quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Considerações pessoais sobre 2014: um ano de rupturas


Este blog não é um diário virtual, mas neste texto eu gostaria de falar um pouco sobre a minha vida em 2014. Algumas coisas mudaram. Eu poderia dizer que tudo mudou, mas ‘tudo’ é muita coisa, e eu acho que pelo menos a gente não muda tanto assim em 1 ano. Na verdade a gente passa a se conhecer melhor, e talvez isso se confunda um pouco com mudança.

2014 foi um ano de rupturas. Houve rompimentos com coisas com as quais eu já estava acostumado e que estavam muito enraizadas na minha vida: saí da casa dos meus pais, terminei um vínculo de quase 9 anos com a minha universidade, e perdi um relacionamento. Discorro sobre esses pontos nas linhas a seguir.

A ideia de ter que me mudar para São Paulo parecia que iria acabar com a minha vida. Assim, nesse exagero mesmo. A independência financeira já havia chegado, mas a independência emocional em relação aos meus pais, não (pelo menos era o que eu achava). Na infância e adolescência, eu não aguentava passar mais do que 3 dias de férias na casa dos meus tios em Jacarepaguá. Eu ficava angustiado, chorava calado, queria voltar para casa, enquanto meus outros primos curtiam os passeios.

Hoje eu já tenho 27 anos, mas eu creio que, seja qual for a idade com a qual você sai da casa dos seus pais, a experiência sempre parece difícil num primeiro momento. E baseado nos meus sentimentos de angústia de anos atrás em relação a querer sempre voltar para casa, eu pensei que eu não suportaria trabalhar em São Paulo. Bom, me mudei há 10 meses. E tem sido menos difícil do que imaginei.

São Paulo surgiu para me mostrar que a minha independência  em relação aos meus pais é completa. E quando eu falo em independência emocional, não significa que eu tenha me tornado indiferente. Jamais! Minha família é tudo para mim. Mas meus sentimentos quanto a isso estão mais maduros. Até agora sento-me bem na maior parte do tempo, apesar dos momentos de saudade.

Além do mais, eu percebi que São Paulo é tão perto se comparado a outros lugares do Brasil. Tenho amigos no trabalho que vieram de muito mais longe. Quanto a isso, eu tenho até sorte. Eu poderia voltar para o Rio todos os fins de semana, mas evito. Percebi também que São Paulo trouxe-me uma mudança brusca de ambiente e amizades, natualmente. Nesse sentido, tudo hoje é diferente do que era há 10 meses. Lugares, amigos, assuntos… tudo novo.

Outra ruptura foi com universidade, a UFRJ. Depois de 5 anos de graduação, em 2011, fui direto para o mestrado. E com isso, foram no total 8 anos e meio de UFRJ. Sinto-me extremamente honrado de ter estudado lá. Mas houve um momento em que eu me senti estagnado por estar tanto tempo apenas estudando e, ansioso, acabei indo trabalhar antes de concluir o mestrado. A partir daí, o tormento começou, e teve o seu auge ao longo deste ano.

Pensei várias vezes em desistir do mestrado, mas depois eu pensava que seria muito mais frustrante ter chegado tão longe e ter desistido. E isso me deu forças para continuar conciliando meu trabalho cansativo ao longo do dia com a dissertação à noite e reuniões com o meu orientador. Tudo isso à distância; afinal, eu já estava em São Paulo. Eu não sei como eu suportei. Mas em setembro veio o alívio, a defesa da dissertação. Como presente para mim mesmo, logo depois eu viajei para Argentina e Chile, minha primeira experiência no exterior. Foi ótimo.

A terceira ruptura talvez tenha sido a mais delicada de todas. Um relacionamento intenso e maravilhoso que me levou várias vezes ao paraíso, mas que também me jogou no inferno outras tantas vezes. Extremamente conflituosa e mal definida, eu poderia escrever um livro sobre ela. Tenho muito o que falar. De bom e de ruim. Muita coisa eu só passei a entender com o tempo; outras eu até hoje não entendi.

Aprendi o quão destrutivos os conflitos internos de alguém podem ser para a relação afetiva que ela possui com outra pessoa. Aprendi que as mesmas coisas vão acontecer, de forma cíclica, se você continuar sendo conivente, e que essas coisas podem te prejudicar seriamente. Aprendi a importância do significado de algumas palavras. Amizade traz consigo coisas próprias de uma amizade. Namoro traz consigo coisas próprias de um namoro. Qualquer relação que misture elementos próprios dessas duas relações pode até ser interessante, mas quando permanece sem definição por muito tempo, não termina bem. A decisão em definir as coisas é uma questão de respeito consigo e com o outro. É uma pressão necessária. Chega uma hora que o amor precisa de responsabilidades.

Não definir a relação dá abertura para um abuso do uso de conveniências. Você é o que o outro quer que você seja no momento. Você será apenas um bom amigo no momento em que a pessoa quiser sair com outras pessoas, e será namorado nos momentos de solidão e desejo. E você se vê incoerente ao reclamar, afinal você se sujeitou a isso. É uma relação cômoda, egoísta, que não vislumbra o futuro amoroso conjunto. Portanto, aprendi que sujeitar-se a isso é um grande erro. Nunca mais vai acontecer.

Como eu disse, tenho muitas coisas boas a dizer sobre essa relação. Muitas mesmo. Coisas maravilhosas, momentos de verdadeiro romance,  momentos intensos, de generosidade, de ajuda, de estímulo, apoio, declarações, sacrifícios, dedicação, de trocas de olhares, de muita intimidade e diversão a dois e com amigos em comum. Existem pessoas que passam a vida inteira sem saber o que são esses elementos. Mas tantos episódios desagradáveis aconteceram, que o sentimento que tenho é o de que foi melhor assim. Aliás, encarei São Paulo como uma providência (divina, talvez) final para me afastar.

Errei muito também, fiz e falei muita bobagem; mas, de maneira geral não me arrependo do que vivi. Eu só queria poder voltar no tempo e reescrever algumas coisas, para que eu hoje eu pudesse estar apenas com as melhores lembranças. Ainda dói um pouco lembrar de algumas coisas. Várias noites fui dormir pensando se eu teria sido realmente amado. Porque foram tantos atentados contra essa relação vindos da outra parte que eu penso que talvez, depois de um tempo, eu tenha sido apenas um mero instrumento para suprir o desejo e a solidão alheia; uma solidão da alma, originada de fortes conflitos internos, e que, se não atacados seriamente, nunca vão passar.

Esse foi o ponto triste do meu ano. Foi alguém muito importante em minha vida, que de certa forma mudou a minha história e que também me fez muito bem. E, por isso, às vezes eu penso que não deveria perder totalmente o contato. Mas ainda existem muitas nuvens negras entre a gente, e eu não sei quando elas vão se dissipar. Ou se  um dia vão. É complicado. Ficou, portanto, o aprendizado para as próximas relações. Cobrar um jogo limpo, cartas na mesa, objetivos e aspirações em comum, certezas, assumir responsabilidades, assumir alguma coisa. E claro, saber dizer “basta” quando detectada a incompatibilidade. Pequei muito pela insistência.

Pois bem. 2014 foi um ano extremamente exótico. Eu sabia que seria imprevisível. Testei alguns dos meus limites. Foi diferente. Foi produtivo. Foi bom. Já para 2015 não prevejo novidades tão radicais. O gosto de 2015 é outro. Um gosto de promessas. Promessas de coisas que pretendo fazer, promessas de algumas coisas que eu já sei que estão por vir; mas, claro, estou totalmente aberto ao acaso. Eu me sinto mais preparado para encarar a vida adulta, algo que até início desse ano eu não sentia. Como eu disse, não sinto que mudei tanto, mas tudo ao meu redor mudou. E isso certamente têm me moldado aos poucos, mesmo que eu não perceba.

Que 2015 venha maravilhoso! =)

Um comentário:

Elaine disse...

Lendo esse seu post, senti falta de fazer a minha costumeira retrospectiva...mas não sei se vale a pena ruminar certos momentos e 'pontos tristes' do ano mais. De qualquer forma, desejo que seu 2015 tenha muito mais coisas alegres pra contar :)