quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

E se o teletransporte existisse?


teletransporte
Lembro uma vez em que um professor meu de física do Ensino Médio explicou para a turma que se um corpo pudesse ser resfriado a temperatura de 0 Kelvin, que é chamado de “zero absoluto” (a temperatura mínima teórica que pode ser atingida, equivalente a –273ºC), suas moléculas parariam de se movimentar e este corpo seria transformado em luz. E sendo luz, poderia ser enviado por algum meio de condução até outro local, ou seja, ser teletransportado. Não sei até que ponto pode ser considerado verdade o que esse professor disse (na época eu achei o máximo; hoje acho que ele falou uma grande besteira mesmo), mas como sempre gostei de física e dessas coisas envolvendo os limites da tecnologia, nunca me esqueci dessa explicação.

Hoje em dia conheço uma teoria do teletransporte que parece fazer mais sentido, apesar de ser tratada ainda como ficção. Ela envolve a famosa fórmula de Albert Einstein:

E = mc²,

onde E é energia, m é massa e c é a velocidade da luz. Essa fórmula nos diz que toda massa possui uma energia associada e que, talvez, um corpo possa ser transformado em alguma forma de energia, ser conduzido e reconstruído em outro local. Incrível não? Agora imagine se essa teoria fosse factível e o teletransporte fosse uma realidade. Como seria o mundo com o teletransporte? E mais: como seria o mundo com teletransporte acessível (de baixo custo) para todos, com seres vivos também podendo ser teletransportados?

Não é difícil supor que, de cara, seria o fim dos meios de transporte e das estradas. Seria a grande revolução na locomoção humana. Empresas de ônibus, trem, rodovias, aviões, barcos, tudo isso deixaria de fazer sentido em existir. Seriam como os dinossauros, extintos; só restariam seus “fósseis” em museus. Seriam lembranças de um passado risível, em que as pessoas gastavam horas e horas para se locomoverem.

Estou falando de uma vida sem trânsito, sem o estresse das estradas engarrafadas, sem gente mal educada ouvindo funk sem fone de ouvido no ônibus. Uma vida em que muitas horas do nosso dia seriam poupadas. Creio que o teletransporte seja a única maneira de seguirmos aquela dica de vida saudável em que as 24 horas que estão contidas em 1 dia devem ser divididas em 8 para trabalho, 8 para lazer e 8 para descanso. A pessoa insensata que inventou isso devia trabalhar em casa e ser solteira, só pode.

Nossos telefones residenciais seriam bem maiores, pois contariam com uma espécie de cabine de emissão e recepção de corpos. Bastaria digitar o número do telefone do local para qual se deseja emitir o objeto (ou se emitir), colocá-lo na cabine (ou entrar), e realizar o teletransporte. Em fração de segundo poderíamos estar em qualquer lugar do mundo. O sentido da palavra viagem também se perderia. Todos os lugares se tornariam extremamente perto de todos.

A coisa é realmente grandiosa, pois a distância física seria um detalhe totalmente não-incômodo, seja ela qual fosse. Namoros à distância seriam felizes (porque convenhamos que, mesmo com toda a tecnologia da comunicação hoje, ninguém ainda é realmente feliz namorando à distância – é patético) e todo brasileiro poderia se considerar vizinho de qualquer japonês, e vice-versa. Realizem só: uma criança de Manaus, chamada Macunaíma, voltando do colégio e perguntando à mãe se pode brincar com o seu amiguinho, Nakashima, em Tóquio. A mãe então consente, recomendando apenas que o garoto volte para a casa antes da janta. Coloca então o filho na cabine de teletransporte, dá um beijo no rosto dele, aperta os botões, e vai para a sala serena e sorridente para ver a sua novela, enquanto o seu filho chega em Tóquio antes mesmo que ela se sente no sofá. Um espetáculo!

E ainda: desde que tenhamos grana, poderíamos fazer cursos no exterior sem morar no exterior. Aulas de alemão na própria Alemanha, e depois voltar para a casa, no Rio. Ou que tal dar um pulinho em Bangcoc antes? Ora, pensem só, um pai de família poderia se dar ao luxo de acordar às 7 horas da manhã, ir para o trabalho nos Estados Unidos, almoçar em Paris, se reunir com os sócios chineses na China, fazer uma happy hour com amigos em Amsterdã, voltar para a casa, ainda ter tempo de brincar com os filhos antes do Jornal Nacional e dormir por pelo menos 8 horas! Magnífico!

Mas eu sinceramente creio que o teletransporte jamais vai deixar de ser uma mera ficção. Pelo menos o teletransporte de seres vivos. Não consigo conceber que uma pessoa possa ser transformada em energia, viajar à velocidade da luz, e ser reconstituída em outro lugar sem pelo menos ter morrido. O corpo ser refeito perfeitamente já seria uma grande façanha. Vivo já é demais. Nossa sobrevivência depende da harmonia de nossa estrutura orgânica. Transformar tudo isso em algo não-palpável para mim é uma grande alucinação. O que dirá então fazer isso sem tirar a vida da pessoa, mesmo que por milésimos de segundo?

Por outro lado, se pararmos para pensar, muita coisa que existe hoje antes era inconcebível. O próprio sistema de telefonia é um exemplo. Poder se comunicar com alguém no outro lado do planeta através de um celular, que envia a nossa voz pelo ar, é algo que antigamente soaria sobrenatural. A verdade é que nunca se sabe…

3 comentários:

Mauro de Bias disse...

A grande verdade é que a vida seria terrivelmente sem graça se não fosse o prazer de pegar uma estrada, um avião ou um navio.

Que graça teria Roma se ela estivesse a meio segundo de distância da minha sala?

Que valor eu daria pra Paris se pudesse levantar do sofá de casa e chegar lá em milésimos?

Por mais que eu perca um tempo precioso no meus deslocamento, não gostaria de viver num mundo com teletransporte. A viagem não tem graça se não tiver um caminho pra percorrer.

Renan Mariano disse...

Concordo! E só não fiz essa objeção porque não queria deixar mais um texto com ar filosófico =P. Como eu disse, teletransporte faria com que viagem perdesse o significado. E mesmo não tendo escrito, não acho isso legal. Mas no dia-a-dia séria ótimo, hehe!

Anônimo disse...

Eu acharia o maximo e usaria o carro (aviao nao!) somente quando tivesse afim de curtir uma estrada. ahahahahahah