domingo, 25 de maio de 2014

Vamos tomar um chopinho?

 

choe


“Não, obrigado, eu não bebo”. É o que eu sempre respondo. Na mesma hora, a pessoa me lança um olhar estranho e faz uma segunda pergunta: “você é crente?”. Logo respondo: “Não, não sou”. E o olhar, que já era de estranheza, passa a ser de perplexidade.

Não é uma questão de religião. Sou católico, e até o padre da minha igreja dá os seus goles. Também não é devido a nenhum outro tipo de filosofia de vida. O fato é que eu nunca peguei o gosto para bebida alcoólica. Algumas pessoas dizem que eu tô mais do que certo. Outras debocham mesmo. As que aprovam geralmente ficam inibidas e bebem apenas um chopinho na minha frente. Acho que elas se sentem culpadas. Mal elas sabem que eu também me sinto incomodado. Só que por mim, não por elas!

Muitas vezes eu adoraria estar mesmo bebendo com quem me propôs beber. Porque eu acho que a bebida sociabiliza as pessoas. Muitos dos assuntos mais intensos, pessoais e interessantes são discutidos entre as pessoas à base de certa dose de álcool. Não é uma condição, mas até quem não bebe sabe que a bebida entra e a verdade sai. Não somente por causa dos efeitos do álcool, mas devido ao relaxamento e informalidade experimentados. E eu não sou careta, nem conservador; acho que um copinho de cerveja (ou dois, até três) não faz mal a ninguém.

Para vocês terem uma ideia, meus pais já me ofereceram várias vezes. Meus pais! E até hoje de vez em quando eles fazem isso. “Quer um copo, Renan?”. Meus pais são desses que bebem em casa, geralmente à noite. Sempre nego. Eu acho que quando se chega ao ponto em que os seus pais te oferecem bebida, é porque tem algo muito errado. Os pais geralmente ficam preocupados com o filho bebendo; mas os meus incentivam.

Lembro que, há um tempo atrás, um amigo me chamava com frequência para sair. Ele estava sofrendo por um amor desfeito, e eu sempre fui ótimo ouvinte. Eu acho que eu só não era a companhia perfeita para o desabafo pelo fato de não beber. Porque eu compreendo perfeitamente que, para muitos, a dor de cotovelo necessita de álcool. Acho poético até. Mas eu não conseguia compartilhar a garrafa com ele, nem forçando a barra. Acabávamos tomando açaí, que ambos adoram. Problema parcialmente resolvido, pelo menos.

Mas eu já experimentei bebidas alcoólicas diversas vezes. Todos os tipos. Por isso posso dizer com propriedade que eu apenas não peguei o gosto; não é simplesmente má vontade ou frescura. Só que chega uma hora que eu desisto de experimentar. Cerveja, por exemplo, nem tento mais. Vinho eu tô numa vibe de dizer que eu até curto. Mas que nada… O último que tomei, na semana passada, para acompanhar um fondue delicioso ao lado de amigos, foi deixado de lado pela metade na primeira taça. Foi só para fazer graça.

O que eu mais explorei até hoje foi a tal Smirnoff Ice. Fácil né? Lembra refrigerante de limão. Certa vez, numa boate, eu engrenei na Smirnoff. Passei alguns minutos dançando e bebendo, pensando que talvez eu tivesse finalmente tomado gosto pela coisa. Mas não foi bem assim. Bebi menos do que eu havia imaginado. Duas garrafinhas. Sentei. Estava tonto. Mas dessa vez sem cara feia. “Pelo menos dessa eu gostei”, pensei. Tempos depois, meu pai comprou Smirnoffs pra mim. Ficaram na geladeira. Meu irmão mais novo as bebeu. Gostei, mas não sinto a menor vontade de tomar Ice novamente. Se for para beber algo do tipo, prefiro refrigerante de limão mesmo.

O curioso é que eu percebo que algumas pessoas sentem repulsa por quem não bebe. Umas admiram, como eu já disse. Mas outras têm preconceito mesmo. Já ouvi dizer de algumas pessoas que elas não confiam em quem não bebe. É uma frase difundida, mas que já ouvi com muita sinceridade acompanhada de olhares fulminantes. Eu fico sem graça.

Diante disso, só me resta dizer que fiquem tranquilos, que eu não bebo, mas que eu sou um cara legal. E se de repente bêbado eu ficasse insuportável e fazedor de merda? Deus não dá asas a cobra. Mas sempre existe a primeira vez…

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