segunda-feira, 29 de julho de 2013

Lanche da tarde


Um delicioso chocolate quente servido numa xícara decorada. As bisnagas dispostas simetricamente numa pequena cesta. A geleia, o mel, a manteiga. Simples, porém sóbrio. O silêncio relativo que as poucas conversas paralelas em baixo volume proporcionam ao ambiente. Gente com classe, gente bonita, gente pensante. A prosa é consequência natural desses fatores tão convidativos. Tem coisa mais prosaica do que café? Do que chocolate quente? De repente todo mundo fica maduro. Todo mundo possui um monte de experiências para dividir. A cada gole de chocolate, a cada mordida no pão, um momento na história de vida de cada um é contada. Histórias nem sempre felizes, mas, quando tristes, adequadas à leve melancolia de um lanche da tarde. Nada pesado demais. Mas frequentemente íntimo. Tem coisa que somente (e simplesmente) um bom pedaço de pão com manteiga e um cafezinho fresco são capazes de tirar do nosso coração. E aí, de repente, o café acaba e a vergonha aparece. O rosto fica vermelho. O olhar procura o chão. Foi dito. Mas tudo bem. O outro também disse muita coisa sobre si. Talvez até mais. É uma das fraquezas do ser humano essa coisa de se entregar em troca de migalhas. Mas nesse caso, em troca de um pão inteiro. E não um pão qualquer. Não um café qualquer, nem um chocolate quente qualquer. A decoração da xícara conta muito. O ambiente, as luzes, a geleia. Até o desenho dos talheres influenciam, se bobear. E claro, principalmente a pessoa com quem se conversa. Na verdade, isso não é fraqueza do ser humano. É beleza. Assim como o sol que se põe enquanto a prosa se desenrola. É gostoso. Assim como chocolate quente no lanche da tarde.