domingo, 15 de abril de 2012

No pátio do colégio


Eu estudei no mesmo colégio por 11 anos, da 1ª série do Ensino Fundamental ao 3º ano no Ensino Médio. Ele fica exatamente atrás da minha casa, em uma colina. Apesar de apenas 5 minutos de caminhada separarem minha casa desse colégio, eu não ia lá praticamente desde quando terminei o último ano. Mas fui esses dias para usar a biblioteca. E ver aquele pátio grande novamente foi emocionante.

Muita coisa mudou. Laboratórios de informática foram construídos, acomodações mudaram de lugar, a própria biblioteca está em outro lugar, agora existem novas salas, uma livraria com xerox e nova pintura. Porém, não mudou o suficiente para que eu não sentisse que fiz parte daquele lugar por tanto tempo.

Fiquei com saudade. Saudade daquele pátio, saudade da lanchonete onde comi tanto misto quente e hambúrguer na hora do intervalo, saudade daquela piscina onde fiz natação por alguns anos, saudade daquela quadra onde fazia as aulas de Educação Física, saudade das salas de aula (onde não pude entrar, uma pena). Fiquei com saudade também dos meus amigos daquela época, dos professores e de outros funcionários, das minhas boas notas e bom comportamento e dos muitos elogios que recebia por isso. Saudade de tudo o que eu ali vivi. Inclusive das paixões platônicas. Até mesmo do bullying que eventualmente eu sofria por ser nerd! É inexplicável o que o coração da gente sente quando nos deparamos com um lugar que não visitamos há muito tempo, mas que fez parte da nossa história.

Mas talvez mais do que essas saudades que listei, fiquei com saudade de mim mesmo. Ao entrar naquele pátio, eu me vi criança e adolescente andando por ali com os amigos da turma. Lembrei dos meus sonhos, das minhas perspectivas e das perspectivas que lançavam sobre mim. A gente quase sempre se projeta de forma melhor do que aquela que realmente atingimos. Hoje tenho 25 anos. Nossa, eu imaginava que quando eu tivesse 25 anos eu seria um cara muito diferente do garoto pacato que eu era, cheio da grana, cheio de namoradas - ou talvez até casado já. Nada disso. Pelo menos não ainda. Mudei bastante o meu jeito de ser, me permiti muitas coisas, mas acho que a gente nunca muda tanto como pensamos. Esposa? Continua sendo um projeto muito para o futuro. E talvez não me case, vai saber. Quanto a ser cheio de grana, um dia, quem sabe (em breve, espero). Mas descobri que 25 anos é o início de muita coisa ainda; não o meio; tampouco o fim.

Me dá uma saudade de quando eu era mais novo. De quando eu via tudo de forma mais bonita. De quando as coisas eram muito mais tranquilas e suaves. De quando eu brincava com meus amigos e não havia nenhuma maturidade ali. Era tudo uma deliciosa bobagem. Inventávamos músicas bobas, apelidos bobos e brincadeiras bobas. E o dia corria assim. A maturidade de um jovem adulto não atrapalha; pelo contrário, ela é um atributo fundamental. Mas deixa tudo menos colorido. E acho que as cores só são restituídas somente na maturidade da velhice. Idosos e crianças veem tudo de forma mais ingênua.

Aliás, saudade de ser ingênuo. Certa vez meu pai pediu que eu escrevesse, no Natal, uma carta para o Papai Noel e colocasse na janela do quarto. Escrevi, coloquei, e horas depois a carta já não estava mais lá. “O Papai Noel passou aqui de fininho e levou”, disse meu pai. Acreditei e fiquei feliz. E nunca mais me esqueci disso.

Saudade de assistir desenhos com aquela empolgação de antes. Hoje em dia ainda tento ver alguns. Não acho mais tanta graça. Sinto como se eu tivesse perdido um dom. Os desenhos continuam a mesma coisa: o Tom correndo atrás do Jerry, o Papa-Léguas sacaneando o Coiote, o Ash travando batalhas com seus pokémons. Só que eu já não sou mais o mesmo. Na verdade, só tem um programa infantil que me desperta os mesmos sentimentos de antes: Chaves. Por isso é tão popular até hoje. Saudade também do Master System, Mega Drive e Super Nintendo.

É estranho eu estar escrevendo isso agora, porque eu sei que quando eu tiver 50 anos eu vou ficar lembrando dos meus 25 com certo saudosismo. De como o mundo escancarava as oportunidades na minha cara e eu não percebia. De como deixei de aproveitar muita coisa ou de como eu dei importância excessiva a outras. Acho que é assim com todo mundo. A verdade é que sempre vai haver um pátio de colégio para cada momento de nossas vidas, dos quais vamos lembrar com saudade, às vezes alguns arrependimentos, mas sempre carinho.

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