sábado, 5 de janeiro de 2013

Dr. Google


Dr. Google

Depois que o Google foi inventado, só não tem acesso à informação quem realmente não quer. Apesar de eu ainda ser jovem, eu lembro bem como eram feitas as pesquisas do colégio antes do Google. Eu pesquisava em biblioteca, tirava xerox de fotografias e redigia os trabalhos a mão ou na minha máquina de escrever. Fiz muito isso. Tempos difíceis, mas eu guardo boas lembranças dessa época.

Hoje em dia, o Google, além de ser um gigantesco auxílio em trabalhos de pesquisa, nos possibilita ter uma ideia de que tipo de mal pode ter nos acometido quando ficamos doentes, ao pesquisarmos os sintomas que apresentamos. E há vantagens e desvantagens nisso.

As vantagem é bem clara. Eu acredito que informação disseminada é sempre melhor do que informação concentrada. O médico é um especialista formado para resolver o seu problema, mas você também precisa saber alguma coisa, ainda mais diante de tanta incompetência que vemos por aí. É a sua saúde que está sendo discutida.

Quem sabe usar o Google como diagnosticador, consegue na maioria das vezes distinguir informações certas de erradas, já chega no consultório médico com uma boa bagagem de perguntas a serem feitas, auxilia melhor o médico na anamnese e, consequentemente, otimiza a consulta.

Mas há uma desvantagem nisso…

O Google não é muito otimista quando é usado para consulta médica. A partir de simples sintomas, o Google devolve na pesquisa as doenças mais severas que se pode imaginar. Uma manchinha na pele? É tumor maligno! Dor de cabeça? É aneurisma! Uma palpitação? É coração com defeito; precisa de transplante! Fraqueza e desmaio? É leucemia; já pode raspar o cabelo! É tudo quase sempre crônico e fatal. Um prato cheio para hipocondríacos.

Devido a isso, pesquisar no Google os sintomas que você vêm apresentando é uma coisa bastante desagradável. Os sites não poupam você de informações assustadoras. E muitos deles estão recheados com fotos mais tenebrosas ainda. Isso sem falar nos relatos de outras pessoas. Se na sua rua existe aquela vizinha que sofreu disso e daquilo (e ela conta tudo pra você em detalhes), na internet existem centenas de pessoas relatando as doenças bizarras que tiveram. E muitos são relatos em 3ª pessoa, já que os adoentados acabaram morrendo. E morreram de doenças que são compatíveis com os seus sintomas.

Como eu disse acima, um bom pesquisador sabe a quais informações deve dar crédito. Mas eu acho que a maioria das pessoas tendem a ficar muito preocupadas com a sua saúde quando possuem sintomas que fazem parte de males muito graves. Eu conheço gente que prefere não pesquisar essas coisas justamente para não ficarem encucadas, mesmo que saibam que várias doenças compartilham um mesmo sintoma, e que a probabilidade de se ter uma doença menos grave é maior do que se ter uma mais grave. Mesmo assim, preferem ir ao médico sem fazer uma consulta inicial ao Google. Eu particularmente não resisto! Mas talvez seja a melhor opção para quem é muito paranoico.

Alguns especialistas não gostam que seus pacientes pesquisem na internet sobre seus males. Se o motivo é evitar que o paciente bata de frente com ele, considero este um mau médico. É sinal de arrogância. Mas se o motivo é evitar desespero desnecessário por parte dos pacientes, aí está bem justificado, desde que o médico seja devidamente informativo e claro para o paciente.

O importante é ter a consciência de que você não é um especialista, e por mais que você se informe sobre determinados sintomas e doenças através do Google, você não pode tomar o conhecimento adquirido como algo definitivo; acima do conhecimento de pessoas que estudaram anos e anos. Portanto, tente se tranquilizar. E depois me diga como conseguiu.

Já para aqueles que levam sintomas menos a sério do que deveriam e usam o Google para buscar soluções caseiras, pode até ser que a ferramenta substitua um especialista no caso de coisas mais brandas - que podem ser tratadas em casa utilizando as informações que a ferramenta retorna. Mas deixe de ser cabeça-dura e leve em consideração que, ao persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado.

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