domingo, 25 de outubro de 2015

Quando você me conta as coisas


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Gosto de quando você se senta ao meu lado e envolve o meu pescoço com o braço. E, bem perto de mim, começa a me contar sobre as coisas que você fez, que viu, os seus planos, as coisas mais bobas. Gosto principalmente quando você me conta as coisas mais bobas. Porque quanto mais bobo, mais íntimos significa que somos. Só dois íntimos perdem tempo com bobagens, porque eles sabem que não haverá julgamento mútuo. E a gente não se julga nunca.

Gosto de como você gesticula ao me contar as coisas. Gosto da entonação da sua voz. Da prosódia espontaneamente deliciosa que você coloca na narrativa, fazendo questão de que eu entenda; fazendo questão de contar tudo para mim como se estivesse encenando uma peça. Gosto de sentir o quão importante é para você que eu saiba daquilo. E eu realmente ouço como se fosse a coisa mais importante do mundo. Para ser bem sincero, nesse instante de fato não há nada no mundo que eu queira ouvir mais.

Gosto do seu olhar quando você me conta as coisas. São sempre expressivos. Não importa se você olha diretamente para mim, ou se está fixando-se em algum objeto posto à mesa. Sempre vejo  as suas pupilas tremerem quando o papo envolve alguma emoção. E eu queria entender como você consegue casar tão bem o seu olhar com o seu sorriso. Você bem que poderia me explicar isso algum dia desses.

Gosto de como fico imerso quando você me conta as coisas. Sou capaz de ficar um bom tempo assim. E então só depois eu percebo que a mesa ao lado já está sendo ocupada por outras pessoas. Nem vi saírem as que estavam antes. Aliás, eu mal consigo enxergar de longe num primeiro instante com todo aquele movimento. Passei vários minutos com o foco próximo e à sombra quase estática do teu rosto. E você distrai-se também do nosso papo e comenta sorrindo que se esqueceu do seu vinho posto à mesa já há algum tempo e que isso sempre acontece quando está conversando comigo.

Gosto também de quando toca uma música bonita no restaurante no momento em que você está me contando algo perto de mim, com intimidade. Eu me sinto tão leve! Durante aquele instante, a minha ansiedade crônica desaparece, e eu consigo degustar calmamente a alegria de ouvir suas palavras junto com a melodia daquela canção. Sinto como se os anjos tivessem preparado aquele momento de sintonia.

Gosto de quando você termina de me contar as coisas, e me olha sorrindo para saber o que eu tenho a dizer sobre aquilo. Gosto de quando você gosta do que eu digo, e de quando me pergunta sobre as minhas novidades. Nesse meio tempo, invariavelmente nos beijamos naquele ambiente. Para cada coisa que compartilhamos, um beijo. E a cada beijo, mais uma coisa para ser compartilhada.

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