quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A metáfora de Cinquenta Tons de Cinza

(Este texto revela um pouco alguns elementos do filme)

Não tenho nenhuma vergonha em assistir certos filmes. Fui ver “Cinquenta Tons de Cinza” sem ter lido os livros (e nem tenho vontade de lê-los), mas sabendo que ele é classificado popularmente como uma história para mulherzinhas. Não importa. Eu estava curioso, me convidaram e eu fui assistir.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Apelidos

Para mim, existem três tipos de apelidos:

Um deles é o pejorativo, utilizado para humilhar alguém. Desse eu nem preciso dizer que não gosto. Já sofri e também já pratiquei um pouco aquilo que hoje chamam de “bullying”. Acho que todo mundo já passou por isso, principalmente quando criança. No meu caso, não foi algo que me acompanhou por muito tempo. Foram brincadeiras desagradáveis, porém passageiras da infância. Mas existem pessoas que convivem com fantasmas de apelidos até hoje. Deve ser algo terrível.

Outro tipo de apelido é aquele que torna a pessoa uma espécie de personagem perante os outros. Desse também eu não gosto.  E para esclarecer esse, dou um exemplo. Certa vez, início do ano no colégio, uma menina ao se apresentar para a turma, disse: “meu nome é Fulana, mas todos me chamam de Beltrana, e vocês podem me chamar assim também”. Acho estranho esse tipo de apelido, em que “todo mundo só me conhece assim, e estão todos liberados para me chamarem assim”. Mesmo que o próprio apelidado divulgue o apelido. Eu acho um desserviço. Se eu possuo um nome civil, de conhecimento de todos, para que fazer com que todos me chamem de outra forma? Eu acho que isso afasta a pessoa dela mesma, criando, como eu disse, uma espécie de personagem perante a sociedade.

O terceiro tipo de apelido é aquele em que somente pessoas próximas te chamam assim. E que se origina de forma quase espontânea. Desse eu gosto. Você convive com algumas pessoas e, de repente, essas pessoas passam a te chamar através de um apelido, dado o nível de intimidade que elas ganharam com você. Acho muito bacana.

Aconteceu isso comigo em São Paulo. Na verdade, não ganhei bem um apelido; é apenas o diminutivo do meu nome: Renanzinho. Quando eu me dei conta, todos os meus amigos de São Paulo estavam me chamando de Renanzinho, inclusive no ambiente de trabalho. Cruzo com eles no corredor e vem um “e aí, Renanzinho, beleza?”. Raramente esse grupo de amigos me chama de Renan. E não sei quem foi o primeiro a me chamar de Renanzinho, e nem sei dizer precisamente quando surgiu. Mas eu gostei.

Um dia, me deu uma curiosidade e eu perguntei a um dos meus amigos se havia algum motivo especial para o “Renanzinho”, já que eu não sou um cara baixo. E então esse amigo me olhou, deu dois tapinhas no meu ombro e disse: “é apenas carinho, rapaz; a gente gosta de você”. E aquela resposta foi tão sincera que eu passei a gostar ainda mais do Renanzinho.

E assim eu acho bonito. Quando um apelido serve para seus amigos te caracterizarem com intimidade. Assim como acontece com nomes abreviados ou mesmo com apelidos que nada têm a ver com o seu nome. Renanzinho (assim como “Rê”, “Nanan”, “S”, e outros formas carinhosas com as quais pessoas próximas já se dirigiram a mim) indica mais proximidade com o Renan do que o próprio nome Renan. É como se meus amigos me conhecessem um pouco mais e o apelido sintetizasse uma permissão a mais. O que seria o contrário, caso eu viesse para São Paulo com um apelido antigo e falasse “amigos, me chamem de tal jeito!”. Percebam como é diferente. Nesse caso, o apelido parece me afastar (e os afastar) do Renan.

Nós carregamos a força do nosso nome de registro. Ele nos representa perante o mundo. Mas até que é legal existir um termo que nos designe de maneira especial para pessoas que são mais importantes. Principalmente quando ele parte dessas pessoas, que são movidas pelo carinho e amizade que sentem por você.