sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Contos de fadas sem fadas


branca de neve cinza
Contos de fadas são bonitos e inspiradores. Mas, como o próprio nome já diz, são de fadas. E, até onde eu sei, fadas não existem. Logo, esses contos não foram escritos com o intuito de parecerem verídicos. Mas, e se pensássemos em adaptações desses contos para a realidade da vida? Seguem abaixo exemplos de como alguns ficariam.

O patinho feio


Como é: Uma pata espera ansiosamente que seus patinhos venham ao mundo. Um belo dia, todos começam a nascer e a mãe fica muito emocionada. Porém, o último a nascer é um pato muito esquisito na aparência, além de ser bastante desengonçado. O patinho em questão começa a sofrer gozações no terreiro onde é criado e, sem amigos, se sente muito rejeitado. Um dia, resolve fugir. Passa fome e frio. Tempos depois, na primavera, ele percebe que cresceu, e então ele abre ele as asas, descobre-se cisne, une-se a outros cisnes, e revela-se o mais bonito de todos eles.

Como seria na realidade: O patinho nasce feio pra cacete, sofre bullying, é rejeitado e foge. Passa fome e frio até morrer. Se não morre, ele também não se torna um belo cisne porcaria nenhuma. Continua bem feio. Passa a vida com baixa autoestima. Uma outra alternativa é que ele poderia se descobrir diferente de outra forma… ser um pato gay afeminado. Aí então ele sai de casa, solta a franga (ou melhor, a pata) de dentro dele e vai viver com outros patos afeminados. E, infelizmente, passa uma vida inteira sofrendo preconceito do restante da sociedade.

Obs: Antes que questionem, O Patinho Feio é sim um conto de fadas, apesar de não ter fada nem princesa na história.

A bela adormecida

Como é: Uma princesa muito amada pelos pais é batizada e está prestes a receber presentes de 12 fadas madrinhas. Entretanto, uma fada tinhosa não havia sido convidada para o evento. Chateada, a fada maldita lança um feitiço contra a princesa, em que, quando a moça completasse 16 anos, ela deveria furar o dedo numa porra de uma agulha de uma máquina de costura (ou sei lá o que) e morrer. Uma das fadas, então, dá como presente a suavização do feitiço: a princesa não vai mais morrer, vai apenas cair em sono profundo e despertar quando receber o beijo do amor verdadeiro. A menina completa 16 anos e encontra uma máquina de costura dentro do castelo. Ela então fura o dedo, cai no sono e fica dormindo por anos e anos. Um dia, um belo príncipe resolve resgatá-la, a beija, e eles vivem felizes para sempre.

Como seria na realidade: Primeiro que não seria uma princesa; é mais provável que fosse uma menina do subúrbio. Aí no dia do batismo dela as tias chegam só para comer e dão umas lembrancinhas sem graça apenas para despistar. Porém, a tia Creuza, que é macumbeira, não foi convidada. Creuza, portanto, fica puta da vida e faz macumba pra sobrinha: quando a menina tiver sua primeira menstruação, vai sangrar até morrer. A tia Greice, que é evangélica, ouve tudo e fica indignada. Greice resolve levar a menina na sessão descarrego para tentar cortar a macumba. Lá, a jovem é pressionada com muita força na cabeça pelo pastor durante a oração. Nisso, cai desmaiada. Todos na assembleia entram em delírio e louvor. Mas a menina morre em seguida. Isso tudo anos antes de menstruar pela primeira vez, tadinha.

Cinderela

Como é: Uma bela e pobre menina é feita de empregada não-remunerada e é maltratada pela tia e pelas primas. Um belo dia, uma fada ouve suas preces e resolve dar a ela a oportunidade de ir em uma festa no castelo. A boa senhora concede a ela um vestido de princesa, uma carruagem digna da realeza e um belo par de sapatinhos de cristal. A condição é que a menina volte antes da meia-noite, pois tudo o que ela ganhou irá sumir nessa hora (essas fadas nunca fazem o serviço direito – tem sempre uma condição!). Ela vai ao baile, conhece o príncipe, eles dançam e o cara se apaixona por ela. Bate meia-noite no relógio, a Cinderela então foge pra não ser vista como plebeia e, nesse momento, perde um dos sapatinhos na entrada do castelo. O príncipe acha o calçado e, fissurado de amores pela jovem, passa a procura-la em todo o reino tentando descobrir em qual moça o sapatinho se encaixa. Ele encontra uma jovem cujo sapatinho a serve perfeitamente e vê que o outro sapatinho do par está com ela; ou seja, é ela mesma! Então eles se casam e vivem felizes para sempre.

Como seria na realidade: A menina, moradora de comunidade, é constantemente violentada pelo padrasto. Para sair um pouco dessa rotina triste e curtir a vida, decide ir ao baile funk. Pega dinheiro escondido com a madrinha, compra um conjuntinho de piriguete (top e shortinho) e uma sandália Melissa. Vai para o baile toda produzida, seduz o dono da boca-de-fumo e dá pra ele atrás da caixa de som. Ela então se lembra que tem que voltar pra casa antes que o seu padrasto chegue da rua bêbado. Sai correndo do local e a Melissa arrebenta na saída do baile. A moça chega em casa, mas é tarde demais: o padrasto já está lá esperando-a com uma garrafa de cachaça na mão e dá uma baita de uma surra nela (e na madrinha, que havia financiado a noitada da garota). Enquanto isso, o traficante dono da boca encontra a Melissa arrebentada, conserta e dá de presente na mesma noite pra uma vadiazinha que ele quer comer também. E consegue.

Branca de Neve 

Como é: Uma rainha dá a luz a uma bela menina de cabelos negros e pele branca como a neve, e morre logo depois. O rei, então viúvo e solitário, decide se casar novamente. Só que não imagina que a nova mulher é uma feiticeira terrível e vaidosa. A megera mata o rei e faz com que a princesa fuja para bem longe. Tempos depois, descobre através de seu espelho mágico que a menina está viva. Depois de tentativas frustradas de capturar e matar a enteada, a feiticeira descobre que ela está vivendo com sete anões na floresta e decide ela mesma ir atrás da jovem. Disfarça-se de uma inocente velhinha, vai até a casa dos anões e oferece uma maçã envenenada para a menina. A princesinha come a maçã e aparentemente morre; chega até mesmo a ser enterrada dentro de um caixão de vidro. Mas um belo príncipe fica sabendo da história, se encanta pela jovem, a beija, ela desperta, eles sem casam e vivem felizes para sempre. A madrasta morre.

Como seria na realidade: Uma mulher dá a luz a uma filha e morre logo depois do parto. O pai, aposentado e carente, decide se casar de novo. Só que a nova mulher é uma víbora, diabólica e vaidosa. A megera mata o rei e passa a atormentar a vida da enteada. Chateada, a menina foge de casa e vai se abrigar em uma casa de prostituição comandada por sete irmãos. Lá, ela sobrevive fazendo programas com vários clientes, além de servir sexualmente aos irmãos. Um dos clientes é um cara bonito, ele é apaixonado por ela e sonha em tirar a jovem dessa vida. Um dia, uma fofoqueira avisa à madrasta que sua enteada ainda está viva e fazendo programa em tal lugar. Com medo de a menina se vingar um dia, a megera decide ir atrás dela, se fantasia de homem velho e diz para um dos irmãos cafetões que quer fazer um programa com a jovem de cabelos negros e pele branca. Enquanto a jovem sensualiza para o suposto velhinho no pole dance, a madrasta disfarçada coloca veneno num drink e oferece à moça, que toma e morre segundos depois. A safada sai sorrindo do quarto, dá de cara com o bonitão que era apaixonado por sua enteada, o encanta, o leva pra casa, e dá pra ele.

Shrek

Como é: Sátira dos contos de fadas, mas que não deixa de ser um conto de fadas. Um ogro é intimado por um rei arrogante a ir buscar uma princesa presa num castelo vigiado por um dragão. Consegue driblar o dragão, resgata a princesa e, na volta para o reino, o ogro e a princesa começam a flertar e terminam a jornada apaixonados. A princesa dá um pé na bunda no rei metido e fica com o ogro gente boa.

Como seria na realidade: O ogro resgata a princesa e a come. Primeiro no sentido sexual; depois no sentido de devorar. Que se f*** o rei. Ele é um ogro, oras!


A verdade é só uma: a vida infelizmente está muito mais para um conto de Nelson Rodrigues do que da Disney.

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