terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Perfis de gente falecida nas redes sociais


O assunto que vou discutir agora é um tanto incômodo, porém creio que necessário, apesar de eu não ler/ouvir pessoas falando sobre isso por aí. É muito simples: se você morrer, como ficarão seus perfis nas redes sociais da internet? Já parou para pensar nisso?

Os despreocupados talvez digam que não há nada de mais, afinal é apenas um perfil em uma rede social descompromissada com qualquer tipo de identidade ou cadastro oficial de alguém. “A minha página ficará lá, ora, sem nenhum problema”. Alguns podem até alegar ser interessante o perfil ser mantido no ar; uma forma de a pessoa ser lembrada. Mas, convenhamos, vocês não acham isso um tanto fúnebre? Eu particularmente acho muito esquisito que entre meus contatos virtuais tenha alguém falecido ostentando uma foto sorridente. Soa-me mais fúnebre ainda as mensagens de saudade, homenagens e carinho que algumas pessoas costumam colocar na página da pessoa. A intenção pode ser bonita, mas se tratando de redes sociais, tal atitude se torna um tanto sombria, assim como é sombrio tirar foto em funeral. E vou explicar o porquê.

Rede social sugere atividade social. E falecidos não possuem atividade social. Isso por si só já seria um bom argumento para a exclusão do perfil de alguém que faleceu. Mas posso ainda exemplificar. Recentemente, uma menina com quem convivi ao longo do ano de 2011 veio a falecer. Jovem, bonita e cheia de vida. Inicialmente, mantive a “amizade” com “ela” através do Facebook. Li as homenagens prestadas por familiares e amigos em sua página. Tudo muito bonito e comovente. Porém, pouco depois, eu comecei a ver a foto de perfil da menina aparecendo na barra de atualizações da minha página, sugerindo que ela ainda estivesse em plena atividade social pela internet. Claro, não me assustei, pois conheço o funcionamento do Facebook e logo vi que eram pessoas marcando-a em fotos. Mas aquilo me incomodou. Entrei mais uma vez no perfil da moça, me lembrei dela com carinho, e desfiz a amizade. Percebi que além de estranho, não fazia mais sentido mantê-la em meu círculo social virtual.

Um outro ponto importante a ser considerado quando se mantém o perfil de alguém falecido é a dificuldade no desapego à imagem da pessoa viva por parte dos familiares e amigos mais próximos. Reflitam comigo. O velório e o enterro são rituais tristes, porém indispensáveis, pois nos permite dar o último adeus ao ente querido, surtindo assim em nós um efeito psicológico positivo para o processo de desprendimento. Agora, se o perfil de um falecido continua no ar, é como se ele ainda estivesse vivo. Isso deve dificultar demais o adeus definitivo. Imagine como deve ser para uma mãe, por exemplo, ver o perfil do seu filho falecido, com as fotos do rapaz com a família e amigos, em momentos alegres, além de suas últimas postagens e comentários felizes, ou sérios, ou debochados, porém sempre tão vívidos, em links ou fotos de outras pessoas. Voltemos ao caso da marcação da pessoa em fotos. Imagine como deve ser para um rapaz ou moça ver, em algum momento, o avatar do seu irmão ou irmã que já partiu desta vida aparecer em suas atualizações porque ele ou ela foi marcado/a em fotos por algum amigo. Penso que isso deve ser muito, mas MUITO triste!

E não é só. Ainda no Facebook existe a (péssima) comunidade Perfis de Gente Morta. Dá arrepios só em entrar lá. Funciona assim: o membro que toma conhecimento da morte de alguém que tenha perfil no Facebook coloca o link do falecido por lá para que outras pessoas vejam e possam fazer comentários. Mais mórbido impossível. E muitas vezes desrespeitoso. Afinal, os membros da comunidade são, geralmente, pessoas que não possuíam nenhum vínculo com o falecido. Então se o fulano morreu em um acidente de moto, por exemplo, há sempre um infeliz para comentar “bem feito, quem mandou não usar capacete?” na comunidade. Alguns idiotam chegam ao extremo de ir até página do falecido para escrever coisas desnecessárias. É repugnante! Mesmo que o morto fosse um criminoso em vida, são dispensáveis as manifestações públicas de ódio à pessoa e/ou de alegria pela fatalidade. Afinal todo mundo é amado por alguém, por pior seja. E a pessoa que ama não merece ver isso jamais.

Por isso penso que a melhor solução seja mesmo a exclusão do perfil de uma pessoa falecida. O Twitter e o Facebook disponibilizam meios para que esses perfis sejam devidamente excluídos. Uma outra opção, para tornar a exclusão mais rápida, não passando pela administração das redes sociais, é fornecer sua senha para que alguém de confiança possa tomar conta do seu perfil caso aconteça alguma coisa com você. É estranho e incômodo, eu sei, mas não é mais bizarro do que pagar um plano funerário, estou errado? A premissa é a mesma: precaução. Se ainda assim você ou a pessoa de confiança rejeitam a ideia (ou você não possui alguém de confiança), você pode escrever em um papel a sua senha e a rede social em questão, tudo de forma bem explicada, e coloca-lo em um lugar que só você costuma mexer (uma gaveta, uma caixa com pertences pessoais, etc). Assim, se acontecer algo com você, provavelmente alguém da sua família vai acessar seus pertences, encontrar o papel e agir conforme o descrito.

E para finalizar… eu não deveria ter escrito esse texto de madrugada.

2 comentários:

Anônimo disse...

Oi Renanzinho, já que você é de confiança, aí vai:

morena_gatinha_hot18@hotmail.com

senha: moreninhaf@cebook

Renan Mariano disse...

Quando o texto não é de humor, os comentários são! Hahaha!