sábado, 15 de dezembro de 2012

Amigo Oculto


amigo secreto
Chega o fim do ano e com ele o hábito de presentear pessoas queridas. A não ser que você seja alguém muito problemático e doentio, existem muitas pessoas a quem queremos bem e desejamos todas as coisas boas da vida. Só que, infelizmente, existem mais pessoas do que o nosso orçamento consegue lidar na hora de dar presente. Principalmente em ambiente escolar e de trabalho. E eu creio que esse tenha sido um dos motivos para inventarem o Amigo Oculto.

O Amigo Oculto é uma brincadeira em que você compra um único presente para uma única pessoa, mas é como se todo mundo estivesse presenteando todo mundo, devido à confraternização provocada. A ideia é forçar uma onda de gesto de carinho entre os participantes: um elogia e presenteia o outro, que elogia e presenteia e outro, etc. O princípio é lindo, mas muitas vezes não funciona como deveria, pois…

1) Nem todo mundo ali é amigo um do outro. Pois é. Isso acontece muito em ambiente escolar ou de trabalho, em que não necessariamente você gosta de todo mundo. Porém, ficar de fora da brincadeira pode pegar mal. Então o melhor a fazer é brincar e torcer para que você não tire um desafeto. E quando você tira? Bom, aí é que o Amigo Oculto se torna bem desagradável. O jeito é engolir essa e se desdobrar para conseguir enumerar as qualidades da pessoa. Afinal, não cabe lavar roupa suja nesse momento. Mas… 

2) Em vez de elogios, esporros. Tem gente que aproveita do Amigo Oculto para falar umas verdades pra pessoa. “Tirei uma pessoa com quem fiquei muito chateado no início do ano por causa disso e daquilo. Não achei a atitude dela correta, mas Natal é tempo de perdão…”. Que coisa mais desagradável de se falar! Isso é muito comum entre familiares. Constrange tanto a pessoa referida quanto ao restante dos participantes que ouvem aquilo. O pior é quando a pessoa vai pro meio da roda pra receber o presente, e começa a se defender de quem a presentou. Bem bizarro e desconcertante.

3) Em vez de elogios, defeitos. Pode até ser mais constrangedor do que o item anterior. “O meu amigo oculto tem uma verruga no queixo e uma pinta estranha na testa”. Esse tipo de coisa só pode ser feita quando você têm MUITA afinidade e intimidade com a pessoa e tem a certeza de que ela não vai se importar. E ainda assim é muito melhor você só dizer coisa boa. Não dá pra brincar assim com aquela menina do RH que você não vê sempre ou com o colega que senta a 3 fileiras de distância de você na faculdade. Mas tem cara-de-pau pra tudo.

4) Presentes desnivelados em relação a preço. No Amigo Oculto, deve ser estipulado uma faixa de valores para o presente. Mas aí alguém tira uma pessoa de quem gosta MUITO, e se vê com muita vontade de dar um presente mais caro. Não pode! A brincadeira é igualitária. Por mais que ninguém seja criança, fica chato as pessoas que receberam CDs e porta-retratos ficarem olhando aquele que ganhou um Ipad. Se você quer muito presentear a pessoa que você tirou com algo mais caro, dê dois presentes: um simples para Amigo Oculto e o caro por fora, em off. Pior do que isso: você dar um presente muito aquém do valor estipulado. Vexame!
 
5) Presente ruim. Tá certo que grande parte da graça do Amigo Oculto está na enumeração de qualidades da pessoa enquanto os outros tentam descobrir. Mas o presente também oras. Não custa nada tentar ver o que a pessoa gosta ou utilizar de seu bom senso e dar algo que você acha que a pessoa poderia gostar. Mas tem gente que não liga pra isso. Compra qualquer coisa que está dentro do valor, prepara um discurso bonitinho, e pronto. Não é esse o espírito da coisa.

6) Presentes iguais. A não ser que seja um Amigo Oculto de Páscoa, em que chocolate será presente de todo mundo, não faz sentido estipular um tipo de presente. Amigo Oculto de CD, de chaveiro, etc. Não! Que coisa mais estúpida. Cadê o espaço para a criatividade e para a surpresa? Desnível entre presentes deve ser evitado estipulando-se a faixa de valores e não o tipo de presente a ser dado.

A minha família já brincou Amigo Oculto no Natal umas duas vezes. Mas não deu muito certo. O motivo foi (veja só!) integração demais. Devido a isso, todo mundo se sentia à vontade e ninguém calava a boca (e eu me incluo nessa). Todos queriam fazer piada para tornar a brincadeira mais legal, e quem tinha que realmente falar na hora mal conseguia. Isso atrapalhava o curso da brincadeira; a coisa ficava longa demais e tomava quase toda a noite de Natal (a família é grande). Todo mundo percebeu e ninguém mais deu ideia de fazer Amigo Oculto depois.

Resumindo: se você evitar os problemas acima citados e se você tiver uma família menor e mais mansa do que a minha, pode brincar!

Um comentário:

Diego Martins! disse...

Infelizmente participei de pouquíssimos =/
Quanto ao item 6: concordo plenamente!!!