isso mesmo. Passam as festas de fim de ano, chega janeiro, fevereiro, e a academia fica muito mais cheia de gostosas do que de gordinhas, como sempre. E a promessa? Bom, se o fulano ou fulana é saudável mesmo estando acima do peso, adora comer e, principalmente, já está namorando com alguém (e portanto não quer emagrecer no desespero de conseguir um relacionamento), geralmente a promessa vai por água abaixo. Ou melhor, por lasanha goela abaixo.


- “Vou juntar dinheiro”

Essa tem mais a ver comigo. E eu até consigo juntar. Mas nunca é para o longo prazo. Poupo no primeiro semestre para gastar em algo caro no segundo. Tem sido mais ou menos assim. Porém, tem gente que faz planos mirabolantes. “Vou começar a juntar dinheiro para comprar uma casa!”. Nada contra, oras! Acho muito válido. Mas tem gente que faz promessa no calor dos fogos da virada e esquece de sentar em janeiro e fazer um planejamento financeiro mais sério. Considerando minhas condições e minha personalidade, minha tática é um pouco diferente. Eu nunca penso “vou juntar dinheiro para fazer tal coisa”. Jamais especifico. Apenas junto. Gastarei em quê? Em breve descubro.


- “Vou namorar”

Essa é uma promessa complicada, pois não depende 100% de você. Você não pode prometer que vai encontrar alguém que te fará tremer as pernas no próximo ano. Ninguém pode planejar uma paixão. Ou, no caso de já existir alguém, não pode prometer que essa pessoa de quem você gosta aceitará o seu pedido de namoro. Só existe uma situação em que você tem esse tipo de controle: quando você tem a certeza de que alguém gosta de você e, portanto, aceitaria um pedido de namoro seu. Mas, convenhamos, se você espera o próximo ano para tomar uma atitude, significa que talvez você não esteja tão afim assim. E se já é difícil cumprirmos promessas que nos empolgam, imagine uma que não nos empolga…


- “Vou terminar o relacionamento”

Ao contrário da promessa anterior, essa depende 100% na você. Na teoria. Já na prática a coisa se torna um lenga-lenga insuportável. Tudo culpa daquele sentimento que você ainda tem, mesmo que a relação ande te fazendo mal. O casal termina, mas não se desvincula completamente. A saudade aperta e um fica correndo atrás do outro. Concluo da mesma forma que na promessa anterior: se você espera o próximo ano para terminar um relacionamento, é sinal de que você ainda não sabe bem se quer isso. O mais importante é prometer que as coisas que te fizeram mal não vão mais se repetir no próximo ano. Se isso vai culminar em um rompimento definitivo ou não, isso você saberá depois.


- “Vou estudar mais”

Essa era uma promessa que eu vivia fazendo na época do vestibular e no início da faculdade. Hoje em dia não. Não quero estudar mais. Quero apenas manter minha motivação para estudar o que preciso estudar. É diferente. Enfim, cumprir essa promessa de forma satisfatória envolve basicamente duas coisas: a prioridade (foco) que você dá a isso na sua vida e o fato de começar. Você não vai estudar mais se os estudos não figurarem lá em cima na lista das suas prioridades reais. E tem que começar. Evitar adiamentos. Adiamentos frustram. Depois de começar, o estudo flui mais naturalmente. E essa coisa de que é necessário abrir mão das diversões é uma grande besteira. Talvez seja necessário DE VEZ EM QUANDO você fazer isso, mas longe de ser algo frequente. Quem sabe organizar seus horários não precisa deixar de se divertir.


- “Vou praticar o bem”

Tem gente que desenvolve grandes sentimentos altruístas no Réveillon. Muito bonito. Mas de que adianta você querer visitar e doar dinheiro para um orfanato se você é daquele tipo de pessoa que destrata aqueles que convivem com você? E isso vale para mim também. Muitas vezes eu ajo (ajo - palavra esquisita, parece que tá errada!) com impaciência com os meus pais, irmão e amigos. E desnecessariamente. Confesso que não lembro de ter virado algum ano pensando em ajudar mais as pessoas, mas eu sempre estou querendo ser alguém melhor. E tento. O difícil mesmo é conseguir.


- “Vou fazer algo que eu sempre quis fazer”

”Vou aprender a tocar algum instrumento”. “Vou fazer um novo curso de línguas”. “Vou viajar para aquele lugar que eu desejo conhecer”. São várias as possibilidades. O problema é adequar a novidade a nossa rotina e condição. Uma coisa é termos vontade, a outra é termos disposição. Eu, por exemplo, tenho vontade de aprender a tocar algum instrumento. Mais especificamente, teclado. Mas não está nos planos para o próximo ano comprar um. Até poderia me programar para isso, mas ainda não estou disposto a tal. Porém, acho importante que em cada ano façamos pelo menos uma coisa que nunca fizemos e da qual sempre tivemos vontade. Toda boa novidade é extasiante. Dá um upgrade na vida da gente. Ainda pensando no que poderei fazer…




***

Desejo a todos os que leem esse blog um maravilhoso 2012! Que as promessas de vocês saiam do papel e que, ao final do ano, quando vocês estiverem fazendo novo balanço, percebam o quanto as coisas mudaram para melhor. E tudo graças às atitudes de vocês! Não há nada mais gratificante do que bons resultados de projetos de vida que foram bem executados. Felicidades a todos!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

E se o teletransporte existisse?


teletransporte
Lembro uma vez em que um professor meu de física do Ensino Médio explicou para a turma que se um corpo pudesse ser resfriado a temperatura de 0 Kelvin, que é chamado de “zero absoluto” (a temperatura mínima teórica que pode ser atingida, equivalente a –273ºC), suas moléculas parariam de se movimentar e este corpo seria transformado em luz. E sendo luz, poderia ser enviado por algum meio de condução até outro local, ou seja, ser teletransportado. Não sei até que ponto pode ser considerado verdade o que esse professor disse (na época eu achei o máximo; hoje acho que ele falou uma grande besteira mesmo), mas como sempre gostei de física e dessas coisas envolvendo os limites da tecnologia, nunca me esqueci dessa explicação.

Hoje em dia conheço uma teoria do teletransporte que parece fazer mais sentido, apesar de ser tratada ainda como ficção. Ela envolve a famosa fórmula de Albert Einstein:

E = mc²,

onde E é energia, m é massa e c é a velocidade da luz. Essa fórmula nos diz que toda massa possui uma energia associada e que, talvez, um corpo possa ser transformado em alguma forma de energia, ser conduzido e reconstruído em outro local. Incrível não? Agora imagine se essa teoria fosse factível e o teletransporte fosse uma realidade. Como seria o mundo com o teletransporte? E mais: como seria o mundo com teletransporte acessível (de baixo custo) para todos, com seres vivos também podendo ser teletransportados?

Não é difícil supor que, de cara, seria o fim dos meios de transporte e das estradas. Seria a grande revolução na locomoção humana. Empresas de ônibus, trem, rodovias, aviões, barcos, tudo isso deixaria de fazer sentido em existir. Seriam como os dinossauros, extintos; só restariam seus “fósseis” em museus. Seriam lembranças de um passado risível, em que as pessoas gastavam horas e horas para se locomoverem.

Estou falando de uma vida sem trânsito, sem o estresse das estradas engarrafadas, sem gente mal educada ouvindo funk sem fone de ouvido no ônibus. Uma vida em que muitas horas do nosso dia seriam poupadas. Creio que o teletransporte seja a única maneira de seguirmos aquela dica de vida saudável em que as 24 horas que estão contidas em 1 dia devem ser divididas em 8 para trabalho, 8 para lazer e 8 para descanso. A pessoa insensata que inventou isso devia trabalhar em casa e ser solteira, só pode.

Nossos telefones residenciais seriam bem maiores, pois contariam com uma espécie de cabine de emissão e recepção de corpos. Bastaria digitar o número do telefone do local para qual se deseja emitir o objeto (ou se emitir), colocá-lo na cabine (ou entrar), e realizar o teletransporte. Em fração de segundo poderíamos estar em qualquer lugar do mundo. O sentido da palavra viagem também se perderia. Todos os lugares se tornariam extremamente perto de todos.

A coisa é realmente grandiosa, pois a distância física seria um detalhe totalmente não-incômodo, seja ela qual fosse. Namoros à distância seriam felizes (porque convenhamos que, mesmo com toda a tecnologia da comunicação hoje, ninguém ainda é realmente feliz namorando à distância – é patético) e todo brasileiro poderia se considerar vizinho de qualquer japonês, e vice-versa. Realizem só: uma criança de Manaus, chamada Macunaíma, voltando do colégio e perguntando à mãe se pode brincar com o seu amiguinho, Nakashima, em Tóquio. A mãe então consente, recomendando apenas que o garoto volte para a casa antes da janta. Coloca então o filho na cabine de teletransporte, dá um beijo no rosto dele, aperta os botões, e vai para a sala serena e sorridente para ver a sua novela, enquanto o seu filho chega em Tóquio antes mesmo que ela se sente no sofá. Um espetáculo!

E ainda: desde que tenhamos grana, poderíamos fazer cursos no exterior sem morar no exterior. Aulas de alemão na própria Alemanha, e depois voltar para a casa, no Rio. Ou que tal dar um pulinho em Bangcoc antes? Ora, pensem só, um pai de família poderia se dar ao luxo de acordar às 7 horas da manhã, ir para o trabalho nos Estados Unidos, almoçar em Paris, se reunir com os sócios chineses na China, fazer uma happy hour com amigos em Amsterdã, voltar para a casa, ainda ter tempo de brincar com os filhos antes do Jornal Nacional e dormir por pelo menos 8 horas! Magnífico!

Mas eu sinceramente creio que o teletransporte jamais vai deixar de ser uma mera ficção. Pelo menos o teletransporte de seres vivos. Não consigo conceber que uma pessoa possa ser transformada em energia, viajar à velocidade da luz, e ser reconstituída em outro lugar sem pelo menos ter morrido. O corpo ser refeito perfeitamente já seria uma grande façanha. Vivo já é demais. Nossa sobrevivência depende da harmonia de nossa estrutura orgânica. Transformar tudo isso em algo não-palpável para mim é uma grande alucinação. O que dirá então fazer isso sem tirar a vida da pessoa, mesmo que por milésimos de segundo?

Por outro lado, se pararmos para pensar, muita coisa que existe hoje antes era inconcebível. O próprio sistema de telefonia é um exemplo. Poder se comunicar com alguém no outro lado do planeta através de um celular, que envia a nossa voz pelo ar, é algo que antigamente soaria sobrenatural. A verdade é que nunca se sabe…