quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Bonito


pinguins
Bonito é o olhar de mãe quando o filho chega em casa. É o latido feliz do cão. É o alívio que o nosso próprio lar traz quando chegamos. É a certeza de ter um chão. Bonito é o talento do homem, que constrói casas, aviões e obras de arte. Bonito é o profissional que não trabalha, porque ama tanto o que faz, que do lazer o seu trabalho faz parte. Mais bonito ainda é receber por isso. É compromisso. Bonito é ser verdadeiramente reconhecido. É conseguir influenciar pessoas que são importantes para você. E se deixar ser influenciado por elas. Sem se perguntar por que. Bonito é conquistar algo depois de tanto batalhar por aquilo. Aliás, talvez esse seja o clichê mais bonito dos que se ouve por aí. Bonito é o esforço, é o suor, é o objetivo. Bonito é levantar depois de cair. Bonito também é o amigo oferecendo seu ombro e ouvidos para o choro e suas palavras para consolo. Bonito é receber um telefonema bom e inesperado. Bonito é o namorado fiel. É o romântico transparente. É o íntegro, o correto e o justo. É ser dedicado. Bonito é o encontro entre duas almas, que se paqueraram desde o momento em que se viram e criaram condições para que pudessem viver o amor. Bonito é o voo do pássaro. É o pôr-do-sol. É o aprendizado resultante da dor. Bonito é aquele primeiro raio de sol de uma manhã de sábado, que anuncia descanso, diversão e injeta otimismo. É acordar com música. É aquele sorriso espontâneo, meio de lado, meio tímido. Bonito é o modo positivo como algumas pessoas encaram a vida, mesmo quando as coisas não estão bem. É saber que não está só. É sarar a ferida. É concluir uma oração dizendo “amém”. Bonito é o gesto generoso. É o “muito obrigado”. É o espírito de equipe. Bonito é ser educado. Bonito é tudo aquilo que traz serenidade. Bonito é saber abrir mão. É saber cativar. É saber amar verdade. É saber se desapegar. É o perdão. Bonito é o recomeço. É fazer planos. É incluir pessoas nesses planos. Bonito é ter fé. É tentar melhorar a cada dia. É o bom humor. É a alegria. Bonito é ser o que se é.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Lanche da tarde


Um delicioso chocolate quente servido numa xícara decorada. As bisnagas dispostas simetricamente numa pequena cesta. A geleia, o mel, a manteiga. Simples, porém sóbrio. O silêncio relativo que as poucas conversas paralelas em baixo volume proporcionam ao ambiente. Gente com classe, gente bonita, gente pensante. A prosa é consequência natural desses fatores tão convidativos. Tem coisa mais prosaica do que café? Do que chocolate quente? De repente todo mundo fica maduro. Todo mundo possui um monte de experiências para dividir. A cada gole de chocolate, a cada mordida no pão, um momento na história de vida de cada um é contada. Histórias nem sempre felizes, mas, quando tristes, adequadas à leve melancolia de um lanche da tarde. Nada pesado demais. Mas frequentemente íntimo. Tem coisa que somente (e simplesmente) um bom pedaço de pão com manteiga e um cafezinho fresco são capazes de tirar do nosso coração. E aí, de repente, o café acaba e a vergonha aparece. O rosto fica vermelho. O olhar procura o chão. Foi dito. Mas tudo bem. O outro também disse muita coisa sobre si. Talvez até mais. É uma das fraquezas do ser humano essa coisa de se entregar em troca de migalhas. Mas nesse caso, em troca de um pão inteiro. E não um pão qualquer. Não um café qualquer, nem um chocolate quente qualquer. A decoração da xícara conta muito. O ambiente, as luzes, a geleia. Até o desenho dos talheres influenciam, se bobear. E claro, principalmente a pessoa com quem se conversa. Na verdade, isso não é fraqueza do ser humano. É beleza. Assim como o sol que se põe enquanto a prosa se desenrola. É gostoso. Assim como chocolate quente no lanche da tarde.

domingo, 26 de maio de 2013

Garotinha do papai


Jorge atendeu o telefone:
- Alô!
- Alô, pai?
- Oi, minha princesa! Diga.
- Chegou bem no trabalho?
- Sim, já estou no escritório.
- Que horas você volta hoje?
- Por volta das 7, por que?
- Preciso de um favor seu…
- Fale, meu amor.
- Passa na farmácia e compra um pacote de camisinhas pra mim?
- Oi?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A amante

Jéssica desconfiava que Eduardo, seu marido, a traía. Primeiro, o rapaz começou a chegar mais tarde do que de costume em casa. Depois, passou a deixar a desejar na cama. E por último, quase sempre saía de perto da esposa para atender o telefone.

Numa dessas escapadinhas para falar ao telefone, Jéssica seguiu Eduardo discretamente até a varanda e, escondida atrás da parede, percebeu que ele cochichava palavras afetuosas com alguém. A partir daquele momento, a moça não teve mais dúvida: estava sendo chifrada.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Desmistificando a Baixada Fluminense


BaixadaFluminense.jpg (1)

A primeira vez em que estudei fora da Baixada Fluminense, onde moro, foi quando entrei para a faculdade. E na minha turma de engenharia eu era praticamente o único que morava na região. Eu fiquei surpreso quando descobri que muitos colegas nunca tinham ido a nenhum lugar da Baixada. Não que precisassem frequentar, mas eu achava que pelo menos alguma vez na vida todo carioca teriam tido a oportunidade de conhecer.

Assim, acabei descobrindo também alguns deles pensavam coisas sobre a região que não faziam parte da realidade. Algumas até beiravam o absurdo. E eu me divertia com as suposições, e ao mesmo tempo tentava explicar. Levando em consideração algumas dessas suposições equivocadas (e outras corretas) de alguns colegas na época da faculdade, separei alguns itens para dar uma ideia do que é a Baixada Fluminense.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Dr. Google


Dr. Google

Depois que o Google foi inventado, só não tem acesso à informação quem realmente não quer. Apesar de eu ainda ser jovem, eu lembro bem como eram feitas as pesquisas do colégio antes do Google. Eu pesquisava em biblioteca, tirava xerox de fotografias e redigia os trabalhos a mão ou na minha máquina de escrever. Fiz muito isso. Tempos difíceis, mas eu guardo boas lembranças dessa época.

Hoje em dia, o Google, além de ser um gigantesco auxílio em trabalhos de pesquisa, nos possibilita ter uma ideia de que tipo de mal pode ter nos acometido quando ficamos doentes, ao pesquisarmos os sintomas que apresentamos. E há vantagens e desvantagens nisso.