quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Ménage à trois


Entraram na casa o marido, a esposa e a prima da esposa. Estavam nervosos, era a primeira vez para os três. A ideia da aventura era antiga; teve origem na cabeça do marido, e a esposa foi, lentamente, acatando o fetiche. Por fim, decidiu ela pela escolha da segunda mulher, sua prima. A decisão pela parente foi motivada pelo fato de que as duas já haviam tido uma experiência sexual juntas na adolescência, em que acariciaram-se e beijaram-se enquanto tomavam banho em um rio.

A casa onde se daria o ato era a do casal. Chegaram inibidos, mas algumas taças de vinho fizeram com que os três ficassem mais descontraídos. Decidiram ir para o quarto. O marido iniciou os trabalhos dando um longo beijo em sua esposa, enquanto a prima se despia e despia os outros dois.

Alguns minutos depois de preliminares a três, a esposa saltou da cama e foi buscar algumas camisinhas na gaveta da cômoda, deixando seu marido e sua prima trocarem beijos e mordidas. Ao olhar para os dois ali, em sua cama, deliciando-se, a esposa ficou preocupada. No fundo ela sempre esteve preocupada com essa experiência. É fato que ela também havia despertado esse fetiche dentro de si, mas talvez a grande motivação fosse agradar ao marido. Era uma mulher liberal até certo ponto, tinha certeza que o marido a amava, e animava-se com a ideia de que isso daria ao casamento um frescor a mais e o tornaria ainda mais satisfeito ao lado dela. Nunca viu o casamento como uma prisão, e não queria que o marido se sentisse como um prisioneiro. Além do mais, era muito melhor que o marido experimentasse outra ali, na frente dela, do que pelas costas, como um felino que passa um tempo na rua caçando fêmeas e volta ao lar como se nada tivesse acontecido.

Mas ainda se preocupava. Tinha medo de que o efeito dessa experiência fosse justamente o contrário. E se seu marido tomasse gosto pela coisa? Não que a esposa tivesse medo de que ele se apaixonasse por sua prima, mas sim de que fosse despertado nele uma vontade insaciável por maior variedade no cardápio sexual, e assim acabasse abandonando-a em prol de novas aventuras. Mas a esposa sabia que não era possível voltar atrás. E nem queria, apesar dessa breve reflexão. Voltou para a cama, onde abraçou a prima e deu-lhe um beijo, enquanto o marido observava as duas.

O homem estava em êxtase. O desejo era muito antigo, mas jamais tinha percebido abertura de sua esposa quanto a esse tipo de experiência. Entretanto, desde o momento em que ela revelou para ele o que havia acontecido entre ela e sua prima no rio há anos atrás, um fio de esperança brotou de dentro dele e tomou seus pensamentos. Pouco a pouco, foi tocando no assunto com a mulher. Levou muito tempo até conseguir o aval dela. Mas finalmente havia conseguido. E justamente com a prima do rio.

Ele mantinha o olhar lânguido para sua esposa e a prima. Duas mulheres! Ah, duas mulheres! O desejo de qualquer homem certamente é levar duas mulheres para a cama ao mesmo tempo, e ser o rei delas, oferecendo-lhes sua masculinidade e permitindo que elas divirtam-se entre si. Ao longo do ato sexual o marido olhava com ternura para a sua esposa. Que mulher! Ó, que mulher! Excelente esposa, ótima amiga e ainda estava permitindo ao marido saciar seu maior desejo. O casamento com ela foi um dos maiores, senão o maior, acerto de sua vida. Estava enlouquecidamente feliz. Quanto à prima, um tesão de mulher! Aquele era, sem dúvida, um dos melhores momentos da vida desse homem.

A experiência sexual durou um bom tempo, bem mais do que o costume do casal. Exausta, a prima foi a primeira a usar o banheiro após o ato. Lá, olhou-se no espelho. Curiosa, abriu o armário. Reparou as duas escovas de dentes, uma azul e outra rosa, que ali dentro estavam. Era uma mulher bonita, voluptuosa, inteligente, mas lembrou-se que jamais havia juntado sua escova com a de outro homem. Nunca havia se relacionado dessa forma, tão cheia de cumplicidade e planos.

Na realidade, a prima nunca havia buscado um casamento com o mesmo afinco que outras mulheres demonstram ter. Talvez pelo fato de que, desde cedo, fora acostumada às desilusões. No momento em que tornou-se senhora de si, já não acreditava mais nos homens. A partir daí, mergulhou em diversos amores de verão, relacionamentos superficiais e passageiros, até mesmo com homens casados. E agora estava ali, diante daquelas duas escovas, tão unidas e enraizadas entre si, como se fossem uma só. Era uma mulher boa, mas por um momento sentiu inveja da prima. Sentiu pena de si. Voltou para a cama.

Ainda no quarto, conversaram um pouco; falaram da vida, dos seus anseios, dúvidas, e do futuro. Por fim, dormiram os três abraçados, estando o marido entre a esposa e a prima. Partilharam o sexo, mas mantiveram cada qual uma percepção diferente acerca daquela experiência inesquecível.

Um comentário:

Mauro de Bias disse...

Botão de curtir quedê?